campanha contra a violência mulheres

Ser mulher em tempos de cólera

campanha Não à violência contra as mulheres
Divulgação

Tristes tempos! Vivemos num mundo com muita tecnologia e avanços em diversos campos do conhecimento (científico, político e social), porém, ainda testemunhamos atitudes covardes e banais que levam mulheres à morte. Nunca se matou tantas mulheres – donas de casa, estudantes, crianças, adolescentes, profissionais liberais, servidoras públicas, missionárias, ativistas e políticas – no Brasil! Algumas conseguem destaques nos veículos de comunicação e nas plataformas digitais, outras, se tornam apenas parte de um número assustador. Em alguns casos, a justiça chega, em outros, a impunidade persiste. E não basta apenas matar a mulher, a crueldade humana chegou às redes sociais, por meio de notícias e perfis falsos (ou hackeados) que buscam desmoralizar a vítima.

 

Ser mulher nunca foi fácil

Desde que o mundo é habitado por seres humanos, a mulher “paga o pato” por ter nascido mulher. Na religião e na mitologia, temos como exemplos Lilith, Eva e Pandora, a primeira foi rebelde à Deus e a Adão, e a segunda, boazinha até comer a maçã oferecida pela serpente.

 

acessado em http://greekmythology.wikia.com
A Caixa de Pandora

A terceira, criação de Zeus, chegou à Terra carregando uma caixa que jamais poderia ser aberta e abriu por curiosidade, espalhando pelo planeta todos os males do mundo e, um único dom: a esperança. Essas três mulheres têm em comum, a responsabilidade (segundo os homens) pelas desgraças humanas, e, no decorrer História, as mulheres continuaram a levar culpas de muitas coisas. Até hoje, né? Lembrei de um caso de uma mulher brutalmente assassinada pelo ex namorado, e muitas pessoas a culparam por não ter escolhido um homem melhor!

 

A História relata que muitas civilizações antigas, ofereciam mulheres para sacrifícios porque acreditavam que os deuses ficariam felizes e calmos. Quando Pedro Álvares Cabral desembarcou em terras tupi-guarani, o machismo veio junto e, muitas índias foram estupradas, escravizadas e assassinadas. quadro do pintor Rugendas, 1825Séculos depois, muitas escravas negras se tornavam objetos sexuais nas mãos de seus senhorios; as que negavam ou tentavam fugir, eram torturadas e mortas. Muitas mulheres brancas, de boas famílias, criadas para casarem e gerar muitos filhos, também eram tratadas como objetos e tinham de aguentar caladas as traições do marido. E ai daquelas que ousavam levantar a cabeça e reclamar: tomavam um grande tapa na cara (quando não morriam).

 

Não afirmo aqui que as mulheres sejam anjos, livres de coisas erradas e sem maldades – há mulheres más, traiçoeiras e assassinas cruéis – e a justiça deve resolver isso. O que eu me refiro neste artigo é que a História nos mostra, a diferença como o homem e a mulher foram criados: enquanto o rapaz é incentivado a desbravar o mundo e a ser “macho” (e conhecer sexualmente mulheres antes de se casar), a menina, quase sempre, era incentivada a montar o enxoval e rezar para ter um bom casamento e ventre saudável para gerar bebês. As mocinhas rebeldes recebiam severos castigos e punições de seus pais ou tutores (poderiam até ser levadas à força para um convento) e, depois de casadas, eram “corrigidas” por seus maridos.

 

Há civilizações onde a mulher sempre teve um papel fundamental e respeitoso, porém, mesmo assim, as liberdades dadas aos homens desde a tenra idade, não foram dadas às mulheres. Isso é fato.

pintura sobre o martírio de Joana D'Arc
O martírio de Joana D’Arc

Houve um tempo sombrio em que a sabedoria e o sexto sentido de uma mulher, a levava para a fogueira sob acusação de bruxaria! Mesmo com o advento do Feminismo e das inúmeras conquistas que as mulheres conseguiram após muitas lutas, há muito o que melhorar. Em pleno século XXI, onde o acesso à informação é muito mais fácil do que no início do século XX, ainda temos, infelizmente, comportamentos machistas dignos dos tempos da caverna. O sentimento de posse, a negação em respeitar a opinião/decisão feminina, o desejo a todo custo de reprimir a liberdade da mulher, são alguns dos motivos que levam homens mal resolvidos consigo mesmos, a matarem. No mundo contemporâneo, mulheres são apedrejadas ou chicoteadas, por motivos fúteis, publicamente em muitos países do Oriente Médio – isso quando não são sequestradas por grupos terroristas e vendidas como escravas sexuais. Hoje, enquanto você lê este artigo, mulheres brasileiras estão sofrendo algum tipo de abuso – seja dentro do lar, no trabalho, na rua ou no caminho para a casa. Ao terminar, muitas mulheres, a maioria negra, foram assassinadas.

 

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017

Em 2016, houve 49.497 ocorrências de estupros de mulheres! E uma mulher foi assassinada a cada duas horas, e apenas 621 casos foram classificados como feminicídios – o número está bem abaixo da realidade e demonstra as dificuldades no primeiro ano de implementação da Lei do Feminicídio (na classificação do que é homicídio e o que é feminicídio). Estes são os dados apresentados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

Feminicídio – palavra feia, né? 

divulgação campanha FeminicídioEm março de 2015, foi sancionada a Lei 13.104/2015, a Lei do Feminicídio, tornando-o crime hediondo e com agravantes quando acontece em situações específicas de vulnerabilidade como gravidez, menor de idade, na presença de filhos, etc. Segundo a lei, o feminicídio acontece “quando a agressão envolve violência doméstica e familiar, ou quando evidencia menosprezo ou discriminação à condição de mulher, caracterizando crime por razões de condição do sexo feminino”. Portanto, uma vítima de feminicídio é uma pessoa do sexo feminino, que sofreu agressões intencionais, no âmbito familiar, que causaram lesões ou agravos à saúde que a levou à morte.

 

Mapa da Violência

Em 2015, o Mapa da Violência (Homicídios de Mulheres no Brasil, por Julio Jacobo Waiselfisz) realizou comparação das taxas de homicídio de mulheres (por 100 mil) nas Unidades da Federação em suas respectivas capitais. Entre 1980 e 2013, morreram 106.093 mulheres, sendo que a taxa em 1980 era de 2,3 vítimas de homicídio por 100 mil, e, em 2013, passa para 4,8, gerando um aumento de 111,1%.

