Gratidão!

Sempre é hora de recomeçar e ser feliz porque a vida é bonita, é bonita e é bonita.

julie-julia-filmeEsta Quinta Happy Hour era pra ser rock anos 80, sob os ensinamentos do poeta Cazuza e o seu Barão Vermelho. Mas como tudo o que tem acontecido desde agosto, o plano mudou. Acabei assistindo um dos meus filmes preferidos Julie & Julia. Só o cardápio não mudou: mantive a ideia de um jantar bem “engordiet”: batatas fritas, salsicha, ovo frito e bacon. Enquanto preparava a comida pensava o quanto teria de caminhar depois da janta (ou melhor, depois do filme).

Pode ser que o motivo de eu ter trocado o tema desta QHH tenha sido o meu fim de tarde assistindo a um documentário do Deepak Chopra (As 7 leis espirituais do sucesso). Acho que fiquei sensível e um rock não seria tão necessário a noite e sim algo mais profundo, como um filme que eu me identificasse.

Eu e Julie (personagem principal do filme) tínhamos muito em comum, assim como Julie e Julia Child, a maior culinarista do mundo! Apesar de eu amar comida e tudo o que envolve a gastronomia, a minha identificação com Julie se deu pelo fato dela também ter um Blog. Sua vida segue em torno das aventuras culinárias, fielmente relatadas para os leitores, e as suas desventuras no campo profissional, pessoal e amoroso. Paralelamente, o filme retrata a vida de Child em Paris com o marido diplomata e como aluna da Le Cordon Bleu (se você assiste o MasterChef sabe bem do que eu estou falando!).

Mas por que o título deste post é sobre gratidão e não sobre o filme? Porque o filme é apenas um pequeno grão de areia no Saara da minha vida. Enquanto eu preparava o meu jantar, refletia sobre tudo o que tenho passado e o fato de que todos os meus planos deram errados, fora os que nem estavam planejados e que deram errados também! Meu agosto e este setembro têm sido assim: um dominó que aparentemente estava alinhado e de pé e que de repente foi caindo uma peça, depois outra e…zaap…todas foram ao chão em segundos! Acho que até o Deepak Chopra se espantaria e tentaria me estudar (hahaha)!

Por que os meu planos (todos muito bem pensados, por sinal!) foram ruindo? Eu tive de refletir muito, muito e na solidão das minhas caminhadas na Vila Olímpica Rei Pelé, em Tangará da Serra. Eu havia planejado por meses a minha ida pra lá – para estudar e trabalhar. Eu tinha tantas expectativas positivas. Eu estava cansada de viver entre Várzea Grande e Cuiabá. Estava cansada do calor infernal. Estava cansada de nada dar certo pra mim (eu havia adoecido gravemente, fiz uma cirurgia cara, demorei para me restabelecer fisicamente, vi a minha empresa ficar parada e me sentia deprimida) e achei que ir pra outra cidade e recomeçar seria bom. Mas como eu escrevi antes, TUDO DEU ERRADO! E o pior: a cidade estava tão quente, que cheguei a pensar se era uma “praga” de Cuiabá pra mim: “então, a senhorita vai me abandonar? Mas eu, Cuiabrasa, vou junto e vai passar calor lá também.”

Brincadeiras à parte, nunca imaginei que todos os planos e as melhores intenções de uma pessoa poderiam simplesmente não acontecer. E até a minha vida pessoal, que achava blindada, furou. Eu me vi sozinha emocionalmente e sem dinheiro (por causa dos  planos falidos). Eu estava no olho do furacão, num turbilhão de emoções e frustrações. O ápice disso tudo foi um dia andando pelo centro de Tangará, cheio de gente, e eu me vi “perdida”. Este dia foi primordial para mim porque ao mesmo tempo em que eu me perdi foi o início do reencontro comigo mesma.

