Linhas que semeiam o Futuro

Duas amigas criam concurso literário para estudantes da Chapada dos Guimarães

Uma ideia incrível que se tornou projeto educativo, o “Concurso Literário Linhas do Amanhã” visa incentivar a escrita criativa nas escolas públicas. Nasceu do comprometimento de duas mulheres com a Educação, e que foram à luta para buscar recursos financeiros privados por meio da vaquinha virtual (plataformas digitais). O resultado desse trabalho pode ser conferido no dia 18 de dezembro (terça-feira), na premiação dos melhores textos.

 

Criado por Roseli Carnaiba e Janaína Soares da Costa Buccioli – que também atuam como voluntárias, o concurso literário vem de encontro com a importância do papel da literatura na formação de jovens e crianças. O evento deve acontecer uma vez ao ano, e segundo as organizadoras, o “nosso objetivo é que através da reflexão sobre si mesmo e sobre o mundo, o aluno exercite a sua capacidade de escrever as linhas da sua própria vida e agir como sujeito ativo no mundo”. O valor arrecadado nas plataformas digitais foi para comprar os prêmios e organizar a cerimônia de premiação, que também vai contar com a apresentação de uma peça do grupo de teatro “Anônimos”.

Literatura na Educação Pública

O “Concurso Literário Linhas do Amanhã” é restrito aos alunos do ensino médio das escolas públicas da Chapada dos Guimarães (MT). O tema deste ano é “O futuro que eu quero escrever”, e todas as escolas da charmosa cidade foram convidadas. Os participantes podem expressar os seus pontos de vistas das mais diversas formas de criação que a linguagem possibilita: poesia, romance, conto, fábula, quadrinhos entre outros.  É bem provável que a partir de 2019, o concurso chegue a todos os níveis escolares.

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Roseli Carnaíba com Bárbara Plazezwski (orientadora de Linguagem, da escola Rafael de Siqueira)

Premiação

A premiação acontece no dia 18 de dezembro, na Escola Estadual Cel Rafael de Siqueira, que possui 700 alunos. O 1º Lugar recebe um notebook; o 2º recebe um celular; e o 3º Lugar recebe uma bicicleta.

 

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Cartaz de divulgação da primeira edição do “Concurso Literário Linhas do Amanhã”.

Bate-papo com o Blog

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Janaína Buccioli/Acervo Pessoal

Janaína é uma escritora mato-grossense que reside na Espanha, e por e-mail contou sobre o “Concurso Literário Linhas do Amanhã”:

Como surgiu a ideia de promover um concurso literário ?

Janaína Buccioli: Para mim, um dos aspectos mais importantes na raça humana, que nos diferencia dos animais, é a nossa capacidade de criar elementos que possuam uma dimensão simbólica. Eu considero a linguagem, desde o seu  primórdio, fascinante. É através dela que o ser humano é capaz de passar seu conhecimento, de unir-se para a realização de um projeto em comum. Ela é também uma das mais interessantes ferramentas para compreensão de si, do outro e do mundo. A literatura e, principalmente, o escrever são invenções humanas que, muitas vezes, são tidas como atividade intelectual que demanda um certo aprimoramento cultural. Óbvio que para se ganhar o premio Nobel de literatura isso se faz verdade, porém, qualquer ser humano deveria estar apto ao ato de escrever. Todos os seres humanos possuem uma história a ser contada. E toda história, de qualquer vida, vale a pena. Então, o concurso surge como uma forma de aproximar esse mundo da escrita, de promover a escrita como algo prazeroso e como uma ferramenta de desenvolvimento. No mais, para os jovens, esse tipo de expressão pode ser extremamente terapêutica em face aos desafios do crescimento.

Por que a rede pública e por que na Chapada dos Guimarães?

Janaína Buccioli: A escolha pela rede pública é facilmente deduzida. Temos um país carente de conhecimento. E os jovens são a nossa maior matéria-prima. Não se trata somente de um jovem como individuo, mas sim da nossa evolução como coletivo, como nação. A Chapada porque é  minha cidade xodó nesse mundo. O fato de ser uma comunidade pequena também facilita a organização. Lembrando que é uma iniciativa totalmente privada.

Como ocorreu a organização?

Janaína Buccioli: A ideia surge no meio desse cenário político complexo que nos acompanha desde o impeachment da Dilma. A sensação de impotência, pouco a pouco, foi gerando um certo desconforto. Esse por sua vez me fez ver a situação por outro angulo. Estamos sempre insatisfeito com o Estado, porém, esquecemos que também somos autores na construção do mundo. Iniciativas privadas são fundamentais e podem ocorrem em qualquer escala  – da rua do bairro ao país inteiro. Confesso que mobilizar as pessoas a colaborarem não é tarefa fácil. Conseguimos arrecadar em torno de 68% do orçamento que havíamos planejado para o evento através de plataformas de financiamento coletivo, uma no Brasil e outra na Europa. Nos adaptamos ao que arrecadamos e seguiremos em frente. A ideia é que a iniciativa dê frutos e que o projeto possa crescer. A organização está sendo realizada de forma totalmente voluntária por mim e pela Roseli Carnaíba.

BBF∼ 

Vamos ajudar!

São iniciativas como o “Concurso Literário Linhas do Amanhã” que fazem a diferença na vida de quem participa e a de seus familiares. O hábito da leitura deve ser incentivado de forma lúdica e sem pressões, e um concurso com premiações bacanas, ajuda nesse processo saudável. O projeto acontece por meio da iniciativa privada e para que continue a semear, precisa do apoio da sociedade. Para ajudar entre em contato: concursolinhasdoamanhã@gmail.com.

Se cada um de nós fizermos um pouquinho para ajudar o próximo, pode ter certeza de que o Brasil será outro! São nas ideias simples que nascem grandes projetos que podem se transformar em programas anuais que disseminam conhecimentos e atitudes positivas que promovam agentes dentro das Comunidades, e também inspiram novas ideias por todos os rincões do país.

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Curso de Teatro forma 1º Turma

A solenidade de colação de grau acontece no dia 10 dezembro, às 19h30, no Cine Teatro Cuiabá.

Que emoção! A MT Escola de Teatro forma a sua primeira turma! Foram quatro semestres de intenso trabalho no Cine Teatro Cuiabá – palco que tornou possível os estudos, as experiências, as amizades e, sobretudo, a formação de 33 profissionais nas áreas de Atuação, Direção, Dramaturgia, Iluminação, Produção Cultural, Cenografia e Figurino, e Sonoplastia. Desde a sua criação, eu tenho acompanhado a trajetória dos alunos, professores (in memorian ao saudoso ator Luis Carlos Ribeiro!) e coordenadores, onde pude escrever algumas matérias ao longo desses dois anos. Bravo, bravíssimo!!!

Mostra de Cenas
Mostra de Cenas/Divulgação
Ariana Carla
Minha querida amiga, Ariana Carla!

