Ações da PM-MT

Polícia Militar de Mato Grosso apresenta à imprensa, os resultados das ações e operações realizadas no primeiro trimestre deste ano.

PMMT_cafédamanhajornalistas3_Easy-Resize.comEvento realizado no 1º Comando Geral da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (PM-MT) no dia 12 de abril, reuniu jornalistas de diversos veículos de comunicação para um café da manhã que também celebrou o Dia do Jornalista (07/04). O período também marca os cem primeiros dias do governo Mauro Mendes.

Um dos êxitos apontados pelo Coronel da PM-MT, Jonildo José de Assis (Cel. Assis) foi a Operação Carnaval que proporcionou aos foliões um período festivo sem nenhum incidente nos locais onde haviam eventos carnavalescos. A respeito das Ações Assistenciais realizadas, o coronel afirma que “ainda temos uma credibilidade muito boa junto à população”.

 

PROER

Outra Operação importante que ocorre no estado é a ‘Escola Segura’, com policiamento ostensivo geral em ambientes escolares e seu entorno, o que ajuda a inibir ações criminosas. Vinculada à Operação, o PROER (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) também vem colhendo bons frutos. Eu faço uma observação aqui para informar o quanto o PROER é importante: no início do ano letivo, policiais militares estiveram na escola da minha filha, onde repassaram muitas informações importantes relacionadas às drogas, bullying e à violência escolar. A visita foi muito bem-vinda e tranquilizadora para os alunos que sabem podem contar com a Polícia Militar, principalmente neste momento em que estão sensibilizados com a tragédia ocorrida na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, região metropolitana de São Paulo, em 13 de março deste ano. Segundo o Coronel Assis, a Operação Escola Segura conseguiu atingir por meio das ações de Formação e Atendimento, apenas no primeiro trimestre, cerca de 55.118 alunos da Educação Infantil, e do 5º ao 7º Ano, do Ensino Fundamental.

 

Resultados do 1º Trimestre de 2019

De janeiro a março foram realizadas 17 Operações:

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Resultados Gerais:

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Violência Doméstica e Feminicídio

A respeito dos casos de Feminicídio no estado, o Coronel Assis respondeu ao Blog da Bárbara Fontes:

Buscamos potencializar dentro do nosso Plano de Ação, o trabalho em conjunto, em forma de rede para o combate à violência doméstica e o feminicídio. Nós temos implantado em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças e Sinop, e estamos implantando também em Tangará [da Serra], a Patrulha Maria da Penha. É um trabalho fenomenal em conjunto com várias instituições como o Ministério Público, Polícia Federal e Polícia Civil. Cabe à Polícia Militar fazer a visita, devidamente autorizada, às pessoas que foram vítimas da violência doméstica.

 

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O relatório apresentado pela PM-MT retratam três meses de trabalho ostensivo e os resultados positivos são sinais de que estão no caminho certo, porém, tanto a corporação quanto a população sabem que há muito para ser feito na questão da Segurança Púbica do estado. A PM está presente em 141 municípios e conta com um contingente de 7.400 policiais militares (não há previsão para a realização de concurso público). Em relação ao decreto de estado de calamidade que vigora desde janeiro, a Polícia Militar não sofreu cortes em seu orçamento, porém, realizou um plano de contingência para conter gastos e os salários dos policiais também foram escalonados.

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300 anos de Cuiabá

Série ‘Saudades de Cuiabá’: cuiabanos contam sobre suas vidas em outros lugares

Viviane Spinelli

Eu sempre admirei a arquiteta e produtora de cinema Viviane Bressane Spinelli. A sua trajetória de vida me inspira.

 

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Álbum de família: da esquerda para direita: Rodrigo, Bia, Viviane, Tom e Marina. Acervo Familiar/Facebook.

 

 

 

Nascida em Cuiabá em março de 1969, a sua família é pioneira na capital de Mato Grosso. Seus pais, Tom e Bia Spinelli pessoas conhecidas, assim como os seus irmãos Rodrigo e Marina.

Viviane poderia muito bem viver em Cuiabá onde teria todas as condições para seguir em qualquer carreira e uma vida financeira estável, porém, ela sempre quis mais e desbravar o mundo fazia parte dos planos.

 

 

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Rodrigo, Marina e Viviane. Acervo Familiar/Facebook

 

 

Sempre que é possível, Viviane vem para a Cuiabá, como aconteceu em março deste ano onde comemorou com a família e amigos de infância e adolescência, o seu aniversário de 50 anos.

 

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Tanira e Viviane na comemoração de aniversário de 50 anos, em Chapada dos Guimarães/MT.

 

Atualmente mora em Miami (Flórida/EUA), com a médica brasileira, Tanira Belloc, também radicada nos país. Este ano, Viviane completa 26 anos em que vive nos Estados Unidos.

 

Ordem de Rio Branco

Em agosto de 2018, ela recebeu a Comenda da Ordem de Rio Branco das mãos do embaixador Adanio S. Ganen, pela a sua contribuição à Cultura brasileira em Miami.  O evento, realizado pelo governo brasileiro e o IItamaraty/ Ministério das Relações Exteriores, aconteceu no Consulado Geral do Brasil, em Miami. A medalha é a maior condecoração oferecida fora do país. Segundo o Itamaraty, há uma frase em latim gravada: “Ubique Patriae memor”, que significa “Em qualquer lugar, terei sempre a Pátria em minha lembrança”. Numa entrevista concedida para a revista Brazil/USA – South Florida, Viviane Spinelli disse:

Trabalhamos incansavelmente pela divulgação e comercialização de nossa cultura no Brasil, mas principalmente no exterior, com a realização do Circuito Inffinito de Festivais, que produz festivais de cinema exclusivamente brasileiro em várias cidades do mundo.”

 

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Viviane ministrou uma palestra sobre o Brazilian Film Festival, num evento internacional de negócios, nos Estados Unidos. Acervo Pessoal.

 

Viviane é formada em Arquitetura, na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, em 1991. “Eu morava com a minha avó”, disse. Depois de formada, retorna para Cuiabá onde montou com primo Newton Spinelli Palma a empresa Ayra Arquitetura e Construção.
Em 1994, após conseguir juntar dinheiro, viajou para a Califórnia para estudar inglês. Em 1997, já morava em Miami, e ao lado da produtora de cinema, Adriana  Dutra e da irmã Cláudia Dutra fundam a produtora de cinema, Inffinito. Entre as realizações da empresa está o Brazilian Film Festival, que este ano segue para a sua 23º edição.

 

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O cineasta Cacá Diegues recebeu homenagem no 22º Brazilian Film Festival (2018), em Miami/EUA. Acervo Familiar/Facebook

O Blog da Bárbara Fontes bateu um papo com Viviane Spinelli em dois momentos. O mais recente aconteceu esta semana, durante as suas férias em Punta Cana.

Blog da Bárbara Fontes: Viviane, por que realizar um festival brasileiro de cinema nos EUA?

Viviane Spinelli: A gente queria mostrar para os Estados Unidos que o Brasil não era só samba e futebol. Também tem Cultura e Cinema, e essas coisas não eram vistas lá. A ideia era exibir filmes brasileiros e músicas. Foi uma forma de mostrar a Cultura brasileira.

BBF: Em março, você esteve em Cuiabá onde comemorou o seu aniversário de 50 anos. Como foi esse momento de reencontro com a família e amigos?

