Somos todos COS

Jornalista Celly Silva promove noite de autógrafos de livro-reportagem sobre a história movimento estudantil do Curso de Comunicação Social da UFMT. Evento será realizado nesta sexta-feira (31), a partir das 19h, na sede do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT).

Somos Todos COS, publicado pela EdUFMT, é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da jornalista Celly Alves Silva, e deveria ser leitura obrigatória para todos as pessoas que passaram pelo curso de Comunicação Social (COS) e suas habilitações, entre os anos de 1991 (entrada da primeira turma) até os dias atuais. Se hoje, o curso da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é reconhecido pelo MEC, possui um prédio próprio (de arquitetura moderna) com salas de aulas climatizadas, laboratórios, equipamentos, auditório entre outros, é graças a uma geração de alunos que não cansavam de cobrar melhorias, ao ponto de acampar em frente à Reitoria por um longo período. Parece exagero? Por muitos anos, as aulas do COS eram ministradas no antigo prédio da Faculdade de Direito, as salas eram emprestadas e não havia estrutura adequada para os alunos de Jornalismo, Rádio e TV (RTV) e Publicidade Propaganda (PP) realizarem as suas atividades práticas. Os alunos do curso de RTV precisavam se descolar quase todos os dias, sob sol escaldante, até o bloco de Ciências Exatas, ao lado do zoológico. É uma distância relativamente longe, a UFMT é uma das maiores do Brasil – seria algo como ir de uma ponta à outra ponta da universidade. Apesar de todas as dificuldades, o COS foi o início de boa parte dos profissionais que atuam no mercado mato-grossense. Este ano, o Curso de Comunicação Social Completou 26 anos de existência, uma história cheia de sonhos, lutas, suor, lágrimas e muitas conquistas.

 

O Livro-reportagem

Composto por duas partes, o registro histórico e os depoimentos de ex-alunos, o livro-reportagem é “uma homenagem aos ex-alunos que deixaram sua marca na construção de uma educação de qualidade,  por meio de suas atuações no Centro Acadêmico de Comunicação Social (Cacos) e na Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (Enecos), além de lembrar professores e jornalistas do mercado local, que,  ainda nos anos 80, fomentaram a criação da faculdade em Mato Grosso”, explica Celly.

 

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De acordo com a jornalista, o livro-reportagem é  fruto de um projeto experimental, dividido em duas partes: a primeira, contando a cronologia do curso, perpassando as gestões do centro acadêmico desde sua fundação,  em 1991, por comunicadores hoje consagrados, como Aline Cubas, Ademar Adams, Luzimar Collares e Justin Fiori, até meados dos anos 2000, época que encerrou um ciclo de luta em prol da construção  do prédio próprio da faculdade. A segunda parte da obra traz uma série de perfis  escritos a partir de entrevistas com os ex-militantes: Ademar Adams, Jonas da Silva, Lairce Campos, Yuri Kopcak, Janaina Pedrotti , Carol Araújo,  Evandro Birello  e Carlos Augusto dos Santos.

 

Noite de Autógrafos

Por se tratar de um registro importante para a história da Comunicação Social no Estado, e que contou com depoimentos valorosos de antigos alunos do COS, hoje, professores e  profissionais atuantes – inclusive alguns fazem parte do Sindjor-MT, a jornalista Celly Alves Silva promove uma noite de autógrafos na sede do sindicato.

 

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Celly autografa o meu livro.

 

O lançamento do livro-reportagem Somos Todos COS – História do Movimento Estudantil de Comunicação Social da UFMT, ocorreu em maio, no Centro Cultural da UFMT. O Blog da Bárbara Fontes esteve presente no evento e bateu um papo bacana e emocionante com a autora:

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Celly, como surgiu a ideia de conta a história do movimento estudantil da Comunicação Social da UFMT?

Celly Alves Silva: Eu fui do Centro Acadêmico (C.A.) por duas gestões, de 2009 a 2011. Eu militei na ENECOS, a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, e fui em vários ENECOMs que são os Encontros de Estudantes de Comunicação, e me apaixonei. Eu sou até hoje apaixonada pela militância estudantil. Eu vejo o quanto é importante para a existência do nosso curso e da manutenção da educação pública. Quando chegou na época do TCC na faculdade, a gente não sabe direito o que vai fazer e eu ficava com essa dúvida, porém, um dia veio um estalo: o que eu mais sei e o que eu mais gosto de fazer é o movimento estudantil e eu quero escrever sobre isso. Daí veio a ideia de fazer um livro-reportagem, que foi o meu TCC em 2013.

 

BBF: Então primeiro surgiu o TCC e como ficou bacana, surgiu a ideia do livro?

CAS: Sim. Foi a própria banca, que teve a professora Mariângela, minha orientadora; o professor Tinho Costa Marques; e o professor Yuji Gushiken. Eles sugeriram para submeter à editora da universidade.

 

BBF: O curso ainda era dividido em Habilitações?

CAS: Sim, era. A minha habilitação é Jornalismo.

