Bárbara Pergunta

Em coletiva de imprensa realizada, em Rondonópolis, (14.06), ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, responde pergunta do Blog da Bárbara Fontes.

Com uma agenda de compromissos em dois municípios de Mato Grosso, Tarcísio Freitas iniciou a manhã no Terminal Ferroviário de Rondonópolis (218 km de Cuiabá), operada pela concessionária Rumo; e visitou um trecho da BR-364. À tarde, o ministro da Infraestrutura viajou para o município de Água Boa, onde participou da audiência pública “Ferrovia de Integração do Centro-Oeste”, e da inauguração da iluminação da Travessia Urbana, na BR 158 (km 564/569). Toda programação do ministro foi acompanhada pelo governador, Mauro Mendes; pelo prefeito de Rondonópolis, Zé do Pátio; pelo CEO da Rumo, Marcos Lutz; e autoridades políticas do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa.

 

Segundo o ministro, o governo federal vê o estado de Mato Grosso como uma prioridade, “pela pujança e pelo potencial. Muitas coisas estão sendo planejadas. É o Estado que seguramente vai receber maior quantidade de investimentos”, disse na coletiva de imprensa realizada na sede da concessionária. Além da malha ferroviária, estão previstas melhorias de infraestrutura nas principais rodovias que cortam o Estado.

 

 

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Francisco Vuolo, presidente da Pró-Ferrovia Cuiabá entrega camiseta da entidade para o ministro Tarcísio Freitas. Foto: Bárbara Fontes

Freitas elogiou a participação ativa da bancada parlamentar em Brasília que busca formas para agilizar questões legais para que a Ferrovia da Integração Centro-Oeste (Fico) e a Ferrogrão se concretizem o mais rápido possível, inclusive tornar viável o traçado até Cuiabá, desejo do Fórum Pró-Ferrovia Cuiabá que esteve presente em Rondonópolis. O ministro também elogiou o governador Mauro Mendes por estar sempre em Brasília defendendo os interesses do Estado, porém, fez uma observação:

 

 

A gente vem para cá e vê o Brasil que dá certo. O Estado precisa fazer a sua obrigação também e proporcionar os meios de fazer com que os produtores possam continuar crescendo e continuar produzindo riquezas.”

 

 

Bárbara Pergunta

Durante a coletiva de imprensa, Tarcísio Freitas respondeu uma pergunta do Blog:

Blog da Bárbara Fontes: Ministro, efetivamente, quais são os trâmites para que chegue a malha ferroviária até Cuiabá e ao Médio-Norte?

Tarcísio Freitas: Talvez fique muito simples. Tem dois caminhos para a ferrovia chegar até Cuiabá, agora isto obviamente depende da vontade do investidor, da percepção do investidor que tem carga lá. O primeiro caminho é demonstrar inviabilidade de ter uma concessão autônoma indo para Cuiabá. E a partir do momento em que se demonstra inviabilidade, atribui esse trecho à própria concessionária que já opera até Rondonópolis, que é a Rumo, faria essa atribuição do trecho, a empresa poderia fazer investimentos, tomar o risco de engenharia e fazer a operação. E o segundo caminho é o caminho que a gente está tentando trabalhar juntamente com o Congresso, e eu agradeço aqui o apoio dos parlamentares da bancada federal, em particular aqui o nosso senador Wellington Fagundes, o senador Jayme Campos, o deputado Zé Medeiros, o deputado Neri Geller, que têm sempre nos ajudado nas demandas do Ministério da Infraestrutura, eles têm uma ligação forte com a infra e se preocupam muito com a logística de Mato Grosso, que é um projeto de lei que cria um regime de autorização do nosso ordenamento jurídico, e aí a coisa fica melhor porque havendo a manifestação de vontade da concessionária, a gente autoriza aquele trecho. Precisa de uma alteração legal que está em curso e está andando bem no Congresso. Hoje está no Senado, na Comissão de Serviços de Infraestrutura. A vantagem da autorização é que a gente começa a aproximar o nosso modelo com o modelo norte-americano. Então, o investidor tem interesse, toma o risco de engenharia, faz a ferrovia e a grande vantagem é perpetuidade, isso traz uma percepção de segurança jurídica muito grande para o investidor porque ele não tem a questão da reversibilidade do bem, ele não tem de devolver no final do período de amortização de capital daquele ativo para o Estado. Ele passa a ser proprietário daquele ativo e passa a ter uma liberdade maior do que diz respeito a regulação de tarifa e também a perpetuidade do bem. E a tarifa, no final das contas, tem de ser regulada pelo próprio mercado. O que o Ministério da Infraestrutura tem de fazer é a oferta. Mais oferta de infraestrutura menor a tarifa e mais o preço do frete vai abaixando.