Maria da Penha
Maria da Penha

Em 2006 foi sancionada a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340). Segundo o estudo, entre 1980 a 2006 (antes da Lei), o número de homicídios de mulheres foi de 7,6% ao ano. Com a vigência da Lei, o número de homicídios cai para 2,6% e o crescimento das taxas cai para 1,7% ao ano (dados de 2006/2013). No período de 2003 a 2013, apenas cinco Unidades da Federação registraram quedas nas taxas de homicídios: Rondônia, Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Nas 22 UFs restantes, no mesmo período, as taxas cresceram de forma variada: de 3,1% em Santa Catarina, até 131,3% em Roraima. Essas oscilações se dão por circunstâncias locais, mais que a fatores globais.

 

Em relação a evolução do homicídio de mulheres nas capitais dos estados, entre 2003 e 2013, as taxas caíram 5,8%, enquanto, as taxas de homicídios das UFs cresceram 8,8%. Segundo o Mapa da Violência, esses números evidenciam um fenômeno já detectado em mapas anteriores: a interiorização da violência, isto é, os polos dinâmicos da violência letal se deslocam dos municípios de grande porte para municípios de médio porte. As capitais Vitória, Maceió, João Pessoa e Fortaleza são as com taxas mais elevadas (dados de 2013), acima de 10 homicídios por 100 mil mulheres.

 

O Mapa da Violência também aponta a questão da incidência da raça/cor na violência letal: a população negra é vítima prioritária no país. No período de 2003 a 2013, os homicídios de negras aumentam 54,2%, passando de 1.864 (2003) para 2.875 vítimas em 2013. Verificou-se que nos últimos anos, o índice cresceu de forma drástica, enquanto as taxas de homicídios da população branca tendem, historicamente, a cair. Um fato curioso, a partir da vigência da Leia Maria da Penha, o número de vítimas entre as mulheres brancas caiu 2,1%, e aumenta 35,0% entre as negras.

campanha

 

Como as mulheres morrem?

Os dados do Mapa da Violência também apontam os instrumentos ou meios utilizados na agressão que levou à morte da mulher. Apesar de haver controversas, concebe-se que o grau de premeditação do homicídio é indicado pelo meio ou pela forma com que foi feita a agressão: Em 2013, mulheres foram assassinadas por meio de estrangulamento/sufocação (6,1 dos casos), por meio de cortante/penetrante (25,3) e objeto contundente (8,0), indicando maior presença de crimes de ódio ou por motivos fúteis ou banais. A utilização de arma de fogo ocorreu em 48,8 dos casos.

 

Onde elas morrem?

Em 2013, 27,1% dos casos de homicídios de mulheres ocorreram dentro do lar. Mortes em estabelecimento de saúde (25,2 dos casos), e em via pública (31,2).

Homicídios em Mato Grosso

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, entre janeiro a junho de 2017, foram registradas 22.246 ocorrências contra mulheres em todo o Estado, um aumento de 12,5% em comparação ao mesmo período de 2016. Em Cuiabá, o aumento foi de 13,8%.  Segundo o Mapa da Violência (dados de 2015), a taxa de homicídio de mulheres (por 100 mil) em Cuiabá é de 5,8, tornando Mato Grosso o 11º do país.

Na segunda maior cidade do Estado, Várzea Grande, os crimes mais registrados foram os de ameaça com 2.025 casos (2016) e 2.357, em 2017. Em 2016, crimes contra a honra (injúria, calúnia, difamação), foram 1.024 e, no ano seguinte, 1.336. Na Delegacia da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande, em 2016 foram instaurados 800 inquéritos, sendo expedidas 652 medidas protetivas de urgência. Em 2017, 1.017 inquéritos instaurados, com a expedição de 778 pedidos de medidas protéticas de urgência. Por meio da 6º Promotoria de Justiça Criminal de Várzea Grande, o Ministério Público ofereceu em 2016, 386 denúncias. Em 2017 foram 427 denúncias. O Poder Judiciário deferiu em 2017, 196 medidas protetivas de urgência. Infelizmente, os dados apontam um aumento significativo dessas ocorrências em Várzea Grande.

 

Saiba mais:

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017 – acesse aqui

Mapa da Violência – Homicídios de mulheres no Brasil, 2015 – acesse aqui

 

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Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência

O Brasil só perde para a África em números de casos.

A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência foi instituída por meio da Lei 13.798/2019, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 04 de janeiro deste ano. A iniciativa foi proposta pela então senadora Marisa Serrano em 2010, que acrescenta o artigo 8º à Lei 8.069 (Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA). O evento será anual, sempre na semana que incluir o dia 1º de fevereiro.

O objetivo é “disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravides na adolescência”. As ações da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez da Adolescência estão a cargo do poder público, em conjunto com organizações da sociedade civil, e dirigidas prioritariamente ao público adolescente.

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Fachada do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso – CRM-MT. Crédito: Bárbara Fontes.

Para celebrar a importante iniciativa em Mato Grosso, acontece no dia 8 de fevereiro (sexta-feira), às 19h, no auditório do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), a mesa redonda “Gravidez na Adolescência: Compreendendo e Acolhendo para prevenir”.

A programação conta com as seguintes palestras: “Visão epidemiológica atual da gravidez na adolescência”, com o Dr. Luis Menechino, da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT); “O papel da pediatria na prevenção da gravidez”, com a Dra. Alda Elizabeth Azevedo, presidente do Departamento Científico de Adolescência, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP); “Aspectos Obstétricos e contracepção da gravidez”, com a Dra. Zuleide Cabral, da SOGIA-BR, SOMAGO E FEBRASGO; e “Aspectos Legais da contracepção na adolescência”, conduzida pela advogada Helen Rezende, da assessoria jurídica da CRM-MT. O evento é gratuito e aberto ao público.

Segundo dados da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (COVEPI-SES/MT), o estado registrou nos últimos cinco anos cerca de 50 mil casos de gravidez da adolescência (10 a 19 anos). Em 2018, Cuiabá teve o maior índice, com 2.143 nascidos vivos; e a cidade com o menor índice foi São Félix do Araguaia, com 73 casos.

O evento é realizado pelo CRM-MT e conta com o apoio da Sociedade Mato-grossense de Pediatria (SOMAPE), Sociedade Mato-grossense de Ginecologia e Obstetrícia (SOMAGO), Academia de Medicina de Mato Grosso, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), e a Associação Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (SOGIA-BR). Para mais informações: (65) 3612.5400).