O Blog da Bárbara Fontes bateu um papo com uma das formandas do curso, Ariana Carla – minha amiga de longa data. Eu a vi entrar para o mundo do Teatro por meio de um curso realizado pelo ator e diretor (e amigo querido) André D’Lucca:

Blog da Bárbara Fontes:  Ariana, conta para o Blog como foram esses anos de estudos.

Ariana Carla: Foram dois anos em 4 semestres, divididos em módulos nomeados por cores, verde, amarelo, azul e este último, o vermelho.

Blog da Bárbara Fontes: Uma jornada termina, e como está a Ariana depois dessa experiência?

Ariana Carla: Está sendo muito gratificante, pela ampliação do meu conhecimento, prática, técnica e repertório. A minha compreensão do ‘meu eu artístico’, e saber que consigo ir além de tudo que imaginei. Eu me sinto uma pessoa melhor, isso digo da minha vida, perante ao ‘meu interior’, família, sociedade e profissional.

Blog da Bárbara Fontes: Qual é a sua expectativa para 2019?

Ariana Carla: Seguir carreira de atriz e educadora do teatro, almejo não só aos palcos, como também a vida pedagógica porque a arte e o teatro devem fazer parte da vida de todos os cidadãos. Tenho um projeto em uma faculdade privada, onde atuo como atriz nas aulas de medicina. Continuarei em 2019, e espero que as oportunidades aumentem.

BBF∼ 

MT Escola de Teatro

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II Mostra de Cenas. Crédito: Bárbara Fontes

A MT Escola de Teatro é uma iniciativa da Associação Cultural Cena Onze e Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP), em conjunto com Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SEC/MT). Em 2018, tornou-se curso de graduação por meio de uma parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Os formandos serão diplomados, pela magnífica reitora Ana Maria Di Renzo, com o título de Tecnólogo em Artes Cênicas. São 33 formandos, sendo 15 da área de Atuação; 4 de Dramaturgia; 3 de Direção; 3 de Produção Cultural; 3 de Cenário e Figurino; 3 de Iluminação; e 2 de Sonoplastia.

 

Piano Gente

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Acontece no foyer do Cine Teatro Cuiabá, a partir das 18h45, o projeto Piano Gente, sob a direção de Dario Scherner; e no piano, Valter Demberck Jr.  Eu conheci Dario no curso de Cinema Documentário, realizado na UFMT (ministrado por mim). Foi numa aula que ele deu a ideia de realizar o documentário SAYONARA (a lendária boate de Cuiabá!), onde o seu pai tocou por anos.  Recentemente, vi uma apresentação musical dele e foi incrível!

 

Serviço

O que é: Solenidade de Colação de Grau do curso superior em Teatro

Data: 10/12/2018 (segunda-feira)

Horário: 19h30

Local: Cine Teatro Cuiabá

Universo Xavante no Audiovisual

Documentário mato-grossense sobre um ritual Xavante é premiado em Festivais de Cinema

 

O Brasil tem mãe índia e deve à ela toda reverência. Ela habita na ancestralidade de boa parte do povo brasileiro. Depois da chegada dos portugueses, nascem os primeiros brasileiros natos, porém, o laço português-indígena são rompidos – como se tirasse um bebê do seio de sua mãe e o deixasse à própria sorte. Infelizmente, nosso país parece ter se esquecido de seu passado índio. Com o avanço dos séculos, o Brasil foi recebendo e absorvendo outras culturas, mudando o seu linguajar e se tornando mais globalizado, mas isso não deve ser o motivo para se esquecer de seu berço indígena. É possível receber todas as benesses que a vida moderna proporciona e ainda manter-se fiel às suas raízes porque somos todos indígenas. O respeito à cultura e as políticas que visam a proteção das etnias que ainda sobrevivem e lutam para não desaparecer, são atitudes recentes se comparados aos 518 anos do surgimento do Brasil. Os ritos indígenas têm significados tão importantes quanto o aprendizado das primeiras letras que todos nós, não-indígenas, passamos na infância.

Toda e qualquer manifestação que visa a preservar, conservar e homenagear a  cultura indígena brasileira deve ser prestigiada por todos nós. O documentário “Xavante: Memória, Cultura e Resistência”, cumpre a bela missão de nos reconectar com as raízes do Brasil índio. O Blog da Bárbara Fontes enviou algumas perguntas para o diretor do documentário, Gilson Costa, que também é professor de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Araguaia (UFMT/CUA):

Blog da Bárbara Fontes:  Como surgiu a ideia de produzir um documentário sobre um ritual dos Xavante?

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Gilson Costa (de boné) nas filmagens do documentário. Crédito: NPD/UFMT-CUA

Gilson Costa: O documentário Xavante: Memória Cultura e Resistência” surgiu a partir de um  projeto de extensão que tinha como principal objetivo oferecer oficinas de capacitação audiovisual para jovens xavante  da aldeia Namunkurá. O projeto foi realizado entre  os anos de 2014-2016. No último ano do projeto, estava programado  o ritual de iniciação dos jovens xavante, o qual fomos convidado para realizar as filmagens. Este corte de 19 minutos [o documentário] surge de um produto maior com mais de 1 hora de duração, com todas as partes do ritual, todos  os depoimentos e sem legendas [que foi entregue à etnia]. A versão que circula em festivais está voltada para promover  o conhecimento da cultura Xavante, pelos Waradzu (não indígenas).

BBF: Da ideia até a finalização, quanto tempo foi? O NPD Recebeu algum recurso financeiro?

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Crédito: NPD/UFMT-CUA

Gilson Costa: O documentário demorou dois anos para ser finalizado. Parte do tempo foi destinado a tradução, realizada pelo Gaspar Waradzere, indígena e professor na aldeia. Outro fator que  demandou esforço e tempo na fase da montagem foi o processo de pesquisa, onde mergulhamos no universo da cultura Xavante para compreendermos as  minúcias do ritual e da cultura.  Entretanto acreditamos que este documentário presta sua contribuição no sentido de reforçar a importância dos povos indígenas em nosso país e estimular, na sociedade não indígena, o respeito pela diversidade  étnica e cultural.  O projeto  teve o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, através do Prêmio Tradições/MT.

BBF: Como os Xavante receberam o documentário? Existe algum projeto para dar continuidade à essa parceria?

Gilson Costa: Considerando que o Núcleo de Produção Digital  está localizado  em uma área cercada de povos indígenas, a parceria  é frequente. Desde a  sua fundação, em 2014,  realizamos atividades conjuntas. Este ano, estamos retomando as produções  na aldeia Namunkurá com o projeto “Tsirãpré Dzawidzé: Proteção do Cerrado”, uma  demanda em conjunto com a  Namunkurá Associação Xavante. Desta vez a ideia é produzir uma série de cinco episódios sobre a importância do cerrado e a fundamental papel que os povos indígenas desempenham para sua preservação e sustentabilidade.  Neste sentido, o audiovisual vem se tornando uma importante arma de afirmação cultural e étnica do povo Xavante.