Viviane Spinelli: Meu aniversário foi um momento especial na minha vida e celebrar com a minha família foi mágico e muito importante! Nós não só celebramos meus 50, como também a recuperação da saúde de minha irmã. Então foi um evento bem privado, com a família e amigos mais próximos meus e dela.

BBF: A respeito de Cuiabá, o que você mais tem saudades ou sente falta?

Viviane Spinelli:  Sinto saudades das coisas mais simples, como os almoços barulhentos com toda família e da minha infância onde comíamos fruta do pé, como manga, jaboticaba e goiaba (que tínhamos em casa) e também uma fruta vermelha ácida, que chamávamos de jacote e agora acho que chamam seriguela e caju fruta típica de MT que tinham na chácara do meu padrinho tio Vasquinho, onde varias famílias se reuniam todo domingo. Aliás esses amigos de infância da chácara e que em parte ainda fazem parte da minha vida e de meus irmãos, e que estiveram presentes na minha celebração de 50 anos.

BBF: Quais são os seus planos para o decorrer deste ano?

Viviane Spinelli: Meu plano pra 2019 é produzir o 23 Brazilian Film Festival of Miami em setembro. Também quero expandir a minha produção audiovisual em Miami em 2019.
E já estou trabalhando com dois amigos, Jade Matarazzo e Mauricio Ferrazza para isso. Ano passado realizei 2 projetos: direção de produção de uma série de tv, Opção América, direção da Adriana Dutra minha sócia. Foi filmado em maio de 2018 e conta a história da imigração latino americana pra Miami nos último 20 anos. Abordando a situação política de Argentina, Colômbia, Bolívia, Haiti, Cuba, Venezuela e também Brasil, e o porque dos 7 personagens terem optado por Miami. Serão episódios distintos de casa um deles. A série está em fase de pós produção e será veiculada no Canal Brasil no segundo semestre desse ano. Também fiz a direção e edição, no fim do ano passado, de um documentário em Tributo a Miguel Perrotti. Um querido amigo, investidor e filantropo, que faleceu e teve como último legado o apoio a um mural do artista Kobra.

Saiba mais:

Site da Inffinito aqui:

Foto de capa: Viviane Spinelli recebe a Comenda da Ordem de Rio Branco das mãos do embaixador Adanio S. Ganen.

 

 

Victor Angels

Conversas com o Escritor

Victor Angels – O alquimista das palavras

Matéria publicada em 22 de abril de 2018.

Um rapaz, cujo nascimento é cercado de mistério – além de ter sido sequestrado quando criança em Paris e levado para a Índia – parte para uma grande aventura em busca de sua verdadeira identidade. Depois de alguns imprevistos, ele vai parar numa ilha estranha, cheia de regras, e se apaixona por uma adorável princesa comprometida com um general cruel. O rapaz é a chave para que um vilão imortal possa ter poderes inimagináveis.

 

 

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Divulgação

Este é um pequeno trecho de “O Alquimista Imortal e o Perfume da Princesa”, um livro de ficção que reúne fantasia, drama, comédia, romance e batalhas entre o bem e o mal. Escrito por Victor Angels, o livro foi editado por uma editora de Portugal depois de ter sido rejeitado por várias editoras brasileiras. A editora portuguesa enxergou no livro um potencial para best seller como as sagas Harry Potter e O Senhor dos Anéis, e Angels escreveu uma trama infinitamente melhor do que as sagas Crepúsculo e Diários de um Vampiro.

Victor Hugo Machado dos Anjos, Victor Angels, tem curiosamente no nome e sobrenome, referências da literatura mundial como o francês Victor Hugo, da inesquecível obra ”Os Miseráveis”, o carioca Machado de Assis, autor do até hoje comentado “Dom Casmurro”, e o poeta paraibano Augusto dos Anjos, considerado um os expoentes do parnasianismo (também considerado um autor pré-moderno).

 

 

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Divulgação

 

Talento não lhe falta e a sua facilidade em desenvolver tramas ajudou a escrever em três dias o livro infantil “Mundo dos Sonhos, O Ferreiro e a Cartola”, editado pela Carlini & Caniato, que lhe rendeu um prêmio na categoria infanto-juvenil, no 2º Prêmio Mato Grosso de Literatura, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SEC-MT).

 

 

 

 

 

Victor Angels
Crédito: Bárbara Fontes

O Blog da Bárbara Fontes bateu um papo bem bacana com o escritor cuiabano Victor Angels, no intervalo entre palestras numa escola particular de Várzea Grande (ele ministra palestras em escolas públicas também!):

 

 

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Por que realizar palestras nas escolas?

Victor Angels: As palestras são para estimular os adolescentes a criarem gosto pela literatura.

 

BBF: Victor, eu acredito que durante as suas palestras você desperte em muitos alunos o desejo de ser escritor. Qual é a dica que você dá para quem quer ser um escritor?

V.A.: A dica é ESCREVER. É simples. Escreva porque numa hora terá alguma coisa para publicar e correr atrás. O que eu tenho de dizer é: escreva, escreva e escreva até você se sentir satisfeito!

 

BBF: Como surgiu a ideia do livro?

V.A.: Saiu dos sonhos há cerca de 10 anos e já comecei a escrever. Eram sonhos que eu tinha com essas pessoas (os personagens do livro), transformei num esboço de 30 páginas que acabou se transformando numa história. Eu leio sobre alquimia desde os 10 anos de idade.

 

BBF: Por que você apresentou a sua história para uma editora de Portugal e não do Brasil?

V.A.: Porque aqui ninguém quis.

 

BBF: Você está falando sério?

V.A.: Eles querem a popularidade. Um exemplo disso são os livros de youtubers, que já possui um público que vai render dinheiro (para as editoras). Um desconhecido, por mais que tenha qualidade literária, eles não pegam.

 

BBF: Mas veja bem, nós temos o Senhor dos Anéis, o Harry Potter, a saga Crepúsculo, a gente tem vários exemplos de livros de sucesso, e o seu livro tem um enredo que segue essa mesma linha da ficção e fantasia.

V.A.: Eles trouxeram pra cá (editoras brasileiras) porque, realmente, já faziam sucesso e tinham um público aqui que queria ler os livros, e já teriam um retorno financeiro.

 

BBF: Você foi para Portugal apresentar o livro na editora?

V.A.: Não. Foi tudo por e-mail. Conversei por e-mail com o editor, e ele me apresentou uma proposta e disse: “Se você quiser, a gente publica por aqui” E trabalho com esse livro no Brasil e Portugal.

 

BBF: Do envio do manuscrito para editora até o livro ficar pronto, quanto tempo levou?

V.A.: Levou um ano.

 

BBF: Como foi receber em casa, o exemplar do seu livro, editado em Portugal?

V.A.: É uma emoção e você fala: “É meu!”. Eu fiquei sentado o tempo todo, olhando para a capa do livro.

 

BBF: O livro “O Alquimista Imortal e o Perfume da Princesa” faz parte de uma série. Como é essa série?

V.A.:  A série se chama “Alquimistas Espirituais” com cinco livros, e “O Alquimista Imortal e o Perfume da Princesa” é o primeiro. Os outros quatro já estão escritos, mas eu não posso falar porque é surpresa. Essa série fala sobre alquimistas que têm poderes sobrenaturais, e a Lua, também, é uma personagem da história, que tem uma personificação feminina humana. É uma série que abrange um público a partir de 13, 14 anos e, possivelmente, virará um filme.