 

 

Café da Manhã no CRM-MT

O Blog da Bárbara Fontes participou de um café da manhã no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso, que contou com as presenças das doutoras Hildenete Monteiro Fortes (presidente do CRM-MT), Alda Elizabeth Azevedo, Lúcia Helena Barbosa (Conselheira do CRM-MT), e Zuleide Cabral . Além da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência em Mato Grosso, as doutoras também falaram com a imprensa sobre a situação no país e em Mato Grosso.

A Dra. Alda, que ajudou na elaboração do documento “Prevenção da Gravidez na Adolescência” (da SBP) disse para o Blog que o tema gravidez na adolescência é estudado e debatido há 30 anos, porém, é necessário políticas públicas para Atenção na Saúde Integral ao Adolescente (com pediatras, ginecologistas obstetras, profissionais da Enfermagem e técnicos qualificados), e a instituição de programas específicos para crianças e adolescentes, onde se prevaleça o “protagonismo juvenil”, isto é, “o adolescente falando com o outro adolescente” no que se refere a tudo que envolva a questão sexual (cuidados com o corpo, responsabilidades que surgem com as atividades sexuais e a Educação Sexual nas escolas que vá além do ensino sobre os aparelhos reprodutores e reprodução humana).

A Dra Zuleide Cabral disse que em Mato Grosso “Setenta por cento das adolescentes fazem o parto normal” (humanizado). Entre as idades de 10 a 14, onde o risco gestacional é maior, houve um aumento de 15%, de parto normal. Em Cuiabá, os hospitais públicos Júlio Muller, Santa Helena e o Geral atendem as mães adolescentes e fazem partos humanizados.

 

Brasil “jovem e grávido”

Segundo dados da Unicef e da Organização Mundial de Saúde (OMS), o maior país da América Latina está em 7º lugar entre as maiores taxas de gravidez na adolescência, os seis países abaixo do Brasil estão na África.

O Departamento Científico de Adolescência, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que tem com presidente, a Dra. Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso, elaborou o documento “Prevenção da Gravidez na Adolescência” para a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, onde constata que:

os adolescentes – indivíduos entre 10 e 20 anos incompletos – representam entre 20% e 30% da população mundial, estimando-se que no Brasil essa proporção alcance 23%. Dentre os problemas de saúde nessa faixa etária, a gravidez sobressai em quase todos os países e em especial, nos países em desenvolvimento”.

 

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Foto por Pixabay.

 

São 400 mil casos de gestação na adolescência no país, taxa considerada alta para a América Latina. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2014 nasceram 28.244 filhos de meninas entre 10 e 14 anos, e 534.364 crianças de mães com idades entre 15 e 19 anos. Em 2015, 18% dos nascidos vivos eram filhos de mães adolescentes. Em relação à distribuição demográfica neste período, o Nordeste é a região com maior índice de casos de gravidez na adolescência (32% do total). A região Centro-Oeste teve o menor índice, 8%. Segundo o Departamento Científico de Adolescência os dados são significativos e necessitam de medidas urgentes de planejamento e ações.

 

Principais Fatores

Segundo o documento, há diversos fatores que contribuem para a gestação na adolescência, porém, o principal motivo é “a desinformação sobre sexualidade e sobre direitos sexuais e reprodutivos. Os médicos também apontam que questões emocionais, psicossociais e contextuais também concorrem para a falta de acesso à proteção social e ao sistema de saúde”, além do uso inadequado de contraceptivos. Também há outros fatores como “a falta de um projeto de vida e expectativas de futuro, educação, pobreza, famílias disfuncionais e vulneráveis, abuso de álcool e outras drogas, além de situações de abandono, abuso/violência e a falta de proteção efetiva às crianças e aos adolescentes”.

Estudos comprovam que ficar grávida é o desejo de muitas adolescentes, porém, a gestação nesta fase da vida eleva os riscos de complicações maternas, fetais e neonatais, e também pode acarretar problemas socioeconômicos da nova família que se forma – ainda mais se o pai também for adolescente. Nos casos em que a mãe fica sem amparo do pai da criança (ou da família paterna), as condições psicológicas e financeiras tendem a piorar. O maior índice de casos de gravidez na adolescência no Brasil é entre afrodescendentes, que moram nas periferias e com baixa escolaridade. Também foi constatado o alto índice de mães com menos de 19 anos e que já estão na segunda, terceira ou mais gravidez (geralmente de pais diferentes). Isso é um reflexo da desigualdade social que assola o país há séculos.

 

Prevenir é o melhor caminho

Ainda segundo o documento publicado pela SBP, “um dos mais importantes fatores de prevenção é a educação. Nesse sentido é importante considerar a educação abordando sexualidade e saúde reprodutiva, tanto no meio familiar quanto na escola, com abordagem científica, e nos programas de promoção à saúde. Não apenas quanto aos eventos biológicos, mas em relação ao convívio de respeito entre meninos e meninas, atividades sexuais com responsabilidade e proteção – métodos contraceptivos – principalmente durante a adolescência.

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Foto por Pixabay.

 

A gravidez na adolescência é uma realidade que não pode ficar escondida ou deixada de lado, o país por meio de seus poderes executivo, legislativo e judiciário deve implementar políticas públicas e programas que visam à prevenção e também para os casos confirmados, a manutenção da vida escolar (nos casos onde não há o risco gestacional), ajuda assistencial e financeira para os de baixa renda. Os adolescentes que passam pela gravidez precisam do apoio familiar, do Estado e da sociedade, e sentir que uma criança não é um ponto final em suas vidas, e sim um novo começo cheio de esperanças e oportunidades.

 

*Foto de capa: da esquerda para a direita, as doutoras Zuleide Cabral, Hildenete Monteiro Fortes, Alda Elizabeth Azevedo e Lúcia Helena Barbosa. Crédito: Bárbara Fontes.

Não fuja para a Bolívia

Conheça os três casos mais famosos de fugitivos que se deram mal em terras bolivianas.

 

1967 – La Higuera

 

Segundo relatos da época, um maltrapilho, raquítico, doente e de cabelos e barba compridos não reagiu à ordem de prisão, e de costas para os militares ergueu as duas mãos em rendição. Em vão. Foi alvejado com tiros, caiu morto, e teve as duas mãos decepadas. O homem que parecia Jesus Cristo, segundo os moradores do vilarejo de La Higuera, era o médico argentino, Ernesto Che Guevara, o braço direito e esquerdo de Fidel Castro durante a Revolução Cubana (1953-1959).