BBF: Quantas pessoas trabalharam na realização do documentário?

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Crédito: NPD/UFMT-CUA

Gilson Costa: O filme foi construído coletivamente. Além da equipe da UFMT, contou com a participação de professores indígenas e jovens que participaram da oficina de formação audiovisual na aldeia durante o ano de 2015.

BBF: Quantos prêmios o documentário Xavante: Memória Cultura e Resistência” já recebeu?

Gilson Costa: O documentário recebeu o prêmio de melhor pesquisa na mostra SESC de Cinema de Mato Grosso, em 2017, recebeu  três premiações na 15º Festival Latino Americano de Cinema Ambiental (CineAmazônia), como Melhor Documentário, Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem. Em  junho de 2018, também foi premiado na  Mostra Ecofalante. Foi exibido em  Festivais na  Colômbia, no Chile e na Bolívia.

BBF: O documentário está disponível no youtube ou outra plataforma? Caso ainda não esteja, como pode ser adquirido?

Gilson Costa: Foram distribuídas cópias do documentário para escolas públicas do Araguaia (MT). Este ano ele vai fazer parte da plataforma povos originários do Brasil, que a UFMT está criando para pesquisas e consultas públicas.

BBF: Atualmente, o Núcleo está produzindo algo? Há algum lançamento audiovisual previsto ainda para este ano?

Gilson Costa:  O NPD tem como uma de suas principais atribuições, a formação técnica  qualificada de realizadores da região do Araguaia. Neste sentido, empenhados em nossa tarefa pedagógica de formar realizadores audiovisuais desta região. No campo da produção audiovisual, o NPD,  está apoiando um documentário (já em fase de finalização) cuja a temática aborda o manifesto ritual do Congo, com lançamento  previsto para agosto deste ano.

Sobre o Núcleo de Produção Digital (NPD):

O Núcleo de Produção Digital (NPD) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Campus Araguaia, foi implantado em 2014, por meio de uma parceria com o Ministério da Cultura e a Secretaria do Audiovisual e, desde então, vem produzindo narrativas audiovisuais sobre as histórias da região do médio Araguaia, e também apoiando a realização de projetos independentes. Entre as ações do NPD  está a formação de mão de obra técnica e criativa, contemplando as diferentes etapas da cadeia produtiva do audiovisual.

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Crédito: NPD/UFMT-CUA

Desde a sua criação, o NPD tem trabalhado incansavelmente em prol do fomento e difusão do audiovisual numa região com fortes referências étnicas, se tornando um importante polo de formação e incentivo para o audiovisual no lado mato-grossense da região Araguaia. Entre os anos de 2014 e 2015, o NPD realizou um circuito de formação contemplando cinco áreas específicas do audiovisual, com instrutores reconhecidos no cenário nacional. Essa ação contemplou cerca de 220 pessoas, as oficinas tiveram como público alvo artistas, realizadores independentes e estudantes (universitários e secundaristas da rede pública) dos municípios de Barra do Garças, Aragarças, Pontal do Araguaia, Araguaiana e General Carneiro. Em 2016, o Núcleo realizou oficinas de capacitação nas comunidades indígenas da etnia Xavante (Aldeia São Marcos e Namunkurá) que tiveram a oportunidade de registrar por meio do audiovisual, a sua rica cultura, o seu modo de vida, a sua cosmologia, e difundi-la para os não-indígenas.

A boa semeadura rendeu ótimos e talentosos frutos:  “ex-alunos” tem procurado o Núcleo em busca de apoio para diferentes propostas de obras audiovisuais, em especial, do gênero documentário.

Produção Audiovisual

Além das capacitações em Audiovisual, o Núcleo de Produção Digital realizou várias produções como o documentário média-metragem Veredas do Araguaia (direção de Daniel Santigo, 2015); a série televisiva com cinco episódios de 13 minutos, Ser Tão Araguaia2 (direção de Amauri Tangará, 2015); o documentário etnográfico Xavante: Memória Cultura e Resistência (direção de Gilson Costa, 2016); e o documentário de média metragem Catireiros do Araguaia (direção de Carina Benedeti, 2016).  Realizou parceria para a co-produção do telefilme Benedito que subia: Do profano ao Divino (direção de Izis Negreiro, 2016). Também supervisionou produções realizadas por alunos do curso de Jornalismo, da UFMT/CUA:  Acabou né? (2015), exibido na 14º Mostra Audiovisual Universitário da América Latina (MAUAL); e Raízes de Fé (2016), exibido no Congresso Brasileiro da Comunicação (EXPOCON-Centro Oeste). No início de 2018, o NPD deu apoio às gravações locais do longa metragem Marcha que não terminou do diretor e documentarista paulistano Daniel Santiago.

Cineclubismo no Médio Araguaia

O Núcleo de Produção Digital  também contribuiu com a implantação e difusão do cineclubismo na região. O Circuito Exibidor do Araguaia conta com CineClubes em diversas cidades e em três comunidades indígenas da etnia Xantes e Bororo. Veja lista abaixo:

 

* Cineclube Morro de Mesa – município de Pontal do Araguaia/MT;

* Cineclube Joaquim Curcino Nery – município de Araguaiana/MT;

Cineclube Fleury Belém – município de Barra do Garças/MT;

* Cineclube Araguaia – Cadeia Pública, município de Barra do Garças/MT;

* Cineclube Pícua – município de Baliza/GO;

* Cineclube 14 Bis – município de Aragarças/GO (F) Cineclube Rondon – município de General Carneiro/MT;

* Cineclube Tugo Baisare – Aldeia Indígena Merure – Bororos/MT;

* Cineclube São Marcos– Aldeia Indígena São Marcos – Xavantes/MT;

* Cineclube Namunkurá – Aldeia Indígena Namunkurá -Xavantes/MT.

 

Segundo o professor Gilson Costa, todos os cineclubes foram contemplados com um “kit” de exibição, contendo equipamentos de projeção de imagens, caixas acústicas amplificadas, mesa de som, tela de projeção, além da disponibilização de todo o acervo fílmico da Programadora Brasil.

 

Quando a vida ensina ARTE

Conheça a história da arquiteta paulistana no mundo das Artes Plásticas

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A artista plástica Rosylene Pinto e Marcela Tokiwa, durante aula prática de Expografia no Sesc Arsenal.

Conheci a arquiteta Marcela Tokiwa durante os cursos de Expografia e de Iluminação e Conservação de Obras de Arte, realizado no Sesc Arsenal em Cuiabá. O que mais me surpreendeu, além do seu grande conhecimento no assunto, foi a sua generosidade em repassar para nós, a sua experiência e seus métodos de trabalho. Quem atua nas Artes, sabe muito bem do que eu digo: há muito egocentrismo, talvez, por medo de passar conhecimentos demais e achar que vai perder espaço no mercado. Coisa de tolos! Quando mais compartilhamos experiências – seja no trabalho ou ministrando cursos – mais aprendemos! Há uma rica troca onde todos ganham! Marcela é sábia!