 

BBF: Eu penso que a editora precisa investir em marketing para fazer chegar o livro nas livrarias e que chame a atenção do leitor (a), assim como ter atenção das revistas especializadas, ou que tenham colunas literárias. A situação atual no Brasil é que as editoras estão fechando, comprometendo a cadeia produtiva e desestimulando o hábito de leitura, que é essencial em qualquer sociedade de primeiro mundo. Como você vê toda essa questão?

V.A.: A leitura é importante, principalmente, na situação que o Brasil atravessa. O hábito de leitura, a cultura de ler, como acontece nos Estados Unidos, é capaz preparar as pessoas, até na hora de votar porque vai querer saber mais sobre o candidato: “Quem é ele?”. E a leitura está presente em nossas vidas (mas existe a preguiça de ler), a gente já começa com o Português. As palavras fazem parte de nossa vida.

 

BBF: Victor, você vive da Literatura?

V.A.: Não, sou publicitário. Ainda não dá para viver de Literatura.

 

BBF: Mas você tem uma rotina de escritor?

V.A.:  Todos os dias não. Eventualmente dou palestras nas escolas.

 

BBF: A série “Alquimistas Espirituais” está fechada com a editora portuguesa?

V.A.: A publicação dos outros quatro livros da série ainda não foi fechada com a editora. Só o primeiro livro é deles.

 

BBF: Como está a conversa com a editora sobre a adaptação para o cinema?

V.A.: A tenho toda liberdade da editora para negociar o livro para o cinema. Eu queria muito que Steve Spielberg o dirigisse (risos). Eu tenho várias novelas escritas que poderiam ser filmadas no Brasil, com diretores brasileiros. O livro “O Alquimista Imortal e o Perfume da Princesa” tem um aporte cinematográfico parecido com a do “Senhor dos Anéis”, e não sei se no Brasil tem todo o aparato tecnológico para esse tipo de filme.

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O livro “O Alquimista Imortal e o Perfume da Princesa” pode ser adquirido, em Cuiabá/MT na livraria Janina, e pela internet, na Martins Fontes. Em Portugal, o livro está disponível em várias livrarias, inclusive na Fnac.

 

Para quem quiser fazer contato com o escritor, envie um e-mail para: victorangels@mail.ru

 

Para saber mais sobre Victor Angels acesse aqui

 

Instagram: @victorhugoangels

 

Acesse o book trailer do livro “Mundo dos Sonhos, O Ferreiro e a Cartola”, vencedor do 2º Prêmio de Literatura da SEC-MT, aqui

 

Para adquirir o livro, acesse aqui

o ator Romeu Benedicto na novela global Deus Salve o Rei

Exclusivo! Ator cuiabano em Deus Salve o Rei

Romeu Benedicto em mais uma novela global

Romeu Benedicto com o elenco de Deus Salve o Rei/Acervo Pessoal
Romeu Benedicto com o elenco de Deus Salve o Rei/Acervo Pessoal

 

 

 

 

 

Matéria publicada em 29/03/2018.

O ator Romeu Benedicto – que finaliza a sua participação no longa-metragem ‘Loop’, do diretor Bruno Bini – a pouco (28 de março) encerrou as gravações de sua participação na novela global, “Deus Salve o Rei” (capítulos 69 ao 78). O seu personagem Anibal, um comerciante que em defesa da diminuição dos impostos, luta contra a tirania do rei e se torna um dos revoltosos que farão um levante contra o reinado de Rodolfo, e invadirão o castelo de Montemor com o objetivo de depor o rei maluco e irresponsável, e empossar o justo Afonso, irmão de Rodolfo, que abriu mão da coroa para se casar com uma plebeia.

 

As primeiras cenas já começaram a ir ao ar esta semana. O ator há anos divide a sua carreira artística na ‘ponte aérea’ Rio-Cuiabá porque tem muitos compromissos profissionais nas duas cidades, e a sua família vive na capital de Mato Grosso.

Ator querido

Romeu Benedicto é Tóto Bodega/Acervo Pessoal
Tóto Bodega/Acervo Pessoal

Eu conheci Romeu Benedicto, entre os anos 1997/1998, quando participou do vídeo ‘Inexistências’ (baseado num poema de Maurin Rodrigues), rodado em Cuiabá, escrito e dirigido pelo diretor Márcio Moreira, meu amigo de longa data. Desde então, Romeu só cresceu como artista! Ele dá vida a um querido personagem, que virou ícone da cultura cuiabana: Totó Bodega.

 

Deus Salve o Rei

Romeu com a equipe de Deus Salve o Rei/Acervo Pessoal
Romeu com a equipe de Deus Salve o Rei/Acervo Pessoal

 

 

A participação do ator na novela das 19h, aconteceu por acaso: ele veio para o Rio de Janeiro renovar o cadastro de ator na Rede Globo (precisa ser feito anualmente), quando encontrou a produtora de elenco da novela Deus Salve o Rei, Dani Cimenelli e, imediatamente, foi escalado. É aquele ditado sendo vivenciado na prática: ‘estava no lugar certo e na hora certa’! Romeu está há três semanas no Rio, e já está fechando os próximos trabalhos – assim que estiver tudo OK, o blog divulgará!

 

 

Carreira espetacular

Romeu, Bruno Gagliasso, Sandro Lucose. Elenco do filme 'Loop'. Foto de Bárbara Fontes
Romeu, Bruno Gagliasso, Sandro Lucose. Elenco do filme ‘Loop’. Foto de Bárbara Fontes

Romeu Benedicto nasceu numa família de artistas, seu irmão é o cantor Roberto Lucialdo, muito conhecido e querido em Mato Grosso. O ator tem uma extensa carreira artística, tanto em Mato Grosso quanto no Rio de Janeiro. Na Rede Globo, realizou cinco participações em Malhação; três em Carga Pesada; nas novelas Fina Estampa, Da Cor do Pecado, Belíssima, Duas Caras, Começar de Novo, Em Família, e o inesquecível Cordel Encantado (ele foi o Jacinto), e, atualmente, está no ar em Deus Salve o Rei.  Participou de duas séries: Rondon e Cidade Inviável (com 7 indicações na Webfest Rio). Esteve em três longa-metragens e sete curta-metragens.

 

 

Momento feliz

Romeu bateu um papo com o Blog da Bárbara Fontes, sobre o seu momento atual:

“Estou muito feliz com o momento produtivo em minha vida. Noo dia 21 de abril, tem o show de Totó Bodega e preparando meu monólogo para festivais”.

Sobre o destino que seu personagem na trama, Romeu revelou para o Blog da Bárbara Fontes, porém, por enquanto é segredo. Vamos acompanhar a novela!

 

Chamado à aventura!

A inovadora Chapéu de Mago realiza o seu 54º Encontro de jogos de mesa neste sábado (23), a partir das 15h, no Várzea Grande Shopping.

Os jogos  de mesa têm o poder de agregar pessoas e é uma ótima pedida para reunir toda a família num fim de semana. Para saber mais sobre o saudável universo dos board games, RPGs e card games, o Blog da Bárbara Fontes conversou com o fundador da Chapéu de Mago, Álvaro Duran.

 

Blog da Bárbara Fontes – Álvaro conte para o Blog como surgiu a Chapéu de Mago.