Somente em 1997, os restos mortais de uma das 100 personalidades mais importantes do século XX, segundo a revista Time, foram encontrados numa cova em Vallegrande, 50 km de La Higuera. Eu estava na Bolívia naquele épico momento, e havia jornalistas de várias partes do mundo, familiares de Che e representantes do governo cubano. Havia muita euforia. Um dos filhos de Che, ministrou uma palestra na Universidade de Cochabamba. Na ocasião, eu ganhei de presente uma réplica de um quadro pintado pelo irmão de Che, onde há um poema. Tenho até hoje. Atualmente, os restos mortais e as mãos de Che estão enterrados em um mausoléu em Santa Clara, em Cuba.

 

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Este poster de Che, que ganhei de presente na Bolívia, me acompanha há 20 anos. Até para a Suécia, ele já foi!

 

Falar de Che sempre será polêmico e dividirá opiniões. Sempre haverá o famoso relatório da CIA que o apresenta como um assassino impiedoso e terrorista perigoso. Sempre haverá a história de um cara que viajou por todo o continente sul-americano e viu com os próprios olhos a dura vida de campesinos e trabalhadores. Ele viu a miséria e a opressão dos governos locais – servos das grandes potências mundiais. A luta armada, naquele cenário político em que se encontrava a América Latina, era a única solução para os que não aceitavam os governos ditatoriais. E sempre haverá um fato inquestionável: Che foi morto sem o direito de um julgamento justo. Ao matar Che pelas costas, no fatídico dia 8 de outubro de 1967 – um homem que já estava à beira da morte -, os militares bolivianos e a própria CIA, o tornaram imortal.

 

Em 2013, eu ministrava aulas de Espanhol e tive um aluno – um senhor que me contou uma história intrigante: ele conheceu Che Guevara em Cáceres, quando este seguia para a Bolívia na década de 1960. Também é de conhecimento público, o depoimento do professor Carlos Jorge Reiners (já falecido) sobre a passagem de Che em Mato Grosso. É bem provável que ele chegou à Bolívia por Mato Grosso.

 

 

1972 – Em algum lugar do Altiplano

Se havia algo mais odioso do que Hitler (já declarado morto), no final da Segunda Guerra Mundial, eram os nazistas que conseguiram escapar das tropas aliadas. Muitos vieram para a América Latina porque tinham muitos ‘fãs’ que ocupavam cargos importantes nos governos. Enquanto o ‘anjo da morte de Auschwitz’, Josef Mengele, vivia a sua liberdade no litoral de Bertioga, em São Paulo, Brasil; outro filho do capeta vivia nos trópicos bolivianos: Klaus ‘Barbie’ Altmann.

 

Os dias do oficial nazista na Bolívia começaram a ter um fim, a partir da publicação de uma série de reportagens do jornalista Ewaldo Dantas Ferreira, no Jornal  da Tarde (entre 1972/73).  O paradeiro do nazista conhecido como ‘o carrasco de Lyon’ (também tinha o ‘apelido carinhoso’ de ‘o açougueiro de Lyon’) finalmente havia sido confirmado. Para quem não faz a mínima ideia de quem era Barbie, é importante dizer que ele odiava crianças judias (Anne Frank foi para Holanda para fugir do nazista). Ah, ele também tinha um ódio mortal do líder da Resistência Francesa, Jean Moulin. Após a traição de um ‘amigo’, Moulin foi preso e torturado pessoalmente pelo chefe da Gestapo (polícia secreta alemã), e não resistiu aos ferimentos. O nazista considerava essa morte como um prêmio.

 

Ewaldo foi o primeiro jornalista a entrevistar Barbie na Bolívia por pura sorte do destino. Segundo uma entrevista do jornalista, na época com 81 anos, concedida à revista ‘Problemas Brasileiros’, de março de 2007, a série de reportagens sobre o ‘açougueiro de Lyon’ surgiu após o jornal francês “L’Aurore”, em 1972, publicou que que havia uma suspeita de que o nazista vivia na Bolívia como um comerciante abastado e de muitos contatos com membros do alto escalão do governo. A informação levou os maiores veículos de comunicação do mundo a enviarem os seus  jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas até o país sul-americano em busca de umas das maiores entrevistas do século XX.

 

Barbie, que até então vivia tranquilamente, foge do local porque tinha medo de ser assassinado ou sequestrado. É nessa fuga cinematográfica em que o jornalista brasileiro enviado por “O Estado de S. Paulo” encontra a grande chance da sua vida profissional: foge junto com o nazista num fusquinha pelo altiplano boliviano. Conversa vai e conversa vem, e entrevistas surgem: “Uma grande aventura, trabalhando à noite, fugindo de madrugada e ouvindo as revelações de um homem que matara milhares de pessoas, mas continuava convicto do trabalho que fizera”. (revista Problemas Brasileiros, março de 2007.)

Quando o jornalista brasileiro conseguiu entrevistá-lo, Klaus Barbie já estava condenado à morte (foi julgado e condenado à revelia) e foragido na Bolívia. Durante a entrevista, o nazista defende os seus atos na Segunda Guerra Mundial (para ele, não há nada de ilícito). No seu julgamento na França, ele se considerou ‘inocente’, e disse que não matou judeus, e sim, matou muitas pessoas que lutavam contra a ocupação nazista na França  (ele era o comandante da repressão à Resistência Francesa). Barbie era procurado por todo o mundo, e as reportagens de Ewaldo Dantas Ferreira deram um ponto final à caçada ao nazista. O jornalista também deu uma aula de jornalismo ao mundo quando se recusou a dizer como descobriu o paradeiro de Klaus, mantendo as suas fontes em segredo.

No dia seguinte à publicação do primeiro capítulo da série, o governo francês pediu a extradição do nazista ao governo boliviano (que negou a autenticidade da entrevista). O jornalista teve o cuidado de fazer com que Klaus Barbie assinasse todas as páginas datilografadas do depoimento. Em janeiro de 1983 (dez anos depois da publicação da entrevista), Barbie é preso na Bolívia e extraditado para a França onde foi julgado e condenado à prisão perpétua. Morreu de câncer na prisão em 1991.