Entrevistar Marcela era algo que eu queria há muito tempo, mas, como tudo na vida tem o momento certo de acontecer, que bom que aconteceu para o meu blog e foi um bate-papo muito gostoso! Então, vamos lá!

Blog da Bárbara Fontes: Marcela, os meus leitores gostariam de te conhecer.

Marcela Tokiwa: O meu nome é Marcela Tokiwa Obata dos Santos. Eu uso os dois primeiros nomes. Na verdade, Marcela Tokiwa é um nome composto. Sou arquiteta.

BBF: Como que uma arquiteta, envolvida no mundo da construção civil, entra para as Artes Plásticas?

Marcela Tokiwa: Eu entrei no mundo das artes depois de uns acidentes. Sempre gostei de pintura, eu era bem novinha e comecei com carvão e fui até o óleo [carvão e óleo são técnicas de pintura]. Cheguei a passar em Artes Plásticas, na FAAP (São Paulo), Regina Silveira e Júlio Plaza [artista espanhol falecido no Brasil em 2003], na época um casal, eram professores de lá. Foi uma época bem interessante para as Artes Plásticas e também para o curso. Mas era muito caro estudar lá e não pude continuar. Eu fui para o Mackenzie [fazer Arquitetura e Urbanismo], uma escola noturna. No Plano Collor eu perdi o meu emprego e meu pai quase entra em falência, novamente tive de parar com os estudos, já no último ano e com entrega de TCC. Terminei o curso na UNIBAN e me formei arquiteta. Depois, surgiu um trabalho, mas como voluntária, no Museu da Imigração Japonesa no Brasil. Quando eu podia, eu estava lá doando e levando coisas de família para serem expostas. Foi bem interessante. Se me perguntarem o que me emociona, é esse museu.

Blog da Bárbara Fontes: Como era o seu trabalho na Arquitetura?

Marcela Tokiwa: Acabei indo mais para o lado de Projetos. Fui projetista por um bom tempo e fui Cadista também. Trabalhei em algumas grandes construtoras, como a Azevedo & Travassos, e outras mais pequenas e mais técnicas. Eu tive um problema de toxoplasmose, uveíte nos olhos, e tive de parar de trabalhar. Tempos depois, sofri um assalto e recebi uma pancada na cabeça e perdi uma boa parte da visão. Com isso eu não podia mais ficar desenhando em computador, mas mesmo assim, eu tinha uma acuidade visual para cores e fui ser assistente de um restaurador, o Celso do Prado. Ele vendo a minha situação, me chamou para trabalhar com ele.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi esse novo momento da sua vida?

Marcela Tokiwa: O Celso do Prado é uma pessoa maravilhosa e que me ensinou muitas coisas sobre madeira e sobre pedra. Com ele trabalhei em algumas obras e aprendi muito. Para mim é o melhor restaurador de pedra que eu conheço. Com ele, também aprendi muito sobre conservação e restauro de madeira, onde tudo tem um tempo, não é um trabalho como o pastel frito que você faz e entrega rapidinho. Madeira não é assim. É um trabalho que precisa de muita calma e paciência. É muito bonito esse trabalho.  Celso foi chefe de Conservação da Bienal e me chamou para trabalhar com ele. E desta forma comecei a trabalhar na área, na época eu fazia uma limpeza numa obra de Maria Martins [escultora brasileira falecida em 1973], e não conhecia esse universo de bienais, de pessoas vindo de fora. Eu já tinha ido visitar, mas não sabia dos bastidores. Depois desse trabalho de montagem da Bienal, eu fui fazer outro trabalho por indicação da Eloise Ricciardelli, na época diretora do MOMA (Museu de Arte Moderna), de Nova York. E foi assim que fui trabalhando como Assistente de Restauro, com montagens finas, com penas, com plumárias, e até me chamavam para colocar moscas na parede, é de um trabalho de um pernambucano, Flávio Emanuel [exposição Teleguiados], e foi bem interessante. Até que precisaram de um trabalho no MASP (Museu de Arte de São Paulo) e eu acabei sendo convidada para trabalhar com eles.

Blog da Bárbara Fontes: Marcela, como foi trabalhar no MASP?

Marcela Tokiwa: Eu fiz um trabalho maravilhoso no Masp. Participei da organização da nova reserva técnica, no 3º subsolo. Foi incrível! Porque eu era a única mulher da área de montagem que foi convidada por ser arquiteta e lidar com obras de arte. Foi incrível pegar aquela reserva técnica vazia e você ajudar a organizar, colocar os quadros em cada teleiro, as esculturas. Foi muito lindo! Foi um trabalho que eu gostei muito.

Blog da Bárbara Fontes: E depois do MASP?

Marcela Tokiwa: Depois da organização da reserva técnica, eu fiz a exposição Brasil 500 Anos, na Oca [Pavilhão da Oca, no Parque Ibirapuera/SP], onde trabalhei na montagem, e antes mesmo da montagem, trabalhei com recepção e assistência em restauro e conservação de obras. Fiz as bienais do Mercosul, a segunda e a quarta edição. Fiz bienais internacionais da 24º até a 27º de São Paulo, onde fui chamada para fazer algumas salas e também fui responsável por algumas salas de artistas.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi trabalhar no Museu da Imigração Japonesa no Brasil

Marcela Tokiwa: Depois do MASP, meu trabalho foi reconhecido pelo próprio Museu da Imigração Japonesa no Brasil e fui da Comissão de Exposições e da reforma do 9º andar que era destinado para falar da atualidade, porque era um museu histórico e faltava falar dos Nikkeis, da contemporaneidade, não só falar da vinda da imigração. Foi assim que fui trabalhar no museu, mas não mais como voluntária e sim como contratada num projeto da Petrobrás. Depois eu tive de sair por conta de um convite da coordenadora do Acervo e Desenvolvimento Cultural do MASP, que tinha gostado do meu trabalho. Foi no momento em que eu estava procurando ir para o Japão, para fazer uma pesquisa sobre cerâmica.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi voltar para o MASP?