Álvaro Duran – Eu tive a ideia da Chapéu de Mago antes de voltar pra Cuiabá [capital de Mato Grosso]. Eu tinha acabado de começar a comprar meus jogos de tabuleiro, mas eu me deparei com a barreira de que, os jogos estavam todos parados no guarda roupa sem nem terem sido jogados nenhuma vez. Fiquei encucado com isso, e vi que esse era um problema normal nesse “mundo” dos jogos, e que todos que jogavam passavam por isso praticamente. Aí, a fim de mudar a situação, e colocar a ideia de criar um grupo e um local que as pessoas pudessem se reunir pra jogar, se divertir e etc…. eu e mais um colega nos juntamos e criamos a Chapéu! Começamos pequeno, mas estouramos rápido e fomos crescendo bastante. De inicio era apenas eu e ele, e apenas eu tinha os jogos e comprava os jogos. Mas depois tivemos a entrada do Sérgio e outros membros tanto pra auxiliar no fornecimento dos jogos, quanto para ensinar! Hoje temos uma equipe de 13 a 16 pessoas.
A chapéu está ativa há 3 anos. Começamos no Master Nerd em 2016.

 

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Álvaro Duran, de camiseta azul e de pé, orienta a galera que joga RPG. Acervo Pessoal.

BBF – Neste sábado, 23 de fevereiro, acontece o 54º Encontro da Chapéu de Mago. Você e a sua equipe tem algum levantamento de quantos pessoas já passaram por estes eventos?

AD – Olha, uma relação total de público, eu não sei bem dizer, porque já foi tanta gente!!! Mas faz uns 10 encontros que estamos bombando com muuuitas pessoas! Começamos com poucas pessoas, menos de 7 pessoas por encontro! Ai foi crescendo, e em pouco tempo batemos a marca de 15, 20, 30, até 42 pessoas que foi uma grande marca. Mas a maior surpresa foi quando saímos desses números e atingimos a marca de 60 a 70 pessoas. E desde então seguimos crescendo a cada encontro. Hoje em dia, nos últimos 10 encontros, estamos batendo a media de 100 pessoas. No ultimo encontro no shopping [em Várzea Grande, cidade-irmã de Cuiabá], batemos 112 pessoas simultaneamente!

BBF – Os jogos de mesa ainda são novidades em Cuiabá e Várzea Grande, você poderia explicar o que significam board games, RPG e card games?

AD – Board-game significa jogos de tabuleiro. RPG: Role Playing Game, traduzindo literalmente seria Jogo de Interpretação! E Card Games são os Jogos de Cartas.

BBF – Para quem pretende iniciar no universo dos jogos de mesa, quais você indica?

AD – Os jogos mais recomendados para conhecerem, que a Chapéu de Mago já viu o sucesso: Splendor, Dixit, Dungeon Fighter, Azul, Sagrada, Survive : Fuga de Atlântida, Coup, Saboteur, Tokaido, nossa, tem muitos, mas fica ai alguns exemplos.

 

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Divulgação/Chapéu de Mago

BBF – É possível jogar online? Qual você indica?

AD – Quanto a jogar online é possível sim! Na plataforma de jogos conhecida como Steam, existe o “Tabletop Simulator”, assim como existe muitos jogos com suas versões digitais no celular, tanto para Apple quanto para Android. Um site bom que tem vários jogos de tabuleiro online pra se jogar é o Boardgame Arena [link no final da matéria]. A dica eu posso dar é, mesmo podendo jogar online, tente buscar grupos assim onde estiverem, porque a experiencia que jogar e presenciar isso ao vivo proporciona é… Inigualável.

BBF – O que representa para a Chapéu de Mago, que já realizou tantos Encontros, a difusão e o incentivo da prática dos jogos de tabuleiro em Mato Grosso?

AD – Quanto a essa representatividade… bem, isso é na verdade nossa maior motivação! Desde o inicio, ao vermos o resultado dos primeiros encontros, a diversão que criávamos, as amizades que desenvolvíamos e ajudávamos a desenvolver, e muito mais, que nos dava e até hoje, da força pra continuar com isso! A satisfação de ter tantas pessoas se divertindo, competindo de forma saudável entre si, aperfeiçoando laços já criados, rindo… enfim.. tudo isso traz uma paz e uma alegria enorme pra todos nós, da um gosto a mais quando fazemos o que fazemos, E pra continuar fazendo esses encontros de forma Gratuita! E para nós, sabermos que esse hobby que tanto amamos, está se difundindo e expandindo, é uma conquista e um prazer maior ainda. Como eu havia citado numa entrevista recentemente, tem uma história que gosto de contar: Foi quando fomos para o Sesc Pantanal, lá em Poconé [região do Pantanal Mato-grossense] fazer um evento. Após horas de Encontro, acabamos conversando com muita gente também, mas foi numa hora que uma funcionária do Sesc veio e nos abordou da seguinte maneira: “O que vocês fizeram com o meu filho?”, ela falou surpresa. Eu e os outros perto ficamos preocupados e tentamos entender o porquê, e foi aí que ela nos contou que o seu filho simplesmente tinha virado outro ali conosco! Ele estava jogando, brincando, se divertindo, interagindo com todo mundo, querendo conhecer e jogar mais coisas o tempo todo! E ele não era assim, segundo ela! Ele era uma criança reservada, que não interagia com nada e ninguém, nem na escola, não tinha quase nenhum amigo, e que em casa vivia na sala ou no quarto jogando vídeo-game ou no computador o tempo todo. Ela quase chorou falando aquilo, de tão feliz que estava ao ver o filho daquele jeito. E quase choramos também! É uma das melhores historias que temos conosco, uma das melhores experiencias.

Dica do Blog

 

O Blog da Bárbara Fontes já esteve em alguns desses Encontros da Chapéu de Mago e foi uma experiência maravilhosa onde foi possível conhecer um monte de gente bacana e participar de jogos incríveis como o Santorini (para iniciantes), o engraçado Wish I Dream, entre outros. Esses Encontros proporcionam a interação e harmonia entre pessoas de todas as idades e a prática salutar de jogos que desenvolvem o intelecto e a capacidade de concentração. E sem falar que nesses tempos de mundo virtual, conviver com pessoas ‘ao vivo e a cores’ continua sendo uma das melhores coisas da vida!

 

 

Saiba mais:

Boardgame Arena aqui.

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*Foto de capa: 52º Encontro da Chapéu de Mago no Várzea Grande Shopping.

Aventuras na Irlanda

Jornalista brasileiro conta como é a sua vida no país da banda de rock U2

 

Nem sempre um título de uma matéria aparece como num passe de mágica! No caso deste bate-papo, surgiu depois da leitura da entrevista quando eu me deparei com a rica experiência do jornalista Willian Fidelis na Irlanda, realmente, tem sido uma grande aventura.

Eu conheço Willian há muitos anos e sempre tive um carinho e admiração por ele – lembro de um encontro em Barra do Garças/MT, eu estava filmando um documentário e ele, cobrindo uma comitiva do governo estadual da época. Depois, nos encontramos numa outra cidade (pelos mesmos motivos) e sempre que era possível, nos víamos em Cuiabá. Quando soube que ele partiria para a Irlanda, eu fiquei muito feliz e já imaginava que seria uma experiência de vida que ele levaria para o resto de sua vida.

A ideia de entrevistar o jornalista foi a de compartilhar a história dele para todas as pessoas que sonham em fazer intercâmbio ou viver no exterior, mas não tem a famosa ‘coragem’. Não ter coragem de viver num país diferente, ainda mais nesses tempos de intolerância com o estrangeiro, não é ser covarde – que isso fique bem claro! A mudança deve ser planejada e tem de juntar dinheiro, sim. Não se iluda achando que ‘chegando lá’ tudo se ajeita. Não se ajeita e corre o risco de passar frio, fome e ser deportado. Willian foi muito generoso  em relatar com detalhes a sua grande aventura de vida, e eu desejo que sirva de inspiração e orientação para todos que querem desbravar o mundo!

