Lei de Libras

Comunidade Surda em festa!

Como pode surgir uma matéria, reportagem ou uma notícia? Geralmente surge por meio de sugestão de pauta, de um release enviado por alguma assessoria de comunicação, vendo TV, lendo ou batendo um papo informal. Foi assim que nasceu essa matéria, numa conversa agradável com a minha prima Tânia, que mora em Três Lagoas/MS. A conversa começou sobre os meus trabalhos no Audiovisual, até que eu comentei que gostaria de escrever sobre Libras.

Tânia Lima no evento TEIA da Educação, em Três Lagoas/MS
Tânia Lima no evento TEIA da Educação, em Três Lagoas/MS

 

Para a minha sorte, Tânia, professora especialista em Libras, me contou que hoje, 24 de abril, é comemorado a Lei de Libras, uma conquista muito importante para a comunidade surda. E sobre esse dia especial, minha prima disse: “Foi o marco divisor de águas para a comunidade Surda Brasileira, 16 anos de lutas para uma verdadeira inclusão, acessibilidade, batalhas, conquistas e vitórias pelo reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais”.

 

 

Tânia com a filha Karen
Tânia com a filha Karen

Tânia sabe muito bem o que diz, ela é mãe de Karen, que nasceu com deficiência auditiva, e continua: “Libras fez a diferença na vida da minha filha, na vida dos surdos brasileiros e na minha também”. Sobre ser mãe de surda, ela dá um conselho para todas as mães que têm filhos surdos: “nossos filhos podem nascer surdos, mas não devem permanecer mudos. Libras veio para dar voz às  nossas mãos. Viver a Libras, falar com as mãos e ouvir com os olhos e o coração. Vivemos a Libras na sua mais intensa e  profunda essência.

A luta de minha prima em prol da comunidade surda sempre me orgulhou e foi com muita alegria que soube de meu primo, Sílvio Walace, também de Três Lagoas, que entrou para esse universo que fala com as mãos e com o coração:

 

Silvio_primo“Eu tenho contato com a Libras desde 2007, quando fiz o meu primeiro curso, na escola estadual Afonso Pena, com a professora Tânia Lima. Ela é uma excelente pessoa para ensinar Libras e é uma das pioneiras de Três Lagoas. Fiz o curso e gostei, porém, não atuava como intérprete, eu trabalhava em empresas, no departamento pessoal, no RH. Com o passar do tempo, eu vi que queria outra profissão pra mim, e foi aí que decidi estudar mais Libras e fiz mais cursos com a Tânia (intermediário e avançado) e entrei em contato com a comunidade surda. Desses cursos surgiram estágios, eu fiz um estágio supervisionado no Senai por seis meses”.

Sobre a sua atuação como intérprete de Libras, Sílvio compartilha um pouco da sua experiência:

projeto Doutores mais palhaços
A trupe Doutores Mais Palhaços. Crédito: AGSOL

“Nós temos uma Associação, em Três Lagoas, que chama AGSOL – Associação Girassol Sul-Mato-grossense, que busca a humanização. Assim surgiu o projeto “Doutores Mais Palhaços, que atua dentro dos hospitais da cidade levando um pouco de alegria às crianças que estão internadas. Então, nós, vestidos de palhaços, visitamos essas crianças. A associação também busca a ensinar a arte de ser palhaço e temos um curso com a Secretaria Municipal de Cultura, formando uma nova trupe de palhaços. Além dessa nova equipe de palhaços que está sendo formada, também, tentamos resgatar as crianças que ficam na rua nos bairros menos favorecidos, oferecendo a elas teatro infantil. Esse projeto já está acontecendo há um mês, num espaço cedido para gente, e todo o sábado, levamos as crianças, junto com os pais e responsáveis, devidamente matriculadas pela associação. Lá, nós temos profissionais que ensinam a arte da interpretação, da dramaturgia e da humanização, também.

Silvio Walace como doutor Miolinho
Silvio Walace … oopss … doutor Miolinho!