Marcela Tokiwa: No acervo do MASP eu aprendi muito. A coordenadora Eunice Sophia foi de uma bondade imensa e me ensinava muita coisa sobre documentação, catalogação e todo o trabalho. Não teve nada do dia-a-dia dentro de um acervo que eu não tenha feito. Trabalhei lá por oitos anos e foram muitas pesquisas e exposições. O museu recebeu uma doação de porcelanas chinesas, que eu adorei tanto e até fui fazer um curso sobre porcelanas na Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro. Eu saía daqui de São Paulo, às terças-feiras de manhã, e voltava na quarta-feira de madrugada. Essas porcelanas chinesas, assim como algumas gravuras, foram doadas por Fátima Soutello Alves, viúva do diplomata Lauro Soutello Alves que representou o Brasil em vários países asiáticos. Também recebemos a doação de Pré-Colombianas maravilhosas, com tecidos, metais e cerâmicas. Eu também fui atrás para saber mais, fiz uma pesquisa, entrei em contato com vários museus. Eu fiquei imersa nessa pesquisa e, infelizmente, essa exposição não foi apresentada porque nós não tínhamos condições de apresentar essas peças da forma como eu gostaria. No MASP eu fiz atendimento à pesquisa, medições de obra, higienização, e depois de um tempo, isso não pode mais ser feito pelo pessoal do Acervo, e ficou separado para o pessoal do Restauro. Até aí, todos nós já tínhamos aprendido.

Blog da Bárbara Fontes: Quando você teve contato com a expografia? 

Marcela Tokiwa: Havia um rodízio no próprio museu das pessoas que saiam como courier. Esses intercâmbios foram as oportunidades em que eu tive de conhecer alguns outros museus, conhecer mundo afora e também conhecer os bastidores de algumas instituições. Foi um crescimento pessoal porque eu não ia lá apenas para ver as obras de arte em si, eu ia para estudar como as obras eram apresentadas, como elas eram montadas, desde o mínimo do paspatur, do vidro que é usado, da base, a materialidade de como tornar possível uma exposição. Isso me deixava muito de feliz de ver essa possibilidade e comecei a estudar muito Expografia.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi entrar ‘de cabeça’ nesse universo da expografia?

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Expografia de uma exposição. Crédito: Thaís Franco

Marcela Tokiwa: Teve um curso do MinC (Ministério da Cultura) para Técnicos de Museus, veio um cara excelente na área de Museografia, Juan Carlos Rico, da Espanha. Ele tem vários livros sobre montagens de exposições. Isso só foi enriquecendo ainda mais e eu fui mais atrás desse tema. O MASP, antes do Teixeira Coelho [curador-chefe do MASP] chegar, passou por maus bocados, não tinha aporte para exposições, então o próprio Acervo é quem montava as exposições, e eu ficava nessa parte de distribuição das obras, de fazer a expografia, e nós mesmos quem fazíamos os textos e confeccionávamos as legendas. Eu sentia que mesmo dentro a crise financeira, havia uma liberdade enorme para a criatividade. Foi muito bom, pelo menos pra mim, porque eu podia mostrar um pouco mais do que eu sabia nessa área e na área de Arquitetura Aplicada. Com a chegada do Teixeira Coelho, comecei atende-lo, dando assistência com os dimensionamentos, com os cronogramas, com os trabalhos porque eu já estava ali naquela lida e já sabia quanto tempo demorava para fazer uma exposição, quanto tempo demorava pra fazer uma pintura, então eu já tinha uma experiência antes dele chegar. E já conhecia os trabalhadores de lá, pessoas maravilhosas, não posso te dizer que eu “mandava”, pois a gente conversava muito. Eu conversava com os pintores e os marceneiros. Foi uma boa relação.

Blog da Bárbara Fontes: Como foi trabalhar com o professor e crítico de arte, Teixeira Coelho?

Marcela Tokiwa: Foi muito interessante trabalhar com o Teixeira Coelho porque ele era exigente demais e eu também. Tínhamos até algumas diferenças em alguns momentos, porque a gente queria tudo muito certo. Mas ele entendia e eu também entendia, e assim foi um trabalho muito interessante, até que nós dois saímos do MASP por conta da nova diretoria que entrou em 2014. Nos meus últimos dias no museu, recebemos obras de arte africana Iorubá, e eu pude fazer a museografia. Não pude fazer uma pesquisa mais completa porque é um universo imenso, uma arte maravilhosa, não é só a obra em si, mas tem a ver com o comportamento das pessoas. É uma outra relação entre o objeto, a obra e as pessoas.

Blog da Bárbara Fontes: O que aconteceu depois da sua saída do MASP?

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Exposição “Ofício e Engenho”, de Sílvio Nunes Pinto. Crédito: Leopoldo Plentz.

Marcela Tokiwa: Depois que me dispensaram do MASP fui acolhida pela Vera, da Fundação Vera Chaves Barcellos, onde trabalhei na organização da exposição “Ofício e Engenho”, de Sílvio Nunes Pinto [falecido em 2005], desde a coleta, catalogação e a expografia. Sou muito grata à Vera!

Blog da Bárbara Fontes: Como foi trabalhar na montagem da exposição do cineasta alemão Wim Wenders?

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Crédito: Blog +1teko

Marcela Tokiwa: Eu ia muito pouco nas aberturas das exposições que eu montava. Eu me arrependi de não estar na abertura da exposição de Wim Wenders [lançamento mundial da exposição de fotos “Lugares, Estranhos e Quietos”], onde ele me chamou para agradecer em público, e algumas pessoas me contaram depois, o quão grato e emocionado ele ficou. Ele disse que sem a minha presença a exposição não teria sido possível. Isso foi maravilhoso! Pena que eu não ouvi pessoalmente.

Blog da Bárbara Fontes: Marcela, qual é o conselho que você pode dar às pessoas que querem seguir a carreira de curadoria, expografia, restauro e conservação de obras de arte?

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Marcela ministrando um curso de Expografia. Crédito: Tiely Santos.

Marcela Tokiwa: Bárbara, como tive uma carreira sem muita lógica e sim portas abertas e aproveitando as oportunidades; se for para aconselhar, digo que a melhor escolha é a escola: cursos de graduação, especialização onde a pessoa se encontre e tenha prazer no seu trabalho, seja em restauro, curadoria e conservação. Todas estão interligadas em algum aspecto dentro dos campos de museus, galerias e exposições. Professar nesta escolha de área que fará o melhor para si e para o mundo. Acho que é isto!

Para entrar em contato com Marcela Tokwia: marcelatokiwa@gmail.com

Conheça o universo das artes plásticas, a partir dos nomes e lugares citados por Marcela durante o bate-papo:

Regina Silveira

Júlio Plaza

Maria Martins

Teixeira Coelho

Wim Wenders (sobre a exposição) 

Museu da Imigração Japonesa no Brasil 

MASP

MOMA/New York

Pavilhão da Oca

Fundação Eva Klabin

Bienal do Mercosul

24º Bienal de São Paulo

27º Bienal de São Paulo

Exposição “Do Coração da África – Arte Iorubá”

Vera Chaves Barcellos

Fundação Vera Chaves Barcellos

Sílvio Nunes Pinto (matéria)

Embratur tem nova presidente

A ex-deputada federal pelo Estado de Mato Grosso (MDB), Teté Bezerra é a nova presidente do Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR, Brasília/DF. O Blog da Bárbara Fontes foi convidado para a cerimônia de posse, ocorrida na tarde do dia 08 de maio na Sede do instituto, por meio do Ministro de Estado de Turismo, Vinicius Lummertz, ex-presidente da Embratur.