 

BBF: Durante a sua pesquisa, quais foram as descobertas que chamaram a sua atenção?

CAS: Eu pesquisei vários documentos encaixotados no Centro Acadêmico, antes de procurar as pessoas para fazer as entrevistas. O que me chamou muita atenção nesses documentos foi encontrar fanzines que os alunos produziam, contando o dia-a-dia do curso, a falta de equipamentos, de professor, as histórias dos encontros estudantis e fotos antigas sobre a paralisação dos estudantes que ficaram acampados no Bloco IL (Instituto de Linguagens) e depois na Reitoria. E isso encheu os meus olhos de lágrimas. Eu já participei de várias ocupações de reitoria, mas não de ficar tanto tempo acampado. Então, isso me chamou muito a atenção porque foi fundamental para a melhoria do curso, o salto que o curso deu quando ganhou um bloco próprio e quando foi reconhecido pelo MEC.

 

BBF: Eu fiz parte da primeira geração do COS, entrei em 1993, e o seu livro-reportagem é um importante registro para todos os que passaram pelo curso, principalmente, para homenagear os alunos que militaram com muita garra. Eu também sei que não é fácil escrever um livro. Valeu a pena tantos anos de trabalho?

CAS:Valeu a pena sim, com certeza! E tem de surgir novos livros porque esse vai até o início dos anos 2.000, e de lá para cá aconteceram muitas coisas.

 

BBF: Como foi a parceria com a Editora da UFMT?

CAS: Se não me engano, eu fiz o protocolo na editora em 2014, submetendo o livro para publicação. Foi um processo bem demorado porque depende de pareceres de professores doutores de outras universidades. Também tem o processo de revisão. Mas valeu à pena!

 

BBF: O livro teve algum custo para você?

CAS: Sim, o custo da impressão. O edital da editora era para lançar o e-book. Eu consegui imprimir o livro com recursos próprios e via uma vaquinha que eu fiz.

BBF: Celly, qual mensagem você pode passar para essa nova geração que estuda no Curso de Comunicação Social da UFMT?

CAS: Eu quero que eles tenham curiosidade de ler o livro e conhecer um pouco da história do curso. É importante saber de tantos outros alunos tiveram de passar para que hoje, para eles terem acesso à educação pública. Por mais que o curso ainda tenha alguns problemas até hoje, é necessário que tenha sempre gente ali cobrando, exigindo, reivindicando pelo menos para manter o que a gente tem, que é a educação pública.

 

 

BBF: Na sua trajetória como militante estudantil, qual foi o seu maior ensinamento?

Celly Alves Silva (muito emocionada): Desculpe pela a minha emoção. O que eu mais aprendi foi que a gente não consegue nada sozinho. A militância é uma coisa de amor ao próximo porque você luta e nem sempre colhe os frutos naquele momento, outras pessoas vão colher depois o que você plantou. A gente aprende tanto a lutar e a não aceitar as coisas de maneira passiva. Alunos e professores precisam continuar a resistir e a lutar para continuar a existir a universidade pública.

 

Blog da Bárbara Fontes: Última pergunta, como foi conciliar a produção do livro-reportagem com a maternidade?

Celly Alves Silva: Quando eu escrevi o livro nem sonhava que seria mãe. Eu fiz na época da faculdade. Eu apresentei o TCC em 2013, só agora é publicado como livro. Antes de lançar o livro, eu fiz revisões, adequações e diagramação junto com a editora da UFMT. Nesse processo de revisão e finalização eu estava grávida. A minha filha Laura é a minha companheira. Nos últimos preparativos do livro, quando eu tinha de estar na editora, ela ficava comigo o tempo todo. Ela é sempre tão quietinha, tranquila. Esse livro me deu mais trabalho! (risos).

 

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Foto: acervo pessoal.

 

Celly com o marido Jonison Silva e a pequena Laura.

OBS: Hoje, 30 de maio, Laura completa 4 meses.

 

 

SERVIÇO

Lançamento do livro-reportagem Somos Todos COS, da jornalista Celly Alves Silva

Data: 31 de maio

Horário: a partir das 19h

Local: Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor)

Endereço: Rua Do Carmo, 55, Baú. Cuiabá/MT

Valor do livro: R$ 35,00

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Publicado por

barbarafontes

Bárbara Fontes é formada em Comunicação Social pela UFMT. Especialista em Educação (Cinema e Educação). É cineasta, jornalista, roteirista, fotógrafa e poetisa. Seu primeiro trabalho em Assessoria de Comunicação foi em 1995. Iniciou no Cinema/Audiovisual/TV em 1994. Passou temporadas em vários países como Uruguai, Argentina, Bolívia, Panamá. Morou em Estocolmo, capital da Suécia, entre os anos de 2000 a 2002. Sua primeira entrevista para a televisão foi aos 12 anos, no programa de variedades, Vitrine, da TV Centro América. Aos 13 anos, escreveu seu primeiro artigo, publicado no jornal impresso, Correio Várzea-grandense. Desde que se conhece por gente, escreveu histórias, composições musicais, roteiros e poemas.

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