Chips & Rock Nacional

Depois do inverno, minha alma primaveril…

 

Eu tô perdido
Sem pai nem mãe
Bem na porta da tua casa (…)

Só um pouquinho
De proteção
Ao maior abandonado

(Cazuza/Frejat)

 

Na Quinta Happy Hour (QHH) passada, eu desabafei… fiz da postagem o meu divã freudiano virtual. Mas…passou…passou…o inverno foi embora e a primavera chegou e floriu a minha vida de esperanças por dias melhores…

 

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Barão Vermelho na 1º edição do Rock in Rio (1985)

Aqui eu estou na companhia de uns chips, uma cervejinha gelada e vendo com Bibi, o icônico show do Barão Vermelho, no Rock in Rio de 1985. Ver Cazuza no alto do seu esplendor artístico, físico e poeticamente malandro me emocionou. Lindeza de ver! Cazuza faz falta. O que será que ele diria sobre essa campanha eleitoral para presidente, que mais se parece um coliseu com gladiadores dando murro em ponta de faca?

Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir

(Cazuza/Frejat)

E por falar em Rock Nacional, ôoo tempinho bom foi os anos 80! Eu era bem criança mas curtia as músicas do Blitz e Kid Abelha. Morria de rir com as músicas do Titãs (“Euclides fala pra mãe…”) e imaginava o nome da banda Camisa de Vênus literalmente: o planeta Vênus com um camisa vermelha (hahaha), e também ficava pensando “Quem matou Joana D’Arc?”

A vida que me ensinaram como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo,
É menos do que eu preciso

(Educação Sentimental II/Kid Abelha)

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Acervo Bárbara Fontes

Amava as bandas Magazine e a Gang 90 e as Absurdetes (do saudoso poeta genial Júlio Barroso que compôs Noite e Dia com lobão)! Curtia Ira e Plebe Rude; Ultraje a Rigor, RPM (esse eu amava loucamente!) e tantas outras bandas de rock com uma pegada punk inglesa.

No escuro do quarto, bela na noite
Nas ondas do luar
Seus olhos negros, pantera nua
Vem me hipnotizar
Eu olho sorrindo, lindo!

(Noite e Dia/Julio Barroso-Lobão)

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Acervo Bárbara Fontes

 

 

Nada me faz tão feliz quanto o Legião Urbana! E assim que o show do Barão Vermelho acabou (Cazuza pediu por um Brasil melhor!), eu fui atrás de vídeos de Renato Russo com Paulo Bonfá e Dado Villa-Lobos. Como Renato faz falta! O que ele diria sobre essa campanha eleitoral para presidente? O que ele diria sobre a sua música “Que país é esse?” ser tão atual?

 

 

 

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?

(Legião Urbana)

O rock nacional era feito com pitadas de deboche, boemia, protesto e resistência contra a censura, e letras melancólicas cheias de verdades nuas e cruas. As bandas retratavam um Brasil que estava na transição ditadura/democracia e havia muita expectativa com o “novo país” que estava prestes a surgir. Por isso que até hoje as músicas dessa geração 80 faz muito sentido. Ouça as músicas “Homem Primata”, do Titãs ou “Vida louca Vida”, de Cazuza; ou as letras de Lobão – elas refletem temas e situações muito atuais.

 

Desde os primórdios
Até hoje em dia
O homem ainda faz
O que o macaco fazia
Eu não trabalhava, eu não sabia
Que o homem criava e também destruía

(Homem Primata/Titãs)

 

Ao olhar para o passado do rock brasileiro tão cheio de vida e ter de encarar a música brasileira atual, eu entendo que o “tempo não para” e que cada geração tem os seus ídolos e modas, mas, agradeço a São Gonçalo e à Santa Cecília, santos dos músicos, por manter ainda em plena atividade o Barão Vermelho, Ira, Titãs, Legião Urbana e tantas outras bandas e artistas que fizeram os anos 80 serem eternas, pelo menos musicalmente.

 

Não é nossa culpa nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa pela má distribuição

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?

Até quando esperar?

E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber?
Que aquele abençoado
Poderia ter sido você

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?

Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus

Posso vigiar teu carro, te pedir trocados,
Engraxar seus sapatos?

(Até quando esperar/Plebe Rude)

 

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Publicado por

barbarafontes

Bárbara Fontes é formada em Comunicação Social pela UFMT. Especialista em Educação (Cinema e Educação). É cineasta, jornalista, roteirista, fotógrafa e poetisa. Seu primeiro trabalho em Assessoria de Comunicação foi em 1995. Iniciou no Cinema/Audiovisual/TV em 1994. Passou temporadas em vários países como Uruguai, Argentina, Bolívia, Panamá. Morou em Estocolmo, capital da Suécia, entre os anos de 2000 a 2002. Sua primeira entrevista para a televisão foi aos 12 anos, no programa de variedades, Vitrine, da TV Centro América. Aos 13 anos, escreveu seu primeiro artigo, publicado no jornal impresso, Correio Várzea-grandense. Desde que se conhece por gente, escreveu histórias, composições musicais, roteiros e poemas.

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