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Willian, fale um pouco de você para que os leitores do Blog possam te conhecer:

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Willian Fidelis na Irlanda. Acervo Pessoal

Willian Fidelis: Meu nome é Willian Fidelis de Lima, tenho 37 anos, sou cuiabano, sou jornalista formado pela UFMT, eu já fiz alguns trabalhos como ator de teatro no Brasil. Eu fiz pós-graduação em Cinema. Nasci em Cuiabá, mas fui criado numa cidade chamada Paranatinga. Mudei para Cuiabá com 17 anos, onde fui fazer o Segundo Grau (hoje, Ensino Médio). Depois, fui para a faculdade e fiquei em Cuiabá desde então.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Como você foi parar na Irlanda?

Willian Fidelis: Eu estou aqui na Irlanda já vai fazer dois anos e meio. Eu vim em outubro de 2015, para estudar inglês porque eu já tinha 35 anos e a vida estava passando e queria estudar fora. Eu estudava inglês no Brasil, mas não era a mesma coisa. Decidi juntar as minhas economias e vim para cá para estudar inglês e estou aqui desde então. Esse aprendizado de morar fora foi uma coisa que eu sempre quis, desde a adolescência, mas eu nunca tinha coragem até então. E aí, eu criei coragem e vim para a Irlanda.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Que tipo de intercâmbio você fez?

Willian Fidelis: Eu não me inscrevi em programa de intercâmbio de governo. Eu sempre quis fazer um intercâmbio de curso de inglês. Eu comecei a pesquisar as agências e os países que facilitavam a entrada de estrangeiros, um lugar onde você poderia trabalhar e estudar. Em meio às minhas pesquisas surgiu a Irlanda, porque os outros países que eu pesquisei, como os Estados Unidos, é uma dificuldade para conseguir o visto para nós brasileiros e não permite o trabalho. Eu como não tenho condições financeiras de me sustentar (ou de minha família me sustentar), eu precisava trabalhar. Nas minhas pesquisas o que surgiu de melhor foi aqui, apesar de que Londres também permitia o visto de trabalho para estudante. A Austrália e a Nova Zelândia permitem o trabalho, mas, a passagem era muito cara e é muito longe. Foi então que eu me convenci de vir para cá.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Como planejou a viagem?

Willian Fidelis: Eu juntei dinheiro. Desde que eu comecei a trabalhar como jornalista, eu sempre juntava um pouquinho. Quando foi em 2015, eu trabalhava no governo e fiquei desempregado, e eu pensei: ou eu faço isso agora, ou eu gasto todas as minhas economias, porque estava difícil arrumar emprego e eu estava só conseguia fazer ‘bico’, trabalhando com assessoria de esporte. Ganhava uma graninha, mas não era o suficiente. Então, eu decidi pegar a minha grana (para viajar), mas ainda faltava dinheiro e fiz uma rifa de uma televisão que eu tinha recém comprado. Decidi rifar porque eu ia ficar fora o país e a televisão ficaria parada. Os amigos e familiares me ajudaram e eu consegui juntar mais um pouco do dinheiro e o restante, eu peguei uma grana emprestada, o que me ajudou muito. E foi assim que eu cheguei aqui na Irlanda.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Willian, como foi a sua chegada na Irlanda e como você foi se adaptando ao intercâmbio?

Willian Fidelis: Eu achei uma escola pela agência que eu estava pesquisando. Fechei com a agência, paguei a escola, paguei a passagem e vim. Saí do Brasil no dia 27 de outubro de 2015, cheguei aqui do dia 28 para 29 de outubro. Minhas aulas começaram logo na segunda-feira, 02 de novembro. Eu cheguei aqui no começo do outono, começando o frio. Aqui no outono já é inverno e começa a ficar bem fria. Para um cuiabano acostumado a 45 graus à sombra, a temperatura já estava bem fria. E os primeiros meses foram bem interessantes, houve um pouco de ansiedade com frustração e aprendizado, um mix de todas essas coisas, porque é tudo muito novo, tudo diferente. Há uma língua diferente que você tem de aprender. Você, também, tem de dividir casa com outras pessoas, dividir quarto com pessoas que você não conhece. É tudo um aprendizado. Então, no começo foi assim, um mix de tudo um pouco. E ansiedade para aprender o idioma e, também, para arrumar um emprego, né? Porque as minhas economias estavam indo muito rápido, porque você tem de pagar o aluguel, tem de comer, pagar o transporte. A escola estava paga, mas outras coisas não. Então, eu tinha de dar um jeito de arrumar trabalho. Eu procurava, procurava, mas, como o idioma não estava legal, era difícil de achar.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Como você conseguiu emprego?

Willian Fidelis: Como eu não conhecia muita gente, apenas os alunos da escola e alguns brasileiros, o que funciona muito aqui é a indicação para arrumar trabalho fixo. Se você quiser fazer os bicos, você pode fazer, por exemplo, tem a galera que faz bolo, unha, o riquixá, que é um transporte de bicicleta, tipo tuk-tuk, enfim, tem a galera que faz esse tipo de trabalho. Eu buscava um trabalho onde eu teria a certeza de que ganharia alguma coisa certa. Eu estava sempre procurando e entregando currículo na cara dura. Entrava nos restaurantes, nas lojas, mesmo sem ter tanta experiência. Eu tinha algumas experiências de trabalho no Brasil, antes da faculdade. Eu já trabalhei como balconista numa padaria. Então, eu coloquei isso no meu currículo. Aqui, mesmo com um diploma de qualquer profissão no Brasil, se você não tem o idioma fluente, se você não valida o diploma aqui, você não é ninguém! Então, você tem de procurar um trabalho que seja braçal mesmo e eu fiz isso. Coloquei no currículo as experiências que eu tive no Brasil e fui procurar.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: E achou?

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Nosso kitchen Porter deu uma paradinha no trabalho para mandar uma foto para blog 🙂

Willian Fidelis: Só que não estava funcionando bater de porta-em-porta. E aí, me falaram dos sites de emprego. E eu procurei pelos sites. Eu fiquei um final de semana inteiro aplicando currículos online. Eu mandei muitos currículos. E na outra semana, um restaurante de um hotel de uma cidade vizinha me ligou para fazer um teste e fui aprovado e já comecei a trabalhar. Logo acabou a minha aula e já me mudei de Dublin para essa cidade do interior porque eu tinha mais seis meses de visto para trabalhar. E foi o que eu fiz, trabalhei sete meses nesse hotel e juntei uma grana, renovei a matrícula da escola, mudei de casa de novo, voltei para Dublin, arrumei um outro trabalho em outro restaurante onde estou desde então. Eu renovei mais uma vez o meu visto e o meu curso de inglês. Atualmente, eu estou trabalhando como auxiliar de cozinha, como chamam no Brasil, aqui se chama “kitchen Porter” que é lavar prato, panela, chão e tudo mais que os chefs pedirem. É um trabalho difícil, muito pesado, mas você ganha a vida porque tem o seu salário e paga as suas contas.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Nesses tempos de intolerância com a entrada de estrangeiros na Europa, você sofreu algum tipo de preconceito?