 

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Em 1987, Klaus Barbie (algemado) é julgado e condenado num tribunal na França, por crimes contra a humanidade. Reprodução.

A série de reportagens foram reunidas no livro ‘Depoimento do SS Barbie=Altmann’. Eu era bem menina quando li esse livro pela primeira vez. Reli outras vezes e sempre me emociono. É um dos livros de não-ficção mais chocantes que já li.  A obra foi relançada em 2003. Bons tempos do jornalismo investigativo!

 

 

2019 – Santa Cruz de La Sierra

Ainda não havia anoitecido, quando um senhor de meia idade, de bigode, cavanhaque e cabelos pintados, caminhava tranquilamente por uma rua movimentada de Santa Cruz de La Sierra. Antes de chegar ao seu destino, esse senhor é abordado por policiais, e sem reagir, levanta as mãos e depois se ajoelha. Imediatamente é levado para dentro de uma van branca, seguida por outros carros com policiais que participavam da abordagem. A movimentação chama a atenção das pessoas que testemunham uma cena de filme hollywoodiano. E não era para menos, o senhor com a cara engraçada (disfarce) é Cesare Battisti, 64 anos – considerado terrorista para a polícia e o governo italianos -, condenado à prisão perpétua na década de 1970, por quatro assassinatos.

 

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Cesare Battisti (sentado) durante a viagem Santa Cruz de la Sierra-Roma. Ele segue ao destino que tentou fugir por 38 anos: a prisão perpétua. Crédito: Polícia Italiana

Battisti era ex-membro do Proletários Armados pelo Comunismo PAC). Apesar de dizer que não era assassino e sim um perseguido político, há provas contundentes de que matou e também feriu pessoas. Os crimes aconteceram durante os assaltos para subsidiar as ações e a sobrevivência grupo. Antes de se tornar comunista, Battisti já tinha passagens pela polícia por bandidagem.

 

Em 2004, Battisti entra no Brasil depois que viver foragido na França e no México, Em 2010, ele recebe um presente do presidente Lula, que em seu último dia de mandato nega a sua extradição, o que permite ao italiano uma vida livre no litoral paulista. Em dezembro de 2018, o presidente Michel Temer, que também estava em final de mandato, autoriza a extradição. Battisti foge de casa e segue um roteiro ainda não esclarecido, e que tem como destino a Bolívia. Após uma ação conjunta entre as polícias do Brasil, da Bolívia e da Itália, Cesare Battisti dá adeus à liberdade e embarca para Roma – sem passar pelo espaço aéreo brasileiro. Da capital italiana, o prisioneiro seguiu para a temida prisão ‘Cárcere de Oristano’, onde terá como companhia os mafiosos mais perigosos do país. A penitenciária de Segurança Máxima fica na Sardenha, uma ilha circundada pelo mar Mediterrâneo, e região autônoma da Itália.

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Fachada do Cárcere Oristano, na Sardenha. O novo lar de Cesare Battisti. Crédito: Il Messaggero.

trabalho de foto-art de Bárbara Fontes

O Amor!

 O AMOR é o BEM na sua essência. O AMOR não é destruidor. O AMOR não é o MAL.

 

Quem diz que ama alguém só será digno de dizê-lo, se desejar o bem para a pessoa amada. Desejar o bem não é quando está junto e naquele romance todo, onde os olhos veem tudo mais colorido e tolerável.
Você descobre que ama alguém de verdade é na separação. Mas não é quando você se encontra no estágio de negação do rompimento do relacionamento. Não…não…isso não é amor, é orgulho ferido.
Não é quando você se encontra no estágio de culpa e tentar fazer de tudo pra reparar as coisas, ou querer reconquistar a pessoa todo custo – dizendo (ou escrevendo) para ela  (e) que tudo vai ser diferente dessa vez. Não…não, isso não é amor, é obsessão.
Não é quando você se desespera ao saber que a pessoa está com outra e pelo jeito ‘vai bem e obrigada’, e vai tentar fazer de tudo para atrapalhar (porque colocou na sua cabeça que ‘só você’ poderá fazer a pessoa feliz, e que está no seu direito de lutar para ter seu amor de volta). Não…não isso não é amor, é desrespeito.
Amor não é quando você se revolta e fica com mágoa da pessoa (principalmente, se você acha que ela te dá falsas esperanças do tipo: ainda não se desligou completamente de você, mas não termina com a outra pessoa, entende?), e você diz (ou escreve) coisas idiotas, amargas e rancorosas (e se arrepende depois, claro!). Não…não isso não é amor, é egoísmo.

AMOR é…

Quando numa noite de céu com poucas nuvens escuras e, ainda sim estrelado, com uma linda e iluminada lua crescente querendo virar ‘cheia’, você decide conversar com DEUS. Conversa sincera, doída e chorosa, você começa o estágio do autoconhecimento: encara a situação – a verdade nua e crua.

 

Na teimosia, tão inerente aos mortais, imagina que ainda é possível elaborar um plano (dessa vez infalível) pra convencer a pessoa ‘amada’ de que ela é a sua ‘alma-gêmea’. Negocia com DEUS para lhe ajudar nessa tarefa, e fica inconformado (a) porque DEUS disse um belo NÃO bem na sua cara (e ainda acha que DEUS não te ouviu direito, afinal, você só tem boas intenções – que custa ajudar, pô!!!).

 

A resposta de DEUS é bem outra, aquela que você não quer ouvir, porém, é uma mensagem profunda e verdadeira, que toca o seu coração, e aí sim, você está no estágio de aceitação e como num ritual fúnebre, você se despede da pessoa ‘amada’ e a entrega nas mãos de DEUS, dizendo bem baixinho: Cuida dela, tá? Então, você a deixa partir, para que ela siga o caminho necessário para a sua evolução espiritual e físico. Agora, você se encontra no estágio do desapego. Você a liberta, e se liberta!

 

Finalmente, está pronto (a) para seguir adiante, com novos planos e sem rancor na alma. Tem prova maior de amor do que aceitar que o outro siga seu destino na paz e na felicidade? Isso é o BEM e sim..sim…isso é AMOR.