O nome de Teté Bezerra estava sendo cogitado para a presidência da Embratur desde a saída de Vinícius Lummertz, em abril deste ano.

Apesar de ter uma agenda corrida, Teté Bezerra gentilmente conversou, com exclusividade, com o Blog da Bárbara Fontes:

Blog da Bárbara Fontes: Mato Grosso tem agora uma representante ocupando a presidência da Embratur. O que a senhora pode fazer para ajudar o seu Estado nesta nova gestão?

Teté Bezerra: Colocando Mato Grosso em evidência na promoção turística. A Embratur promove o Brasil no exterior e nós temos produtos turísticos importantes consolidados de grande interesse do turista internacional que é o Pantanal e a Amazônia. Vamos dar a devida promoção.

 

Blog da Bárbara Fontes: Como a senhora recebeu o convite para presidir a Embratur?

Teté Bezerra: Eu recebi com muito orgulho essa incumbência, esse desafio de presidir a Embratur. Para mim é uma satisfação muito grande, coroa todo um trabalho que venho desempenhando há mais de oito anos com o turismo, seja como Secretária Estadual de Turismo de Mato Grosso, seja como Diretora do Ministério do Turismo, depois como Secretária Nacional de Qualificação e Promoção, e agora como Presidente da Embratur. Para mim é uma honra muito grande poder trabalhar em prol do turismo porque eu acredito que o turismo é capaz de contribuir com a economia do país e também gerar emprego e renda.

 

Blog da Bárbara Fontes: Teté, qual é a sua missão na Embratur?

Teté Bezerra: Bárbara, com relação a missão que a mim está sendo designada, tramita no Congresso Nacional a transformação da Embratur, que é um instituto, em uma agência. E com isso, é capaz de ter uma condição econômica melhor e ter mais recursos alocados, ajudando diretamente a promoção do Brasil no exterior. Nós precisamos investir mais na promoção do Brasil no exterior. A criação dessa agência já foi solicitada pelo presidente da Câmara dos Deputados, com a urgência para votação. Agora nós vamos trabalhar junto à Câmara para que seja colocada em pauta e que seja votada.

 

Aventuras na Irlanda

Jornalista brasileiro conta como é a sua vida no país da banda de rock U2

Nem sempre um título de uma matéria aparece como num passe de mágica! No caso deste bate-papo, surgiu depois da leitura da entrevista quando eu me deparei com a rica experiência do jornalista Willian Fidelis na Irlanda, realmente, tem sido uma grande aventura.

Eu conheço Willian há muitos anos e sempre tive um carinho e admiração por ele – lembro de um encontro em Barra do Garças/MT, eu estava filmando um documentário e ele, cobrindo uma comitiva do governo estadual da época. Depois, nos encontramos numa outra cidade (pelos mesmos motivos) e sempre que era possível, nos víamos em Cuiabá. Quando soube que ele partiria para a Irlanda, eu fiquei muito feliz e já imaginava que seria uma experiência de vida que ele levaria para o resto de sua vida.

A ideia de entrevistar o jornalista foi a de compartilhar a história dele para todas as pessoas que sonham em fazer intercâmbio ou viver no exterior, mas não tem a famosa ‘coragem’. Não ter coragem de viver num país diferente, ainda mais nesses tempos de intolerância com o estrangeiro, não é ser covarde – que isso fique bem claro! A mudança deve ser planejada e tem de juntar dinheiro, sim. Não se iluda achando que ‘chegando lá’ tudo se ajeita. Não se ajeita e corre o risco de passar frio, fome e ser deportado. Willian foi muito generoso  em relatar com detalhes a sua grande aventura de vida, e eu desejo que sirva de inspiração e orientação para todos que querem desbravar o mundo!

Blog da Bárbara Fontes: Willian, fale um pouco de você para que os leitores do Blog possam te conhecer:

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Willian Fidelis na Irlanda. Acervo Pessoal

Willian Fidelis: Meu nome é Willian Fidelis de Lima, tenho 37 anos, sou cuiabano, sou jornalista formado pela UFMT, eu já fiz alguns trabalhos como ator de teatro no Brasil. Eu fiz pós-graduação em Cinema. Nasci em Cuiabá, mas fui criado numa cidade chamada Paranatinga. Mudei para Cuiabá com 17 anos, onde fui fazer o Segundo Grau (hoje, Ensino Médio). Depois, fui para a faculdade e fiquei em Cuiabá desde então.

Blog da Bárbara Fontes: Como você foi parar na Irlanda?

Willian Fidelis: Eu estou aqui na Irlanda já vai fazer dois anos e meio. Eu vim em outubro de 2015, para estudar inglês porque eu já tinha 35 anos e a vida estava passando e queria estudar fora. Eu estudava inglês no Brasil, mas não era a mesma coisa. Decidi juntar as minhas economias e vim para cá para estudar inglês e estou aqui desde então. Esse aprendizado de morar fora foi uma coisa que eu sempre quis, desde a adolescência, mas eu nunca tinha coragem até então. E aí, eu criei coragem e vim para a Irlanda.

Blog da Bárbara Fontes: Que tipo de intercâmbio você fez?

Willian Fidelis: Eu não me inscrevi em programa de intercâmbio de governo. Eu sempre quis fazer um intercâmbio de curso de inglês. Eu comecei a pesquisar as agências e os países que facilitavam a entrada de estrangeiros, um lugar onde você poderia trabalhar e estudar. Em meio às minhas pesquisas surgiu a Irlanda, porque os outros países que eu pesquisei, como os Estados Unidos, é uma dificuldade para conseguir o visto para nós brasileiros e não permite o trabalho. Eu como não tenho condições financeiras de me sustentar (ou de minha família me sustentar), eu precisava trabalhar. Nas minhas pesquisas o que surgiu de melhor foi aqui, apesar de que Londres também permitia o visto de trabalho para estudante. A Austrália e a Nova Zelândia permitem o trabalho, mas, a passagem era muito cara e é muito longe. Foi então que eu me convenci de vir para cá.

Blog da Bárbara Fontes: Como planejou a viagem?

Willian Fidelis: Eu juntei dinheiro. Desde que eu comecei a trabalhar como jornalista, eu sempre juntava um pouquinho. Quando foi em 2015, eu trabalhava no governo e fiquei desempregado, e eu pensei: ou eu faço isso agora, ou eu gasto todas as minhas economias, porque estava difícil arrumar emprego e eu estava só conseguia fazer ‘bico’, trabalhando com assessoria de esporte. Ganhava uma graninha, mas não era o suficiente. Então, eu decidi pegar a minha grana (para viajar), mas ainda faltava dinheiro e fiz uma rifa de uma televisão que eu tinha recém comprado. Decidi rifar porque eu ia ficar fora o país e a televisão ficaria parada. Os amigos e familiares me ajudaram e eu consegui juntar mais um pouco do dinheiro e o restante, eu peguei uma grana emprestada, o que me ajudou muito. E foi assim que eu cheguei aqui na Irlanda.