Willian Fidelis: Eu não tenho problema em relação com preconceito. Você nota algumas coisas, mas, é comum você ver, como também acontece no Brasil alguma coisa de preconceito racial, no caso. Mas aqui não é tanto por causa da cor, é mais por causa de você ser estrangeiro, mas não é todo mundo, não. Não é sempre que você vê isso, só em alguns lugares específicos que você vê alguns olhares. Mas como aqui é uma cidade cosmopolita, tem gente de todas as partes do mundo, então, já virou comum ter pessoas diferentes. Em alguns casos específicos, você nota alguma coisa, por exemplo, eu tenho uma amiga que toda vez que andava na rua, algumas pessoas cochichavam coisas assim: “volta para casa”. Mas não é muito comum, não.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Quando eu morava na Suécia, tinha pavor dos skinheads, na Irlanda também há algum grupo assim?

Willian Fidelis: Tem uma galera aqui, conhecida como “Knackers”, são a parte mais perigosa da Irlanda. Eles cometem pequenos crimes, assaltos e eles têm um problema com as comunidades diferenciadas, mas, é um problema social do país, que você percebe. Até os próprios irlandeses não são fãs dessa galera, porque eles são mal educados, não respeitam ninguém, se é ou não estrangeiro. Não respeitam ninguém mesmo! De vez em quando se ouve um problema entre essa galera com os brasileiros. A galera que tem problemas avançados com drogas não oferece perigo, porque quando você vê, consegue fugir. Mas os mais novinhos não, é uma galera mais estranha, mesmo.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Você já sofreu algum tipo de perseguição?

Willian Fidelis: Teve uma vez em que fui atacado por seis adolescentes, eu estava chegando em minha casa. E esses adolescentes estavam tacando ovos na casa da frente, eu não tinha como não passar por eles e passei por trás, mas, eles me viram e começaram a tacar ovos em mim, mas eu logo cheguei e o pessoal da minha casa correu pra rua e os adolescentes correram. É um pessoal muito covarde. Esse foi o único problema que eu tive.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Willian, além do seu trabalho no restaurante, você, também, trabalha com o Audiovisual e já participou de duas séries de TV bem famosas. Como isso aconteceu na sua vida?

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Willian na série Vikings

Willian Fidelis: Essa questão do audiovisual foi assim: logo que eu cheguei na Irlanda, eu comecei a ver que aqui é um grande polo de produção de filmes, de séries, coisas voltadas para televisão. Como é um país pequeno, você fica sabendo muito das coisas que estão acontecendo. E quando eu cheguei, eles estavam tendo uma audição para figuração. Eles (os produtores) anunciam nas escolas e nos sites de que precisam de pessoas de estilos diferentes, porque a população natural daqui, são geralmente, branca. Então, para algumas séries, eles precisam de pessoas de estilos diferentes como asiáticos, descendentes de africanos, negros, chineses, enfim, para misturar um pouco as aparências. E logo que eu cheguei, eu vi isso. Fiz uma audição entre novembro e dezembro de 2015, preenchi o formulário, tiraram foto e pegaram o meu telefone. Algumas semanas depois me ligaram. Só que quando me ligaram, eu não conseguia me comunicar em inglês ainda, porque estava aprendendo. Eu sabia de algumas coisas, mas, comunicar por telefone, ainda não sabia. Passei para um amigo falar, e eles disseram que precisavam de que eu falasse o idioma porque haveria algumas ordens de comando.

 

WillianFidelis_Vikings2Passou um tempo, e quando foi no ano passado, em 2017, eu estava na escola e uma amiga falou que estava tendo audição de novo para a série Vikings. Eles fizeram essa audição para essa série, e a minha amiga disse: vamos lá fazer. Como eu estava de folga, fomos lá. Fiz a audição, algumas semanas depois, eles me ligaram. Eu gosto da minha barba, eu sempre uso, e na audição eu estava com barba, e eles tiraram fotos, pegaram os meus dados e falaram: “deixa a sua barba crescer e o cabelo também”. Eu falei: “beleza”. Passou mais algumas semanas, eles me ligaram e eu fui fazer a participação de figuração na série Vikings.

 

 

 WillianFidelis_Vikings3Blog da Bárbara Fontes: Que bacana! Como foi esse trabalho no Vikings?

Willian Fidelis: Foi uma experiência muito grande. Eu gostei muito de participar. No Brasil, a série passa na History Channel. E a gente gravou a sexta temporada. No Brasil deve estar passando a quinta temporada. A sexta, deve passar no Brasil, acho que no final desse ano de 2018, começo de 2019. Nós gravamos em 2017, eles ainda estão em produção, acho que termina agora em maio, mas eu não estou mais participando.

 

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Você gostou mesmo desse mundo cinematográfico, até já está em outra série! Como isso aconteceu?  

willian1Willian Fidelis: Nesse ano, eu estava na internet – é que tem várias produtoras de casting – e tem uma que eu sigo no Facebook, e que anunciou que estava precisando para outra série chamada “Into the Badlands” – que não é muito popular, mas é uma série, também, uma produção americana e canadense, é bem famosa nesses países. Mas é produzida aqui porque tem um custo mais barato. A direção e a produção são americanas. E eu fui fazer figuração para essa série.  No anúncio, eles já falavam: “precisamos de pessoas asiáticas, afro ou afrodescendente ou latinos. Aí você manda a foto pra eles, preenche o formulário e eles chamam pela aparência. Teve pessoas que fizeram as audições, mas não foram chamadas porque não encaixavam no perfil.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Como é trabalhar em duas famosas séries de TV?

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Willian no set de “Into the Badlands”

Willian Fidelis: O figurino é bem diferente da série Vikings – essa é uma série mais antiga, né? E a Into the badlands é uma série futurística, de um mundo imaginário – mistura o antigo com o presente, um mundo irreal. Foram dois dias de gravação com eles. Era pra ter gravado essa semana de novo, mas eles cancelaram, e agora, estou aguardando e eu não posso mudar o meu visual. Eu quero cortar o cabelo, raspar um pouco a barba, dar uma baixada na barba, mas eu estou esperando eles me chamarem. A “Into the Badlands” é uma série muito legal, bem diferente. Eu gravei uma interna numa biblioteca, depois gravamos uma externa numa fazenda – como se fosse  uma entrada de um palácio deles. A produção é muito grande , tem todo um aparato . Vc chega nos lugares tem uma tenda enorme com aquecedor, tem a comida pra tomar o café da manhã e já troca de roupa, faz a maquiagem,faz o cabelo até eles chamarem para fazer a cenas. E passa o dia inteiro lá, depois um ônibus nos deixa na cidade. Pra mim foi uma experiência muito bacana. Eu gostaria de trabalhar mais com isso aqui.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Você é formado em Jornalismo e é uma profissão que tem no mundo todo. Você pensa em atuar na Irlanda?

Willian Fidelis: Atuar como jornalista aqui é complicado porque você tem de ter domínio total do idioma e isso leva muito tempo. Você tem de ter um visto de permissão de trabalho, e o meu período aqui está acabando. Meu visto de estudante está acabando. Eu poderia fazer um visto de estudante de inglês, eu poderia fazer uma outra faculdade aqui, mas para mim não compensa, porque, além de ser muito caro, a maioria dos cursos, os mais baratos, não são da minha área, algo que nunca vou usar, que é na área de comércio, de business, que não faz parte do que eu gosto de fazer, do que eu faço no Brasil. Os cursos que eu gostaria de fazer é muito, muito caro. Eu não tenho condições financeiras para isso.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Você, realmente, tem vivido coisas incríveis na Irlanda. Eu sei que não é fácil viver em outro país, porém, você está se saindo muito bem. Você tem planos de voltar a viver no Brasil?