 

Nada como o TEMPO

O tempo passará, feridas se fecharão, novas experiências acontecerão, e o que tiver de ser, será. E, se realmente, essa pessoa, que você amou tanto, for o seu destino, ela voltará para que vivenciem um relacionamento mais amadurecido, saudável e equilibrado. Numa relação amorosa, as duas pessoas precisam estar conectadas, e ninguém deve amar demais ou amar de menos. É preciso amar por igual, porque o ato de amar não é competição.
(Bárbara Fontes in ‘O AMOR’ – Projeto de Poetisa – numa manhã de outono de 06 de abril de 2014). Republicação especial para o Blog da Bárbara Fontes.

Tá chegando o verão…

Um calor no coração…

Eu não faço a mínima ideia do que será este Verão, já que a Primavera passou a perna na estação mais quente do ano, e deixou o país com um calor insuportável e histórico! Eu achei que a região Sul e Sudeste fossem pegar fogo!

Oficialmente, o verão iniciou em 21 de dezembro, às 20h22 (horário de Brasília) – também chamado de solstício de verão. Aqui, em Mato Grosso, o verão nunca foi embora! Tivemos alguns momentos deliciosos de friozinho…mas foi tudo ilusão! A experiência que temos de frio é o ar-condicionado no máximo, apesar de que esses dias parece que não gela muito bem. A verdade é que está muito quente fora de casa e dentro, a sensação térmica é um horror! Ontem mesmo, eu vivenciei o seguinte: era bem tarde da noite quando saí do quarto refrigerado, e ao abrir a porta que dá acesso ao corredor, eu senti um bafo quente, muito quente, parecia uma sauna! Fico imaginando quem não tem ar ou um bom ventilador! Não é mais possível sentir a brisa noturna com a janela aberta.

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Foto-art by Bárbara Fontes

“Tá quente, tá muito quente!”

 

“Toc…Toc…

– Quem bate?

– É o VERÃO!

– Não ‘tô’ em casa não!”

 

Tudo pode acontecer no verão! Pode chover pra caramba e deixar o clima abafado. Pode fazer muito calor ao ponto de alguém morrer. Problemas respiratórios e circulatórios também podem ocorrer. E para rechear tudo isso, estamos em período de férias! Casa cheia, muita bagunça e o mal-humor pode ir parar na galáxia vizinha! Não vai adiantar se irritar – os problemas ainda estarão por lá e o calor também!

Então, a hora é: beber muita, muita, muita (e multiplique essa “muita”, 10 vezes!) água! Tenha o objetivo de beber líquidos, pelo menos 3 litros diariamente. Se não tem o costume de beber água – então passe a beber! O seu corpo, principalmente os seus rins, agradecem! Coma alimentos leves sempre que possível. Coma frutas! Use protetor solar todo o santo dia. E saia de casa para passear nos horários em que o sol não está a pino. Busque locais onde há natureza abundante como os parques públicos. Caminhe todos os dias – se não tem o hábito, caminhe por alguns minutos e com o decorrer dos dias, aumente o tempo de caminhada. É um exercício barato e muito saudável. Não esqueça de se hidratar.

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Bendita água!!! Foto-art by Bárbara Fontes, 2014.

 

 

O verão é um fato consumado! Não adianta reclamar! O jeito é aceitar e buscar viver da melhor forma possível a estação mais iluminada, alegre e bonita do ano! Agradeça por viver mais um dia. A gratidão torna a nossa vida mais leve, serena e feliz!

Bom verão!

O físico Stephen Hawking no Os Simpsons

Stephen Hawking é POP!

Conheça a vida do físico que viveu muito além da Física

 

o físico inglês Stephen Hawking
wikipedia

O físico inglês Stephen Hawking, falecido no dia 14 de março deste ano, na cidade de Cambridge, Inglaterra, recebeu – e ainda receberá, quando eu e você não mais existirem – todas as homenagens possíveis advindas de quase todos os pontos geográficos do planeta. Afinal, ele é o maior cientista de todos os tempos, ao lado de Albert Einstein (Hawking morreu no dia de nascimento do descobridor da “Relatividade”) e Galileu Galilei (Hawking nasceu em Oxford, em 8 de janeiro de 1942, 300 anos depois, do nascimento do precursor da “Revolução Científica”).

Stephen Hawking fez mais em 76 anos de vida, do que a maioria de nós farão, mesmo se vivêssemos por 100 anos! Portador de uma rara doença degenerativa, esclerose lateral amiotrófica, ele deveria viver, segundo a medicina, até os 21 anos. Como Shakespeare já dizia: “há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar“; existe razões que vão além do conhecimento científico – se Hawking não fosse ateu, poderia até acreditar que Deus lhe enviou à Terra para cumprir uma missão. Entravado numa cadeira de rodas especial, formou-se em Oxorfd, depois, tornou-se doutor em Cosmologia pela Universidade de Cambridge, onde também era professor. A doença paralisou os músculos do corpo, porém, suas funções cerebrais não foram atingidas. Enquanto muita gente reclama de dor nas costas (tipo eu), Hawking era a superação em pessoa, um verdadeiro superman, e não deixou de estudar, pesquisar, questionar, ironizar, buscar respostas e provocar novas dúvidas sobre a origem do universo.  

Durante uma viagem ao CERN, na Suiça, em 1985, Hawking teve uma grave pneumonia e por pouco não desligaram o respirador artificial que o mantinha vivo. Dando mais uma vez “uma rasteira ninja” no destino, ele sobreviveu! Mais um desafio vencido, porém, após uma traqueostomia, teve como sequela a perda das cordas vocais. Mudo, só voltar a se comunicar após se conectar a um computador com um sintetizador, por isso, que a voz dele se parecia com a de um robô.

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Crédito: Storieo

Quem poderia imaginar que um homem com tantas limitações físicas poderia produzir conhecimentos que mudariam a forma de enxergar (e estudar) o universo? Pois bem, Stephen Hawking teve inúmeras contribuições nos campos da cosmologia teórica e gravidade quântica, entre elas, Os teoremas da singularidade (sua tese de doutorado, onde se propõe o início de tudo, ou seja, o Big Bang); Relatividade Geral (desdobramento da teoria geométrica publicada por Einstein); Buracos de Minhoca (estudo sobre buracos negros, onde o físico descobriu a  “Radiação Hawking”); e a Inflação Cósmica (Hawking sugere que o universo se criou sozinho, sem nenhuma divindade ajudando, e, após o Big Bang, o universo passou por uma intensa inflação). Stephen Hawking foi homenageado por cientistas que descobriram um corpo rochoso espacial e o batizaram de “asteróide 7672 Hawking”.

O Hawking é POP!