Blog da Bárbara Fontes: Willian, como foi a sua chegada na Irlanda e como você foi se adaptando ao intercâmbio?

Willian Fidelis: Eu achei uma escola pela agência que eu estava pesquisando. Fechei com a agência, paguei a escola, paguei a passagem e vim. Saí do Brasil no dia 27 de outubro de 2015, cheguei aqui do dia 28 para 29 de outubro. Minhas aulas começaram logo na segunda-feira, 02 de novembro. Eu cheguei aqui no começo do outono, começando o frio. Aqui no outono já é inverno e começa a ficar bem fria. Para um cuiabano acostumado a 45 graus à sombra, a temperatura já estava bem fria. E os primeiros meses foram bem interessantes, houve um pouco de ansiedade com frustração e aprendizado, um mix de todas essas coisas, porque é tudo muito novo, tudo diferente. Há uma língua diferente que você tem de aprender. Você, também, tem de dividir casa com outras pessoas, dividir quarto com pessoas que você não conhece. É tudo um aprendizado. Então, no começo foi assim, um mix de tudo um pouco. E ansiedade para aprender o idioma e, também, para arrumar um emprego, né? Porque as minhas economias estavam indo muito rápido, porque você tem de pagar o aluguel, tem de comer, pagar o transporte. A escola estava paga, mas outras coisas não. Então, eu tinha de dar um jeito de arrumar trabalho. Eu procurava, procurava, mas, como o idioma não estava legal, era difícil de achar.

Blog da Bárbara Fontes: Como você conseguiu emprego?

Willian Fidelis: Como eu não conhecia muita gente, apenas os alunos da escola e alguns brasileiros, o que funciona muito aqui é a indicação para arrumar trabalho fixo. Se você quiser fazer os bicos, você pode fazer, por exemplo, tem a galera que faz bolo, unha, o riquixá, que é um transporte de bicicleta, tipo tuk-tuk, enfim, tem a galera que faz esse tipo de trabalho. Eu buscava um trabalho onde eu teria a certeza de que ganharia alguma coisa certa. Eu estava sempre procurando e entregando currículo na cara dura. Entrava nos restaurantes, nas lojas, mesmo sem ter tanta experiência. Eu tinha algumas experiências de trabalho no Brasil, antes da faculdade. Eu já trabalhei como balconista numa padaria. Então, eu coloquei isso no meu currículo. Aqui, mesmo com um diploma de qualquer profissão no Brasil, se você não tem o idioma fluente, se você não valida o diploma aqui, você não é ninguém! Então, você tem de procurar um trabalho que seja braçal mesmo e eu fiz isso. Coloquei no currículo as experiências que eu tive no Brasil e fui procurar.

Blog da Bárbara Fontes: E achou?

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Nosso kitchen Porter deu uma paradinha no trabalho para mandar uma foto para blog 🙂

Willian Fidelis: Só que não estava funcionando bater de porta-em-porta. E aí, me falaram dos sites de emprego. E eu procurei pelos sites. Eu fiquei um final de semana inteiro aplicando currículos online. Eu mandei muitos currículos. E na outra semana, um restaurante de um hotel de uma cidade vizinha me ligou para fazer um teste e fui aprovado e já comecei a trabalhar. Logo acabou a minha aula e já me mudei de Dublin para essa cidade do interior porque eu tinha mais seis meses de visto para trabalhar. E foi o que eu fiz, trabalhei sete meses nesse hotel e juntei uma grana, renovei a matrícula da escola, mudei de casa de novo, voltei para Dublin, arrumei um outro trabalho em outro restaurante onde estou desde então. Eu renovei mais uma vez o meu visto e o meu curso de inglês. Atualmente, eu estou trabalhando como auxiliar de cozinha, como chamam no Brasil, aqui se chama “kitchen Porter” que é lavar prato, panela, chão e tudo mais que os chefs pedirem. É um trabalho difícil, muito pesado, mas você ganha a vida porque tem o seu salário e paga as suas contas.

Blog da Bárbara Fontes: Nesses tempos de intolerância com a entrada de estrangeiros na Europa, você sofreu algum tipo de preconceito?

Willian Fidelis: Eu não tenho problema em relação com preconceito. Você nota algumas coisas, mas, é comum você ver, como também acontece no Brasil alguma coisa de preconceito racial, no caso. Mas aqui não é tanto por causa da cor, é mais por causa de você ser estrangeiro, mas não é todo mundo, não. Não é sempre que você vê isso, só em alguns lugares específicos que você vê alguns olhares. Mas como aqui é uma cidade cosmopolita, tem gente de todas as partes do mundo, então, já virou comum ter pessoas diferentes. Em alguns casos específicos, você nota alguma coisa, por exemplo, eu tenho uma amiga que toda vez que andava na rua, algumas pessoas cochichavam coisas assim: “volta para casa”. Mas não é muito comum, não.

Blog da Bárbara Fontes: Quando eu morava na Suécia, tinha pavor dos skinheads, na Irlanda também há algum grupo assim?

Willian Fidelis: Tem uma galera aqui, conhecida como “Knackers”, são a parte mais perigosa da Irlanda. Eles cometem pequenos crimes, assaltos e eles têm um problema com as comunidades diferenciadas, mas, é um problema social do país, que você percebe. Até os próprios irlandeses não são fãs dessa galera, porque eles são mal educados, não respeitam ninguém, se é ou não estrangeiro. Não respeitam ninguém mesmo! De vez em quando se ouve um problema entre essa galera com os brasileiros. A galera que tem problemas avançados com drogas não oferece perigo, porque quando você vê, consegue fugir. Mas os mais novinhos não, é uma galera mais estranha, mesmo.

Blog da Bárbara Fontes: Você já sofreu algum tipo de perseguição?

Willian Fidelis: Teve uma vez em que fui atacado por seis adolescentes, eu estava chegando em minha casa. E esses adolescentes estavam tacando ovos na casa da frente, eu não tinha como não passar por eles e passei por trás, mas, eles me viram e começaram a tacar ovos em mim, mas eu logo cheguei e o pessoal da minha casa correu pra rua e os adolescentes correram. É um pessoal muito covarde. Esse foi o único problema que eu tive.

Blog da Bárbara Fontes: Willian, além do seu trabalho no restaurante, você, também, trabalha com o Audiovisual e já participou de duas séries de TV bem famosas. Como isso aconteceu na sua vida?

