Jornalismo

Jornalistas de Mato Grosso criam Confraria para enfrentar crise na profissão

Desde o surgimento da primeira lei de Liberdade de Imprensa, na Suécia em 1766, a profissão de Jornalista passou por inúmeras transformações advindas das inovações tecnológicas. Em 1844, o telégrafo é inventado e permite a notícia chegar em qualquer parte do mundo em questões de minutos; antes disso, os textos podiam levar horas ou dias até chegar nas redações. A máquina de escrever e as gigantes máquinas de impressão também foram importantes aliadas da imprensa moderna. Até pouco tempo atrás, o jornalista tinha um papel de destaque na sociedade mundial, além de intelectual era também um ‘sabedor das coisas que aconteciam’. Enquanto o rádio emitia as informações de forma imediata, os jornalistas destrinchavam essas informações com detalhes e um jeito próprio de contar a história – a escrita jornalística.

 

 

 

Mas a internet chegou, as redações aposentam a velha e amada máquina de escrever para receberem computadores que exigem novas formatações jornalísticas; o antigo gravador dá vez ao smartphone; o jornal impresso perde a força como principal fornecedor de informações para os hipertextos, áudios, imagens e vídeos dos sites de notícias que estão 24h disponíveis. As redes sociais colocam à prova todos os ensinamentos das faculdades e um certo menosprezo pela Língua Portuguesa – tão cara no jornalismo brasileiro. As Fakes News, que sempre existiram na história da Comunicação Social, se tornam corriqueiras, porém, muito mais elaboradas e com poder de destruição para a democracia, a liberdade de imprensa e à população. O mundo muda em um ritmo caótico e frenético, e o jornalista tudo presencia, atordoado e perplexo. A banalização da imprensa é notável e isso reflete diretamente no profissional que dedicou boa parte de sua vida ao Jornalismo, a angústia e a frustração são inevitáveis. E uma pergunta dolorida e latente ressoa: para que serve um jornalista mesmo?

 

 

 

O dilema que afeta jornalistas em todo mundo também tem reflexos nos profissionais de Mato Grosso, em especial aos que formaram em Comunicação Social antes do ano 2.000. Por meio de um grupo formado no WhatsApp que tem objetivo de compartilhar informações sobre a atividade jornalística, capacitações e oportunidades de trabalho, serviu também como mediador para desabafos sobre a profissão, e assim surgiu a ideia de uma Confraria. As conversas virtuais deram lugar aos encontros presenciais e muitas discussões salutares. A inspiração vem da bem-sucedida Confraria de Profissionais de Marketing de Mato Grosso (CPM), criada há seis anos, que não mediu esforço para ajudar os jornalistas na nova empreitada. Outra colaboração importante é a do advogado Gustavo Fava. E o sonho se tornou realidade na manhã de sábado, do dia 05 de outubro, cerca de 30 jornalistas e representantes da CPM (Tania Kramm, vice-presidente; e Patrícia de Assis Garcia, Primeira Tesoureira) participaram da Assembleia de Fundação da Confraria dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso, realizada no Paiaguás Palace Hotel, em Cuiabá (MT). Na reunião foram aprovados o Estatuto e a nova diretoria.

 

Presidente e vice da Confraria

O advogado Gustavo Fava, Ana Karla Costa e Camila Bini. Crédito: Edson Rodrigues

 

 

O Blog da Bárbara Fontes conversou com profissionais sobre o papel da Confraria neste momento de crise no jornalismo, e a sua relação com o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso.

 

 

 

A Confraria

Uma confraria pode ser criada por pessoas de diferentes profissões, mas que possuem um interesse em comum. Também pode ser uma associação de pessoas que exerçam a mesma profissão, como é o caso da Confraria dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso.

 

 

“A Confraria é um sonho que a gente vinha discutindo há alguns meses. É uma associação de jornalistas de Mato Grosso que vai discutir a nossa profissão e as transformações que vem passando ao longo dos anos. Também é uma forma de renuir os jornalistas para que juntos sejamos mais fortes. A Confraria vai oferecer capacitações, palestras que possam nos ajudar na atuação profissional. Na próxima reunião aberta, a diretoria vai apresentar o plano de trabalho para os próximos meses”, explica Ana Carla Costa, presidente da Confraria dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso.

 

 

 

Para se tornar um (a) confrade, os jornalistas precisam se associar e é imprescindível o registro profissional. A anuidade, no valor de R$ 30,00 mensais terá início em janeiro de 2020, até lá todas as despesas da associação estão sob a responsabilidade da diretoria. O valor cobrado ajudará na realização de eventos e cursos de qualificação, e com o tempo, tornar a Confraria autossuficiente.

 

 

Confraria 3

Crédito: Edson Rodrigues

 

Há 30 anos na área, a jornalista Sandra Amorim acredita que a Confraria traz fôlego renovado para os profissionais, por meio de qualificações e percepção de mercado que conduza a novos caminhos, “O importante nisso tudo é preservar a essência do Jornalismo, isso a gente não pode perder. Estou super animada agora e fiz questão de participar desta primeira diretoria, e a expectativa é boa”, finaliza.

 

 

“A gente quer discutir a partir do conceito básico do jornalismo e não apenas para defender a liberdade de opinião, e a liberdade da imprensa que é uma das condições da gente ter uma democracia e isso é um assunto atual. Mas existe um modo de fazer o jornalismo, porém, eu acredito que o modus-operandi já mudou e o grande desafio é como adaptar o jornalismo que a gente aprendeu na sua base moral ou filosófica ou ética, às necessidades atuais de plataformas, conteúdos e linguagens. O grande desafio é esse, senão você está fazendo outra coisa e não está comunicando, apenas passando uma opinião. E isso não é fazer jornalismo e a gente precisa ter um filtro. Nós somos uma Confraria de jornalistas profissionais, ou seja, podemos estar fazendo várias coisas diferentes ou desempenhando funções diversas, mas temos o compromisso moral com o jornalismo”, comenta Camila Bini, vice-presidente da Confraria dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso.

 

 

 

Confraria e Sindjor: união faz a força

A Confraria dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso tem como foco principal a capacitação de seus confrades. Qualquer questão trabalhista deve ser encaminhada para o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor), que há 50 anos defende os direitos dos trabalhadores. De acordo com o parágrafo 8º da Constituição Federal, somente um sindicato legitimamente constituído pode representar os trabalhadores perante o judiciário ou perante negociações dos acordos coletivos e convenções coletivas.

 

 

“Eu não vejo nenhum tipo de atrito entre uma Confraria ou outras organizações que surjam com propósitos de congregar trabalhadores. Não vejo de forma negativa, muito pelo contrário, vejo de forma positiva. O espaço institucional do sindicato não se confunde com o espaço democrático da convivência recreacional e institucional das confrarias. Vejo como atividades complementares ao sindicato”, comenta Itamar Perenha, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso.

 

 

 

A Diretoria

Diretoria da Confraria

Crédito: Edson Rodrigues

 

A confraria tem uma diretoria executiva formada por Ana Karla Costa (presidente), Camila Bini (vice-presidente), Thielli Bairros (secretária), Gláucio Nogueira (secretário suplente), Sandra Amorim (tesoureira) e Ivana Maranhão (tesoureira suplente). O Conselho Fiscal foi formado por Rodrigo Vargas, Elaine Andrade e Pamela Muramatsu, sendo conselheiros suplentes Priscila Mendes, Francisca Medeiros e Maíza Prioli.

 

 

*Esta matéria do Blog da Bárbara Fontes também contém informações da assessoria.

**Foto de capa/Crédito: Edson Rodrigues

 

 

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