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Hawking numa palestra, mostrando a sua participação no Os Simpsons (foto: The Guardian)

 

Stephen Hawking conseguiu uma grande proeza: popularizar a física (considerado um assunto muito chato) e a figura do cientista, ao adentrar, com muito humor, na cultura pop, participando de filmes, séries, comerciais de TV entre outros. Confira abaixo:

 

 

Séries de TV

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*Star Treck – A Nova Geração (1993) – 6º Temporada. Episódio 26 (O descendente – Parte 1): O comandante Data joga poker com os hologramas de Hawking, Sir Isaac Newton e Albert Einstein.

 

 

 

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*The Big Bang Theory (vários episódios) – Hawking protagonizou momentos hilários ao lado dos físicos teóricos Sheldon Cooper e Leornard Hofstadter; do engenheiro aeroespacial, Howard Wolowitz; e o astrofísico indiano, Rajesh Koothrappali – os nerds da aclamada e premiada série de TV estadunidense “The Big Bang Theory” (que segue em sua 11º temporada). Hawking é por diversas vezes citado na série, porém, a sua primeira aparição  se dá na quinta temporada, no episódio 21 (“A excitação de Hawking”), Howard é contratado para arrumar a cadeira de rodas do físico famoso, e Sheldon faz de tudo para conhecer o seu maior ídolo. Na sexta temporada, episódio 06 (“O extrato da eliminação”), Sheldon participa de um jogo online com Hawking. A relação próxima do físico com a série The Big Bang Theory, é devido ao tema da física ser o mote principal, consequentemente, os campos estudados (e as suas teorias) são popularizadas no decorrer da série, tornando o tema leve e de fácil compreensão. Hawking até gostaria de ter participado de mais episódios, porém, sua saúde frágil não o permitiu. No dia de sua morte, houve várias manifestações do elenco nas redes sociais, com citações à sua mente brilhante, suas contribuições à ciência, e ao seu senso de humor demonstrado durante as suas participações na série. A última participação de Hawking foi em 2017, na décima temporada.

Música

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Crédito: Pink Floyd

*Pink Floyd – disco The Division Bell (1994):  A voz sintetizada de Hawking faz parte canção Keep Talking, da lendária banda Pink Floyd. A ideia de inserir a voz foi do guitarrista da Banda, David Gilmour, depois de assistir a um comercial de TV, da British Telecom, comprou os direitos autorais. Sua voz também foi inserida no último álbum da banda, em 2014.

 

Animação

Muito bacana as participações de Stephen Hawking em desenhos animados!

 

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Homenagem da Fox

Os Simpsons (vários episódios) – Em 1999, no episódio “Salvando o cérebro da Lisa”, foi o primeiro de muitas e muitas participações de Hawking na série Os Simpsons. Ele era tão querido pelos produtores, que recebeu uma linda homenagem dias após do seu falecimento. O episódio foi ao ar no dia 17 de março, onde físico inglês apareceu em sua cadeira de rodas, com hélices de helicóptero, com Lisa Simpson em seu colo, voando pelo céu de Springsfield.

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Futurama (vários episódios) – Sua primeira aparição foi em 2.000. Futurama era um dos desenhos que Hawking mais gostava de assistir.

 

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Laboratório de Dexter (1997. Episódio: Quem é o professor Hawk?) – O personagem professor Hawk é uma homenagem ao físico. 

 

 

 

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Os padrinhos mágicos (2005/2006. 5º Temporada. Episódio 8: Remy volta atacar) –   Hawking é contratado por Remy para provar uma teoria de Timmy, de que 2+2=5.

 

 

 

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Dilbert (1999, 1º Temporada. Episódio 13) – O desenho faz um referência a Hawking.

 

 

Cinema

Monty Python (1983) – Considerado o maior grupo de humor do Reino Unido, o Monty Python contou com a participação de Hawking em dois momentos: cantando a música Galaxy Song, e dando depoimento no documentário sobre o grupo.

Super-Herói – O filme (2008) – Hawking faz participação nesta paródia sobre filmes de super-heróis.

A Teoria de Tudo (2015 – homenagem) – baseado no livro “Minha vida com Stephen”, de sua ex-esposa, Jane Hawking.Belo e premiado filme sobre a vida e o trabalho de Hawking. O ator Eddie Redmayne, que encarna Hawking, recebeu o Oscar de Melhor Ator).

Obras publicadas

Uma breve história do tempo, 1988 – Retrata a origem do universo por meio de uma linguagem simples e bem-humorada. Livro escrito tanto para especialistas quanto para leigos.

Buracos Negros, universos bebês e outros ensaios, 1993.

O universo numa casca de noz, 2001. Em parceria com Leonard Mlodinow.

A teoria de tudo – A origem, 2002

O grande projeto, 2010

A minha breve história (autobiográfico), 2013

*Na literatura infantil, escreveu com a filha, Lucy Hawking, em 2007, o livro “George e o Segredo do Universo”, que teve mais duas continuações.

Fontes pesquisadas: Stephen Hawking: A biography/University of Cambridge/Youtube/Wikipedias inglesa/brasileira

ENEM 2018 – Dados da grande maratona!

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) deste ano completou 20 anos de existência. Não é apenas uma prova para testar os conhecimentos adquiridos ao longo do Ensino Médio, é uma maratona física e mental. No primeiro dia (domingo, 4 de novembro) de aplicação da prova foram cinco horas para responder todas as questões de Linguagens, Redação e Ciências Humanas. No segundo e último dia (domingo, 11 de novembro), os participantes tiveram 5 horas e meia para resolver as questões de Matemática e de Ciências da Natureza.

Algumas questões das provas foram marcadas por polêmicas, reclamações e elogios. A maior das polêmicas foi a questão “Acuenda o Pajubá”: conheça o “dialeto secreto” utilizado por gays e travestis. Eu fiz o Enem e posso dizer com muita segurança que na primeira leitura, eu ri muito e fiquei pensando sobre o motivo de cair uma questão dessa. Não é preconceito da minha parte, e sim de curiosidade já que se refere a um “dialeto secreto”, segundo a própria questão. Quando li as alternativas, compreendi que o texto serve como um exemplo. O Enem não quer saber se o participante conhece a realidade do “Acuenda o Pajubá” e nem está incentivando a garotada a ir para os pontos de prostituição de gays e travestis. Na verdade, quer saber o quanto se conhece sobre a formação de um dialeto. É um tipo que questão que distrai muito, há o risco de perder tempo e não conseguir terminar a prova.

