Theatro Fúria tramando Esopo

Parece que foi ontem que eu vi o Theatro Fúria nascer. Era o final da década de 1990, e havia uma efervescência cultural em Cuiabá e em várias localidades de Mato Grosso. Nós que militávamos há anos em prol da cultura e buscávamos um lugar no cenário regional e nacional, começávamos a ver os nossos projetos se concretizando. Foi um período muito profícuo. Muitos talentos aparecendo e muitos projetos acontecendo.

Enfim vinte anos se passaram! Voou! Daquele imenso grupo de pessoas na lida diária pelo pão cultural de cada dia, uns desistiram, outros se reinventaram em outras profissões e, alguns (sou desse grupo) continuam seguindo a sina de ser artista, produtor cultural e sobrevivente de tempos gloriosos da Cultura. O tempo passou e ficamos mais velhos, marcados pelas histórias da vida e, principalmente, ficamos mais fortes e experientes. Houve momentos de espera, de autorreflexão, de aguardar um novo limiar de trabalhos próprios, mas nunca desistir. Jamais! E essa matéria é sobre um grupo de teatro que passou por tudo isso, e há 20 anos nos orgulha pelas obras e pelas pessoas que fazem parte: um grande viva ao Theatro Fúria!

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Para celebrar os 20 anos de treatralidade, a companhia teatral estreia “Tramando Esopo”, nos dias 01 e 02 de dezembro, no Cine Teatro Cuiabá.  É um espetáculo de narração de histórias para sábios e sabidos a partir dos 7 anos de idade, e que utiliza a técnica de manipulação de objetos para dar vida às fabulosas personagens dos contos do lendário Esopo – o escravo sábio que viveu na Grécia 500 anos antes de Cristo e escreveu mais de 500 histórias.

Bate-papo com o Blog

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crédito: Fred Gustavos

Eu conversei com a atriz e produtora Carolina Argenta (na verdade, ela é uma “faz-tudo” do Theatro Fúria!).

Blog da Bárbara Fontes: Como surgiu a ideia de montar Tramando Esopo?

Carolina Argenta: A gente começou a fazer o curso de Narração de Histórias, que a Alicce Oliveira [atriz, pedagoga e contadora de histórias] ofereceu a partir do edital da prefeitura [de Cuiabá], em junho deste ano. Durante esse curso, a gente começou a pesquisar sobre métodos e formas de se contar histórias – quem são as pessoas que contam histórias e porquê a gente fica tão atraído sempre por histórias. E chegamos aos matutos, aquelas pessoas que contam histórias; causos na fazenda, o vaqueiro que senta à fogueira e começa a contar histórias. A gente se inspirou muito nisso.

Então, começamos a pesquisar quais histórias são essas que a gente gostaria de contar, e a gente chegou a Esopo. A gente chama de “Êsopo”, a gente deu esse sotaque “italianizado” para a palavra.  Chegamos a ele, que é muito incrível! A gente pensa que o cara era apenas um escravo, mas escrevia essas histórias e as contava. Isso despertou o interesse, e sempre tem essa questão da singeleza, do matuto contanto histórias, do “Êsopo” que era um mero escravo e também contando histórias. Então, a gente pegou algumas histórias dele e fez adaptações mais voltadas para a atualidade – contexto do Péricles e, modéstia à parte, deu uma melhorada nas histórias porque são historinhas curtas [do Esopo], mais um caso que acontece e que depois ele coloca a “moral da história”. Então, a gente deu uma grandiosidade maior para as histórias, e começamos a montar esse trabalho.

 

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Crédito: Pedro Ivo

Para trazer um pouco a teatralidade para essa narração de histórias, a gente está colocando a técnica de manipulação de objetos, que é o “Teatro de Animação” para ilustrar essas histórias, esses contos. A gente vai ilustrando tudo a partir dos objetos que são manipulados em cena. Essa é a parte mais teatral, digamos. Então, ele começou nesse curso da Alicce e se transformou e a gente pensou: – Cara, vamos continuar pesquisando e vamos tentar colocar várias histórias juntas e fazer esse trabalho para presentear o nosso público, nesses 20 anos.

BBF: Como é estar comemorando 20 anos de Theatro Fúria?

Carolina Argenta: Eu nem preciso dizer o quanto é emocionante para a gente estar comemorando agora essa segunda década de existência. O Fúria nasceu em dezembro de 1998, quando o Giovane e o Péricles se reuniram pela primeira vez, pensando na montagem de Nepal, que foi o primeiro espetáculo do Fúria, e muita coisa aconteceu ao longo desses 20 anos.

O Fúria sempre continuou existindo, nunca deixou de produzir. Por um período ficou sem produções próprias, mas sempre trabalhando com intercâmbios com grupos de Santa Catarina, de Mato Grosso do Sul, daqui de Mato Grosso; com foco na dramaturgia, algumas vezes na encenação e na atuação também. E a gente segue existindo com muita paixão.

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Carolina e Péricles. Crédito: Humberto Araújo

O que a gente faz no Fúria é trazer o trabalho que é “fúria” para dentro da nossa vida mesmo. E agora como a gente trabalha junto e sendo um casal também, eu e o Péricles, virou para a gente a nossa vida que é o Fúria. A gente passa o tempo falando das nossas ideias, sobre os nossos objetivos e trabalhando nisso. Então, a gente vive trabalhando mas sempre com muita paixão, e acho que isso fica muito claro nos nossos trabalhos. A gente tem uma dedicação que é constante, contínua. A gente tem muita disciplina, muito foco e acho que isso fortalece muito o grupo. E a gente pretende continuar assim para o resto da vida!

BBF∼ 

Ficha Técnica:

Concepção e Narração: Péricles Anarckos

Texto e adaptação das histórias: Péricles Anarckos

Ambientação e Figurino: Carolina Argenta

Voz do narrador: Carolina Argenta

Produção: Carolina Argenta

SERVIÇO

Espetáculo Tramando Esopo

DATA: 01 e 02 de Dezembro

LOCAL: Cine teatro Cuiabá – Sala Anderson Flores

INGRESSOS: 20,00 inteira e 10,00 meia (serão vendidos à partir do dia 27/11, na bilheteria do Cine Teatro Cuiabá – aberta de terça a domingo, das 14h às 18h)

HORÁRIO: Sábado às 20h e domingo às 19h30

CLASSIFICAÇÃO: Livre para todas as idades

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Publicado por

barbarafontes

Bárbara Fontes é formada em Comunicação Social pela UFMT. Especialista em Educação (Cinema e Educação). É cineasta, jornalista, roteirista, fotógrafa e poetisa. Seu primeiro trabalho em Assessoria de Comunicação foi em 1995. Iniciou no Cinema/Audiovisual/TV em 1994. Passou temporadas em vários países como Uruguai, Argentina, Bolívia, Panamá. Morou em Estocolmo, capital da Suécia, entre os anos de 2000 a 2002. Sua primeira entrevista para a televisão foi aos 12 anos, no programa de variedades, Vitrine, da TV Centro América. Aos 13 anos, escreveu seu primeiro artigo, publicado no jornal impresso, Correio Várzea-grandense. Desde que se conhece por gente, escreveu histórias, composições musicais, roteiros e poemas.

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