E a minha parte, tanto da formação dos Doutores Mais Palhaços quanto a do teatro infantil, é inserir a inclusão, a Libras, fazendo um teatro acessível para os surdos. No Doutores Mais Palhaços, eu ensino como adentrar nos hospitais quando tem um surdo internado, para enfermeiros, estagiários e até mesmo os que estão formando em médicos, aqui do campus 2 da UFMS, eles estão estudando com a gente. A minha parte é mostrar a Libras para eles para que possam perguntar ao paciente surdo, como ele está, e se está tudo bem. É a comunicação básica. No teatro ensino a interpretação com Libras, a inclusão mesmo. Também temos um projeto de circo que estamos fechando agora, para ensinar às crianças e adolescentes os malabares, o teatro de circo e o palhaço de circo. O palhaço de hospital é totalmente diferente, são públicos diferentes”.

Conheça a página da AGSOL GIRASSOL no Facebook.

A Lei de Libras

Você sabia que Libras é a segunda Língua oficial do Brasil? A língua de sinais não é universal (a língua gestual sim, mas, os significados são diferentes), cada país tem a sua. A Língua Brasileira de Sinais tem origem na Língua de Sinais Francesa, porém, tem estrutura própria por meio da Lei 10.436/2002.  Essa Lei reconhece a Libras como o meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda. Ela foi decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

A Lei de Libras garante que “as instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva”. No campo acadêmico houve um importante avanço, como consta no artigo quatro: “o sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial , de Fonoaudiologia e de Magistério, e seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, conforme legislação vigente”.

Para saber mais sobre a Lei de Libras, acesse aqui

O Decreto 5626/05

O decreto nº 5626, de 22 de dezembro de 2005, regulamenta a Lei nº 10.436, que dispõe sobre a Língua de Sinais – Libras, e o artigo 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Esse decreto torna a Língua Brasileira Língua Brasileira de Sinais – Libras, disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores, isto é, todos os cursos de licenciatura, o curso normal de nível médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e o curso de Educação Especial de universidades públicas e privadas devem formar professores a educar alunos com surdez. Algumas universidades, como a UFMT, oferecem o Curso de Letras/Libras Bacharelado (para formação de intérpretes), com ingresso via Enem.

Para saber mais sobre o Decreto 5626/05, acesse aqui

Acesse, também, o site da Confederação Brasileira de Surdos

Filmes sobre o tema

Tânia presenteia os leitores do Blog da Bárbara Fontes com sugestões de filmes que abordam a temática Surda. Preparem a pipoca e divirtam-se!

The Hammer – Legendado

Depois do silêncio – Legendado

Nada que eu ouça – Legendado

Helen Keller e o milagre de Anne Sullivan (ano 2000 – remake de “The Miracle Worker”) – Legendado

Black – Legendado

E seu nome é Jonas – Dublado

Filhos do silêncio – Dublado

O amor em outra língua – Legendado

Hear me – Legendado

A linguagem do coração

 

Abaixo segue a dica da jornalista Denise Niederauer para a garotada:

[LIBRAS] CineGibi 8: Tá brincando? | Turma da Mônica 

 

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Publicado por

barbarafontes

Bárbara Fontes é formada em Comunicação Social pela UFMT. Especialista em Educação (Cinema e Educação). É cineasta, jornalista, roteirista, fotógrafa e poetisa. Seu primeiro trabalho em Assessoria de Comunicação foi em 1995. Iniciou no Cinema/Audiovisual/TV em 1994. Passou temporadas em vários países como Uruguai, Argentina, Bolívia, Panamá. Morou em Estocolmo, capital da Suécia, entre os anos de 2000 a 2002. Sua primeira entrevista para a televisão foi aos 12 anos, no programa de variedades, Vitrine, da TV Centro América. Aos 13 anos, escreveu seu primeiro artigo, publicado no jornal impresso, Correio Várzea-grandense. Desde que se conhece por gente, escreveu histórias, composições musicais, roteiros e poemas.

2 comentários em “Lei de Libras

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