Willian
Mais uma foto para o Blog, tirada neste domingo (06/05)

Willian Fidelis: Eu estou num momento de transição, de pensamento, de planejamento, ainda sem nada definido, mas em alguns meses eu tenho de voltar para o Brasil ou ir para outro lugar onde eu possa trabalhar, possa viver legalmente, porque aqui já vai chegar um momento que não poderei mais ficar por aqui. Eu ainda não tenho nada planejado, só coisas na minha cabeça, não tem nada definido. Até julho eu tenho de estar com tudo definido sobre o que eu vou fazer, mas ainda não tenho nada definido, só planos na minha cabeça. Eu estou pedindo iluminação a Deus para me dar entendimento sobre o que fazer nesses próximos meses. No momento, eu só estou trabalhando para juntar o dinheiro, não quero voltar para o Brasil sem dinheiro de uma vez.

 

 

 

*Matéria publicada em 07/05/2018.

Quando a vida ensina ARTE

Conheça a história da arquiteta paulistana no mundo das Artes Plásticas

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A artista plástica Rosylene Pinto e Marcela Tokiwa, durante aula prática de Expografia no Sesc Arsenal.

Entrevista publicada em 04/06/2018)

Conheci a arquiteta Marcela Tokiwa durante os cursos de Expografia e de Iluminação e Conservação de Obras de Arte, realizado no Sesc Arsenal em Cuiabá. O que mais me surpreendeu, além do seu grande conhecimento no assunto, foi a sua generosidade em repassar para nós, a sua experiência e seus métodos de trabalho. Quem atua nas Artes, sabe muito bem do que eu digo: há muito egocentrismo, talvez, por medo de passar conhecimentos demais e achar que vai perder espaço no mercado. Coisa de tolos! Quando mais compartilhamos experiências – seja no trabalho ou ministrando cursos – mais aprendemos! Há uma rica troca onde todos ganham! Marcela é sábia!

Entrevistar Marcela era algo que eu queria há muito tempo, mas, como tudo na vida tem o momento certo de acontecer, que bom que aconteceu para o meu blog e foi um bate-papo muito gostoso! Então, vamos lá!

Blog da Bárbara Fontes: Marcela, os meus leitores gostariam de te conhecer.

Marcela Tokiwa: O meu nome é Marcela Tokiwa Obata dos Santos. Eu uso os dois primeiros nomes. Na verdade, Marcela Tokiwa é um nome composto. Sou arquiteta.

BBF: Como que uma arquiteta, envolvida no mundo da construção civil, entra para as Artes Plásticas?

Marcela Tokiwa: Eu entrei no mundo das artes depois de uns acidentes. Sempre gostei de pintura, eu era bem novinha e comecei com carvão e fui até o óleo [carvão e óleo são técnicas de pintura]. Cheguei a passar em Artes Plásticas, na FAAP (São Paulo), Regina Silveira e Júlio Plaza [artista espanhol falecido no Brasil em 2003], na época um casal, eram professores de lá. Foi uma época bem interessante para as Artes Plásticas e também para o curso. Mas era muito caro estudar lá e não pude continuar. Eu fui para o Mackenzie [fazer Arquitetura e Urbanismo], uma escola noturna. No Plano Collor eu perdi o meu emprego e meu pai quase entra em falência, novamente tive de parar com os estudos, já no último ano e com entrega de TCC. Terminei o curso na UNIBAN e me formei arquiteta. Depois, surgiu um trabalho, mas como voluntária, no Museu da Imigração Japonesa no Brasil. Quando eu podia, eu estava lá doando e levando coisas de família para serem expostas. Foi bem interessante. Se me perguntarem o que me emociona, é esse museu.

Blog da Bárbara Fontes: Como era o seu trabalho na Arquitetura?

Marcela Tokiwa: Acabei indo mais para o lado de Projetos. Fui projetista por um bom tempo e fui Cadista também. Trabalhei em algumas grandes construtoras, como a Azevedo & Travassos, e outras mais pequenas e mais técnicas. Eu tive um problema de toxoplasmose, uveíte nos olhos, e tive de parar de trabalhar. Tempos depois, sofri um assalto e recebi uma pancada na cabeça e perdi uma boa parte da visão. Com isso eu não podia mais ficar desenhando em computador, mas mesmo assim, eu tinha uma acuidade visual para cores e fui ser assistente de um restaurador, o Celso do Prado. Ele vendo a minha situação, me chamou para trabalhar com ele.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi esse novo momento da sua vida?

Marcela Tokiwa: O Celso do Prado é uma pessoa maravilhosa e que me ensinou muitas coisas sobre madeira e sobre pedra. Com ele trabalhei em algumas obras e aprendi muito. Para mim é o melhor restaurador de pedra que eu conheço. Com ele, também aprendi muito sobre conservação e restauro de madeira, onde tudo tem um tempo, não é um trabalho como o pastel frito que você faz e entrega rapidinho. Madeira não é assim. É um trabalho que precisa de muita calma e paciência. É muito bonito esse trabalho.  Celso foi chefe de Conservação da Bienal e me chamou para trabalhar com ele. E desta forma comecei a trabalhar na área, na época eu fazia uma limpeza numa obra de Maria Martins [escultora brasileira falecida em 1973], e não conhecia esse universo de bienais, de pessoas vindo de fora. Eu já tinha ido visitar, mas não sabia dos bastidores. Depois desse trabalho de montagem da Bienal, eu fui fazer outro trabalho por indicação da Eloise Ricciardelli, na época diretora do MOMA (Museu de Arte Moderna), de Nova York. E foi assim que fui trabalhando como Assistente de Restauro, com montagens finas, com penas, com plumárias, e até me chamavam para colocar moscas na parede, é de um trabalho de um pernambucano, Flávio Emanuel [exposição Teleguiados], e foi bem interessante. Até que precisaram de um trabalho no MASP (Museu de Arte de São Paulo) e eu acabei sendo convidada para trabalhar com eles.

Blog da Bárbara Fontes: Marcela, como foi trabalhar no MASP?

Marcela Tokiwa: Eu fiz um trabalho maravilhoso no Masp. Participei da organização da nova reserva técnica, no 3º subsolo. Foi incrível! Porque eu era a única mulher da área de montagem que foi convidada por ser arquiteta e lidar com obras de arte. Foi incrível pegar aquela reserva técnica vazia e você ajudar a organizar, colocar os quadros em cada teleiro, as esculturas. Foi muito lindo! Foi um trabalho que eu gostei muito.

Blog da Bárbara Fontes: E depois do MASP?

Marcela Tokiwa: Depois da organização da reserva técnica, eu fiz a exposição Brasil 500 Anos, na Oca [Pavilhão da Oca, no Parque Ibirapuera/SP], onde trabalhei na montagem, e antes mesmo da montagem, trabalhei com recepção e assistência em restauro e conservação de obras. Fiz as bienais do Mercosul, a segunda e a quarta edição. Fiz bienais internacionais da 24º até a 27º de São Paulo, onde fui chamada para fazer algumas salas e também fui responsável por algumas salas de artistas.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi trabalhar no Museu da Imigração Japonesa no Brasil

Marcela Tokiwa: Depois do MASP, meu trabalho foi reconhecido pelo próprio Museu da Imigração Japonesa no Brasil e fui da Comissão de Exposições e da reforma do 9º andar que era destinado para falar da atualidade, porque era um museu histórico e faltava falar dos Nikkeis, da contemporaneidade, não só falar da vinda da imigração. Foi assim que fui trabalhar no museu, mas não mais como voluntária e sim como contratada num projeto da Petrobrás. Depois eu tive de sair por conta de um convite da coordenadora do Acervo e Desenvolvimento Cultural do MASP, que tinha gostado do meu trabalho. Foi no momento em que eu estava procurando ir para o Japão, para fazer uma pesquisa sobre cerâmica.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi voltar para o MASP?