A Redação foi muito elogiada pela escolha do tema “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. É assunto bem atual e que, de certa forma, atinge a todas as pessoas que utilizam a rede de alcance mundial (world wide web). Segundo a presidente do Enem, Maria Inês Fini:

As provas do primeiro dia e o tema da Redação falam diretamente com a realidade dos participantes. Esperamos que eles manifestem suas crenças e valores no texto”.

O Enem exige conhecimentos que vão além do que se aprende no Ensino Médio. É necessário ter o hábito de leitura de livros, jornais e revistas; acompanhar sites de notícias, de Educação e de Entretenimento; observar as campanhas publicitárias; assistir programas de TVs (aberta e fechada), enfim, ser uma pessoa “antenada” com o que acontece no Brasil e no mundo.  É necessário possuir um “capital cultural”, termo criado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu.

 

Resultados do ENEM 2018

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Os dados foram apresentados durante as duas coletivas de imprensa realizadas no auditório do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em Brasília (DF), após os términos das provas em todo país. Participaram das coletivas, o Ministro da Educação (MEC), Mendonça Filho; a Secretária Executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro; e a presidente do Inep (e idealizadora do Enem), Maria Inês Fini:

1º Domingo de Prova – Linguagens, Códigos e suas tecnologias e Redação

Segundo o Inep, o Enem deste ano registrou o menor percentual de ausentes desde 2009, quando passou a ter dois dias de aplicação – 24,9% (dos 5.513.749 inscritos confirmados, faltaram 1.374.430).

*Foram registrados 87 casos de interrupção de energia elétrica, porém, apenas dois locais tiveram a aplicação da prova interrompida (em Franca/SP e Porto Nacional (TO).

*71 participantes foram eliminados: sendo 67 por descumprimento de regras gerais do Edital; dois por problemas após revista no detector de metal; e dois por uso de ponto eletrônico.

 

2º Domingo de Prova – Ciências da Natureza e suas tecnologias e Matemática e suas tecnologias

*29,2% dos inscritos não compareceram. O índice de abstenção foi maior do que no primeiro domingo de prova. Pode ser pelo fato de muitos participantes terem ido mal na primeira prova, principalmente na Redação, e não quiseram dar continuidade.

*Foi acrescido 30 minutos a mais para que os participantes realizassem as provas. Segundo professores de exatas, esse tempo foi fundamental para que algumas questões pudessem ser resolvidas. Para eles, haviam questões muito difíceis.

*66 candidatos foram eliminados: sendo 64 por descumprirem as regras gerais, como sair antes do horário permitido; uma pessoa foi flagrada na revista do detector de metal; e uma pessoa se recusou a recolher dados biométricos.

* 28 emergências médicas.

Segundo o Inep, as provas do Enem foram aplicadas em 10.718 locais de aplicação, em 1.725 municípios de todo o país.

 

Perfil do Participante do Enem

Segundo o Inep, dos 5.513.749 inscritos confirmados do Enem, 36,6% pertencem à região Sudeste; 32,8% do Nordeste; 8,5% do Centro-Oeste; 11,2% do Norte; e 11% da região Sul.

 

Em relação à etnia:

Amarela – 2,2%; Branca – 35,9%; Indígena – 0,6%; Parda – 46,5%; Preta – 12,7%. Os que não declaram etnia são 2,1%.

Mais da metade dos participantes são mulheres (59,1%); homens (49,9%). Os inscritos que já concluíram o Ensino Médio, são 58,7%. Os que ainda cursam o último ano em 2018, são 29,7%. Os treineiros (que não disputam vagas nas universidades) representam 10,6% dos inscritos.

 

Pagamento e Isenção de taxa de inscrição:

Declaração de carência aprovada: 38,9%

Inscrição gratuita: 24,9%

Pagamento confirmado: 36,1%

 

Faltas que causam prejuízos aos cofres públicos

cadernoEnem_Easy-Resize.comO ENEM é um exame que recebe investimentos altos em segurança. Cada caderno de prova vem com o nome do candidato e código de barras, assim como o todo o material que envolve o participante. Foram mais de cinco milhões de inscritos e cada um recebeu materiais que só serviriam para si. Entre 2013 a 2017, as ausência levaram a um prejuízo de quase 1 bilhão de reais. No Enem de 2017, os faltosos que receberam isenção, apenas dois por cento justificaram a ausência. Analisando essa séria realidade que acontece todos os anos, o Inep tomou algumas decisões que ajudaram o índice de abstenção ser menor esse ano, como explicou a presidente do Inep, Maria Inês Fini, durante a coletiva de imprensa do dia 11 de novembro: “no caso das inscrições gratuitas, os faltosos terão de justificar a ausência”. Quem desse grupo não justificar não poderá receber o benefício novamente. A população que paga caro para que o ENEM aconteça, agradece!

 

Quem vai fazer o Enem no dia 11 de dezembro?

No primeiro dia de aplicação do Enem, alguns locais ficaram sem energia elétrica. Os participantes afetados foram orientados a comparecer às provas do dia 11 de novembro. Dois locais foram prejudicados: um em Franca (SP), com 993 participantes; e outro em Porto Nacional (TO), com 759 participantes.

 

Questão Anulada

Uma questão da prova de Matemática e suas Tecnologias foi anulada porque já havia sido aplicada em vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O MEC instaurou sindicância para apurar as responsabilidades. Em cada caderno da prova, a questão estava com numeração diferente:

Caderno Amarelo – questão 150; Caderno Cinza – questão 170; Caderno Azul – questão 163; Caderno Rosa – questão 180; Caderno Laranja – questão 150; Caderno Verde – questão 150.

 

Gabarito disponível!

Está disponível no site do Enem (também no Aplicativo do Enem), o gabarito oficial. É possível fazer download dos Cadernos de Questões (versões amarelo, cinza, azul, rosa, laranja e verde). São seis gabaritos por dia de prova.

ATENÇÃO: Confira o gabarito relativo à cor da prova que fez em cada domingo de aplicação.  Acesse aqui o site do Enem aqui.

 

Divulgação dos resultados

Está previsto para o dia 18 de janeiro de 2019, os resultados individuais do Enem 2018.

*Foto de capa: campus da Univag (Várzea Grande) – local de aplicação do Enem. Os dois dias de provas foram tranquilos, bem organizado e sem contratempos.