 

Ministro, Autoridades e Fórum Pró-Ferrovia Cuiabá_Bárbara Fontes_Easy-Resize.com
Foto: Bárbara Fontes

           

Coletiva de Imprensa

A sensação era de estar dentro de uma lata de sardinha, ao ter de ficar de prontidão em uma pequena sala da empresa Rumo, concessionária da ferrovia em Mato Grosso. Eu estava na companhia de dezenas de jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e convidados, onde aguardávamos o início da coletiva de imprensa do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas e autoridades do Estado. A maioria dos profissionais que estavam presentes, incluindo o Blog da Bárbara Fontes, viajou por mais de cinco horas (a convite do Fórum Pró-Ferrovia Cuiabá) e todos queriam fazer o melhor para cumprir a pauta do dia. Eu testemunhei algumas grosseiras de funcionários da Rumo com jornalistas. Faltou melhor atendimento à imprensa por parte da empresa que deveria ter a compreensão do momento importante para Mato Grosso e de que a imprensa faz a parte que lhe cabe ao reportar para a população os fatos.

 

Para mim foi uma experiência um pouco frustrante porque a viagem para Rondonópolis tinha um aspecto especial: há cerca de 20 anos, eu havia participado da inauguração da Ferronorte, em Alto Taquari, numa caravana de jornalistas que também viajaram por muitas horas, porém, fomos muito bem recebidos. O evento histórico para Mato Grosso contou com a participação do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, de Dante de Oliveira (era o governador e faleceu em julho de 2006, em Cuiabá ), de autoridades, e também de Vicente Vuolo, considerado o Pai de Ferrovia no Estado. Vuolo faleceu em maio de 2001, em Brasília, sem ver concretizado o seu maior sonho: a ferrovia passar por Cuiabá.

 

Ferrovia em Mato Grosso: Entenda

Atualmente em Mato Grosso está em funcionamento a Ferrovia Vicente Vuolo – a Ferronorte, que interliga Alto Taquari, Itiquira e Rondonópolis. Há dois projetos de malhas ferroviárias que passam pelo o Estado: a Ferrovia da Integração Centro-Oeste (Fico) e a Ferrogrão.

 

Segundo o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal, a Fico (EF-354) tem uma extensão de 1.641 km, com inicio em Campinorte (GO) e final em Vilhena (RO). Um dos objetivos para construção da ferrovia é estabelecer alternativas mais econômicas para os fluxos de cargas de longa distância. Em Mato Grosso, a Fico tem um trecho de 383 km de extensão que começa da Ferrovia Norte-Sul, em Campinorte e vai até Água Boa. Com o seu funcionamento, Mato Grosso escoará a produção de soja e milho em direção a São Paulo (porto de Santos), Maranhão (porto de Itaqui) e ao Pará (porto Vila do Conde).

 

Outra é a Ferrogrão (EF-170), com previsão de construção, por meio de capital privado, ainda neste ano. O novo corredor ferroviário de exportação do país contempla os municípios de Sinop e Lucas do Rio Verde (177 km de extensão) – importantes polos do agronegócio -, até o porto de Miritituba, no Pará. Esta ferrovia que tem uma extensão de 933 km, trará uma redução de 30% do custo do escoamento de grãos em Mato Grosso.

 

Ferrograo
Malha da Ferrogrão. Reprodução. PPI/governo federal.

Segundo o PPI, quando a Ferrogrão estiver finalizada terá alta capacidade de transporte e competitividade (hoje, desempenhado pela rodovia BR-163), também aliviará as condições de tráfego nessa rodovia, com o objetivo de diminuir o fluxo de caminhões pesados e os custos com a conservação e a manutenção. A Ferrogrão faz parte do plano de expansão da fronteira agrícola brasileira e à demanda por uma infraestrutura integrada de transportes de carga.

 

 

 

Saiba mais:

Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, acesse aqui.

Programa de Parcerias de Investimentos, acesse aqui.

Fórum Pró-Ferrovia Cuiabá, acesse aqui.

 

 

*Foto de capa: Christiano Antonucci – SECOM/MT

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Publicado por

barbarafontes

Bárbara Fontes é formada em Comunicação Social pela UFMT. Especialista em Educação (Cinema e Educação). É cineasta, jornalista, roteirista, fotógrafa e poetisa. Seu primeiro trabalho em Assessoria de Comunicação foi em 1995. Iniciou no Cinema/Audiovisual/TV em 1994. Passou temporadas em vários países como Uruguai, Argentina, Bolívia, Panamá. Morou em Estocolmo, capital da Suécia, entre os anos de 2000 a 2002. Sua primeira entrevista para a televisão foi aos 12 anos, no programa de variedades, Vitrine, da TV Centro América. Aos 13 anos, escreveu seu primeiro artigo, publicado no jornal impresso, Correio Várzea-grandense. Desde que se conhece por gente, escreveu histórias, composições musicais, roteiros e poemas.

3 comentários em “Bárbara Pergunta

  1. Parabéns Bárbara pelo excelente trabalho que o seu blog esta desenvolvendo!!! Sua pergunta foi extremamente importante, esclareceu dúvidas, está no portal G1. Sucesso!!!

    Rita Fiori

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