Política Nacional: Sérgio Moro pede demissão

Moro descobriu tarde demais que nunca recebeu de Jair Bolsonaro carta branca para trabalhar no Ministério da Justiça e Segurança Pública

O ex-juiz federal e agora ex-ministro, Sérgio Moro, anunciou sua saída do governo durante coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje (24), em Brasília.

A relação entre Moro e Jair Bolsonaro já não ia bem desde o ano passado por causa das interferências do presidente na Polícia Federal. A gota d’água foi a exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, publicada hoje no Diário Oficial da União, sem a autorização de Moro, apesar de constar a sua assinatura no documento. O Governo alegou que a assinatura de Moro é apenas uma formalidade.

O fato é de que não existiu um pedido [de exoneração] de maneira formal. Sinceramente, eu fui surpreendido e achei que isso foi ofensivo. Para mim esse último ato é sinalização de que o presidente Jair Bolsonaro me quer fora do cargo.” (Sérgio Moro)

Segundo Moro não houve uma justificativa plausível para a demissão de Valeixo. Pontuou também que o presidente da República havia lhe dado carta branca para trabalhar no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Assegurou que a PF precisa de autonomia na condução das investigações sem interferência política.

Moro lembrou que desde 2014, por meio da Operação Lava-jato sempre houve preocupação constante de uma interferência do executivo nos trabalhos de investigação, e mesmo sob o governo petista, alvo direto da maior operação de combate à corrupção, a Polícia Federal atuou com autonomia.

Eu disse ao presidente que não tenho nenhum problema em trocar o diretor-geral da Polícia Federal, mas eu preciso de uma causa relacionada à uma insuficiência de desempenho ou um erro grave. O que eu vi durante todo esse período é um trabalho bem feito do diretor-geral, com várias operações de combate ao crime organizado e de combate à corrupção relevantes.”

Moro atuava no Ministério da Justiça e Segurança Pública desde o início do Governo Bolsonaro. Sobre o futuro, ele afirmou que vai procurar emprego e que não enriqueceu no serviço público enquanto magistrado ou ministro. “Independente de onde eu esteja sempre vou estar à disposição do país”, finaliza.

(Matéria exclusiva do BBF)

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