Dragão Vermelho

Tu, cabelos rubro-fogo ondeados
Pele efélide e sorriso a meia-boca
Gênio indomável.

Eu, guerreiro Zhongguo ren
E também domador de dragões,
Procuro-te em Pequim, na multidão sem fim.

Vejo-te, nas ruas da Praça Celestial
De Qipao vermelho e dourado
Olhar blasé pelo ano quase finado
Ao me ver, teus olhos saem faíscas e um lume das tuas ventas

Tu, nua em um quarto de um Hutong
Candura deitada na seda negra
Lá fora, o frio padece de dor
Fogos de artifícios,
Ano Novo Chinês!

Eu, esfomeado e sedento por ti,
Devoro-te numa saudade imensurável
Do teu mel, eu me regozijo
Ébrio, eu domo você
E teu corpo serpenteia.

Contemplo-te, toda exaurida
Cabelos molhados como lavas de um vulcão em erupção
E nas tuas costas, testemunho atônito
Um imponente dragão vermelho
Que se apodera de ti.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2009/2014)

 

 

*Foto de capa: Reprodução/Internet

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