Marcela Tokiwa: No acervo do MASP eu aprendi muito. A coordenadora Eunice Sophia foi de uma bondade imensa e me ensinava muita coisa sobre documentação, catalogação e todo o trabalho. Não teve nada do dia-a-dia dentro de um acervo que eu não tenha feito. Trabalhei lá por oitos anos e foram muitas pesquisas e exposições. O museu recebeu uma doação de porcelanas chinesas, que eu adorei tanto e até fui fazer um curso sobre porcelanas na Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro. Eu saía daqui de São Paulo, às terças-feiras de manhã, e voltava na quarta-feira de madrugada. Essas porcelanas chinesas, assim como algumas gravuras, foram doadas por Fátima Soutello Alves, viúva do diplomata Lauro Soutello Alves que representou o Brasil em vários países asiáticos. Também recebemos a doação de Pré-Colombianas maravilhosas, com tecidos, metais e cerâmicas. Eu também fui atrás para saber mais, fiz uma pesquisa, entrei em contato com vários museus. Eu fiquei imersa nessa pesquisa e, infelizmente, essa exposição não foi apresentada porque nós não tínhamos condições de apresentar essas peças da forma como eu gostaria. No MASP eu fiz atendimento à pesquisa, medições de obra, higienização, e depois de um tempo, isso não pode mais ser feito pelo pessoal do Acervo, e ficou separado para o pessoal do Restauro. Até aí, todos nós já tínhamos aprendido.

Blog da Bárbara Fontes: Quando você teve contato com a expografia? 

Marcela Tokiwa: Havia um rodízio no próprio museu das pessoas que saiam como courier. Esses intercâmbios foram as oportunidades em que eu tive de conhecer alguns outros museus, conhecer mundo afora e também conhecer os bastidores de algumas instituições. Foi um crescimento pessoal porque eu não ia lá apenas para ver as obras de arte em si, eu ia para estudar como as obras eram apresentadas, como elas eram montadas, desde o mínimo do paspatur, do vidro que é usado, da base, a materialidade de como tornar possível uma exposição. Isso me deixava muito de feliz de ver essa possibilidade e comecei a estudar muito Expografia.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi entrar ‘de cabeça’ nesse universo da expografia?

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Expografia de uma exposição. Crédito: Thaís Franco

Marcela Tokiwa: Teve um curso do MinC (Ministério da Cultura) para Técnicos de Museus, veio um cara excelente na área de Museografia, Juan Carlos Rico, da Espanha. Ele tem vários livros sobre montagens de exposições. Isso só foi enriquecendo ainda mais e eu fui mais atrás desse tema. O MASP, antes do Teixeira Coelho [curador-chefe do MASP] chegar, passou por maus bocados, não tinha aporte para exposições, então o próprio Acervo é quem montava as exposições, e eu ficava nessa parte de distribuição das obras, de fazer a expografia, e nós mesmos quem fazíamos os textos e confeccionávamos as legendas. Eu sentia que mesmo dentro a crise financeira, havia uma liberdade enorme para a criatividade. Foi muito bom, pelo menos pra mim, porque eu podia mostrar um pouco mais do que eu sabia nessa área e na área de Arquitetura Aplicada. Com a chegada do Teixeira Coelho, comecei atende-lo, dando assistência com os dimensionamentos, com os cronogramas, com os trabalhos porque eu já estava ali naquela lida e já sabia quanto tempo demorava para fazer uma exposição, quanto tempo demorava pra fazer uma pintura, então eu já tinha uma experiência antes dele chegar. E já conhecia os trabalhadores de lá, pessoas maravilhosas, não posso te dizer que eu “mandava”, pois a gente conversava muito. Eu conversava com os pintores e os marceneiros. Foi uma boa relação.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi trabalhar com o professor e crítico de arte, Teixeira Coelho?

Marcela Tokiwa: Foi muito interessante trabalhar com o Teixeira Coelho porque ele era exigente demais e eu também. Tínhamos até algumas diferenças em alguns momentos, porque a gente queria tudo muito certo. Mas ele entendia e eu também entendia, e assim foi um trabalho muito interessante, até que nós dois saímos do MASP por conta da nova diretoria que entrou em 2014. Nos meus últimos dias no museu, recebemos obras de arte africana Iorubá, e eu pude fazer a museografia. Não pude fazer uma pesquisa mais completa porque é um universo imenso, uma arte maravilhosa, não é só a obra em si, mas tem a ver com o comportamento das pessoas. É uma outra relação entre o objeto, a obra e as pessoas.

Blog da Bárbara Fontes: O que aconteceu depois da sua saída do MASP?

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Exposição “Ofício e Engenho”, de Sílvio Nunes Pinto. Crédito: Leopoldo Plentz.

Marcela Tokiwa: Depois que me dispensaram do MASP fui acolhida pela Vera, da Fundação Vera Chaves Barcellos, onde trabalhei na organização da exposição “Ofício e Engenho”, de Sílvio Nunes Pinto [falecido em 2005], desde a coleta, catalogação e a expografia. Sou muito grata à Vera!

Blog da Bárbara Fontes: Como foi trabalhar na montagem da exposição do cineasta alemão Wim Wenders?

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Crédito: Blog +1teko

Marcela Tokiwa: Eu ia muito pouco nas aberturas das exposições que eu montava. Eu me arrependi de não estar na abertura da exposição de Wim Wenders [lançamento mundial da exposição de fotos “Lugares, Estranhos e Quietos”], onde ele me chamou para agradecer em público, e algumas pessoas me contaram depois, o quão grato e emocionado ele ficou. Ele disse que sem a minha presença a exposição não teria sido possível. Isso foi maravilhoso! Pena que eu não ouvi pessoalmente.

Blog da Bárbara Fontes: Marcela, qual é o conselho que você pode dar às pessoas que querem seguir a carreira de curadoria, expografia, restauro e conservação de obras de arte?

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Marcela ministrando um curso de Expografia. Crédito: Tiely Santos.

Marcela Tokiwa: Bárbara, como tive uma carreira sem muita lógica e sim portas abertas e aproveitando as oportunidades; se for para aconselhar, digo que a melhor escolha é a escola: cursos de graduação, especialização onde a pessoa se encontre e tenha prazer no seu trabalho, seja em restauro, curadoria e conservação. Todas estão interligadas em algum aspecto dentro dos campos de museus, galerias e exposições. Professar nesta escolha de área que fará o melhor para si e para o mundo. Acho que é isto!

Para entrar em contato com Marcela Tokwia: marcelatokiwa@gmail.com

Conheça o universo das artes plásticas, a partir dos nomes e lugares citados por Marcela durante o bate-papo:

Regina Silveira

Júlio Plaza

Maria Martins

Teixeira Coelho

Wim Wenders (sobre a exposição) 

Museu da Imigração Japonesa no Brasil 

MASP

MOMA/New York

Pavilhão da Oca

Fundação Eva Klabin

Bienal do Mercosul

24º Bienal de São Paulo

27º Bienal de São Paulo

Exposição “Do Coração da África – Arte Iorubá”

Vera Chaves Barcellos

Fundação Vera Chaves Barcellos

Sílvio Nunes Pinto (matéria)