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Foto-art by Bárbara Fontes

Há um ditado que diz: quando se está no fim do poço, só resta subir! E foi nas minhas caminhadas na Vila Olímpica que criei a coragem de me confrontar, jogar na mesa imaginária todas as cartas do jogo da minha vida. E refleti: em que momento eu decidi vir pra cá? Como eu tomei a decisão? Quais planos eu tinha em mente? O que saiu errado? O que está me frustrando? Eu sou culpada por tudo o que está me acontecendo? E assim foi pensando, pensando e pensando, numa conversa telepática com o meu “eu interior”. Eu posso escrever seguramente aqui que foi uma das experiências mais profundas e extraordinárias que já vivi!

Consegui, finalmente, “enxergar” tudo o que estava se passando e ter forças para sair do poço. A verdade é que eu precisava passar por tudo aquilo! Precisei sair de casa, me afastar da vida cuiabana, morrer de saudades de meus pais e de minha única filha para entender os desígnios de Deus.  Eu precisava de  um tempo pra mim e partir para Tangará me ajudou nisso. Apesar de tudo o que eu havia planejado não aconteceu, em nenhum momento Deus me desamparou e colocou em minha vida amigos que se tornaram a minha família. Fui amorosamente acolhida por pessoas que mal me conhecia. Gratidão!

Retornei para meu “kinder ovo” em Várzea Grande. Minha filha já estava lá me esperando ansiosa. Como foi bom abraçar o meu bebê de 15 anos! Como foi bom olhar o meu lar, como foi bom dormir na minha cama e no ar-condicionado! Como foi bom voltar! No dia seguinte já estava caminhando com Bibi num parque parecido com a Vila Olímpica, pertinho de casa, mas que fica em Cuiabá (moro perto da ponte que divide VG com Cuiabá). Depois seguimos para a vizinha Orla do Porto e voltamos para casa felizes e cansadas.

Eu percebi que Tangará havia feito algo por mim: me deixou mais forte e mais decidida em relação à minha vida profissional e privada. Eu tenho esse Blog que eu amo. Eu tenho  uma linda profissão. Eu sou uma pessoa do bem. Eu tenho talento e boa vontade. Eu mereço e devo ser feliz todos os dias, e ter ao meu lado pessoas que vibrem positivamente. Tudo isso eu só “enxerguei” na minha solidão quando tudo estava dando errado, quando eu me sentia abandonada e perdida. Eu dei a volta por cima porque  consegui refletir e dizer verdades para mim. Se você quer saber se eu chorei, sim, eu chorei muito porque os sentimentos de derrotismo, fracasso e de burrice vem como uma avalanche. É necessário ter muita FÉ em Deus. Mesmo quando achamos que Ele está de brincadeira com a gente. Não, Deus só estava me ensinando a ser grata pela vida, mesmo quando a vida parece nos dizer “não”.

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foto-art by Bárbara Fontes

Eu tenho gratidão em meu coração por tudo o que passei em Cuiabá, em Várzea Grande, em Estocolmo (num inverno de 26 graus negativos) , no Rio de Janeiro (durante  um tiroteio), em Tangará e em qualquer outro lugar que eu já tenha morado! Em cada lugar foi um grande aprendizado. Só passei de fase nesse grande jogo da vida e sigo rumo à vitória! Gratidão!

 

*Aproveitando que você ainda está aqui, faço um convite para fazer parte dos “Amigos do Blog da Bárbara Fontes” e receba  uma foto-art de minha autoria. Saiba mais aqui.

 

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Publicado por

barbarafontes

Bárbara Fontes é formada em Comunicação Social pela UFMT. Especialista em Educação (Cinema e Educação). É cineasta, jornalista, roteirista, fotógrafa e poetisa. Seu primeiro trabalho em Assessoria de Comunicação foi em 1995. Iniciou no Cinema/Audiovisual/TV em 1994. Passou temporadas em vários países como Uruguai, Argentina, Bolívia, Panamá. Morou em Estocolmo, capital da Suécia, entre os anos de 2000 a 2002. Sua primeira entrevista para a televisão foi aos 12 anos, no programa de variedades, Vitrine, da TV Centro América. Aos 13 anos, escreveu seu primeiro artigo, publicado no jornal impresso, Correio Várzea-grandense. Desde que se conhece por gente, escreveu histórias, composições musicais, roteiros e poemas.

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