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Willian na série Vikings

Willian Fidelis: Essa questão do audiovisual foi assim: logo que eu cheguei na Irlanda, eu comecei a ver que aqui é um grande polo de produção de filmes, de séries, coisas voltadas para televisão. Como é um país pequeno, você fica sabendo muito das coisas que estão acontecendo. E quando eu cheguei, eles estavam tendo uma audição para figuração. Eles (os produtores) anunciam nas escolas e nos sites de que precisam de pessoas de estilos diferentes, porque a população natural daqui, são geralmente, branca. Então, para algumas séries, eles precisam de pessoas de estilos diferentes como asiáticos, descendentes de africanos, negros, chineses, enfim, para misturar um pouco as aparências. E logo que eu cheguei, eu vi isso. Fiz uma audição entre novembro e dezembro de 2015, preenchi o formulário, tiraram foto e pegaram o meu telefone. Algumas semanas depois me ligaram. Só que quando me ligaram, eu não conseguia me comunicar em inglês ainda, porque estava aprendendo. Eu sabia de algumas coisas, mas, comunicar por telefone, ainda não sabia. Passei para um amigo falar, e eles disseram que precisavam de que eu falasse o idioma porque haveria algumas ordens de comando.

WillianFidelis_Vikings2Passou um tempo, e quando foi no ano passado, em 2017, eu estava na escola e uma amiga falou que estava tendo audição de novo para a série Vikings. Eles fizeram essa audição para essa série, e a minha amiga disse: vamos lá fazer. Como eu estava de folga, fomos lá. Fiz a audição, algumas semanas depois, eles me ligaram. Eu gosto da minha barba, eu sempre uso, e na audição eu estava com barba, e eles tiraram fotos, pegaram os meus dados e falaram: “deixa a sua barba crescer e o cabelo também”. Eu falei: “beleza”. Passou mais algumas semanas, eles me ligaram e eu fui fazer a participação de figuração na série Vikings.

 WillianFidelis_Vikings3Blog da Bárbara Fontes: Que bacana! Como foi esse trabalho no Vikings?

Willian Fidelis: Foi uma experiência muito grande. Eu gostei muito de participar. No Brasil, a série passa na History Channel. E a gente gravou a sexta temporada. No Brasil deve estar passando a quinta temporada. A sexta, deve passar no Brasil, acho que no final desse ano de 2018, começo de 2019. Nós gravamos em 2017, eles ainda estão em produção, acho que termina agora em maio, mas eu não estou mais participando.

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Você gostou mesmo desse mundo cinematográfico, até já está em outra série! Como isso aconteceu?  

willian1Willian Fidelis: Nesse ano, eu estava na internet – é que tem várias produtoras de casting – e tem uma que eu sigo no Facebook, e que anunciou que estava precisando para outra série chamada “Into the Badlands” – que não é muito popular, mas é uma série, também, uma produção americana e canadense, é bem famosa nesses países. Mas é produzida aqui porque tem um custo mais barato. A direção e a produção são americanas. E eu fui fazer figuração para essa série.  No anúncio, eles já falavam: “precisamos de pessoas asiáticas, afro ou afrodescendente ou latinos. Aí você manda a foto pra eles, preenche o formulário e eles chamam pela aparência. Teve pessoas que fizeram as audições, mas não foram chamadas porque não encaixavam no perfil.

Blog da Bárbara Fontes: Como é trabalhar em duas famosas séries de TV?

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Willian no set de “Into the Badlands”

Willian Fidelis: O figurino é bem diferente da série Vikings – essa é uma série mais antiga, né? E a Into the badlands é uma série futurística, de um mundo imaginário – mistura o antigo com o presente, um mundo irreal. Foram dois dias de gravação com eles. Era pra ter gravado essa semana de novo, mas eles cancelaram, e agora, estou aguardando e eu não posso mudar o meu visual. Eu quero cortar o cabelo, raspar um pouco a barba, dar uma baixada na barba, mas eu estou esperando eles me chamarem. A “Into the Badlands” é uma série muito legal, bem diferente. Eu gravei uma interna numa biblioteca, depois gravamos uma externa numa fazenda – como se fosse  uma entrada de um palácio deles. A produção é muito grande , tem todo um aparato . Vc chega nos lugares tem uma tenda enorme com aquecedor, tem a comida pra tomar o café da manhã e já troca de roupa, faz a maquiagem,faz o cabelo até eles chamarem para fazer a cenas. E passa o dia inteiro lá, depois um ônibus nos deixa na cidade. Pra mim foi uma experiência muito bacana. Eu gostaria de trabalhar mais com isso aqui.

Blog da Bárbara Fontes: Você é formado em Jornalismo e é uma profissão que tem no mundo todo. Você pensa em atuar na Irlanda?

Willian Fidelis: Atuar como jornalista aqui é complicado porque você tem de ter domínio total do idioma e isso leva muito tempo. Você tem de ter um visto de permissão de trabalho, e o meu período aqui está acabando. Meu visto de estudante está acabando. Eu poderia fazer um visto de estudante de inglês, eu poderia fazer uma outra faculdade aqui, mas para mim não compensa, porque, além de ser muito caro, a maioria dos cursos, os mais baratos, não são da minha área, algo que nunca vou usar, que é na área de comércio, de business, que não faz parte do que eu gosto de fazer, do que eu faço no Brasil. Os cursos que eu gostaria de fazer é muito, muito caro. Eu não tenho condições financeiras para isso.

Blog da Bárbara Fontes: Você, realmente, tem vivido coisas incríveis na Irlanda. Eu sei que não é fácil viver em outro país, porém, você está se saindo muito bem. Você tem planos de voltar a viver no Brasil?

Willian
Mais uma foto para o Blog, tirada neste domingo (06/05)

Willian Fidelis: Eu estou num momento de transição, de pensamento, de planejamento, ainda sem nada definido, mas em alguns meses eu tenho de voltar para o Brasil ou ir para outro lugar onde eu possa trabalhar, possa viver legalmente, porque aqui já vai chegar um momento que não poderei mais ficar por aqui. Eu ainda não tenho nada planejado, só coisas na minha cabeça, não tem nada definido. Até julho eu tenho de estar com tudo definido sobre o que eu vou fazer, mas ainda não tenho nada definido, só planos na minha cabeça. Eu estou pedindo iluminação a Deus para me dar entendimento sobre o que fazer nesses próximos meses. No momento, eu só estou trabalhando para juntar o dinheiro, não quero voltar para o Brasil sem dinheiro de uma vez.

Defensoria Pública

“Como da Defensoria Pública pode ajudar as mulheres vítimas de violência?”

TÂNIA MATOS, defensora pública, responde:

“A Defensoria pública acompanha às mulheres em situação de violência nas audiências junto ao fórum. Pode requerer medidas protetivas quando ocasionalmente não são pedidas na Delegacia. Se por ventura ocorrer da Delegacia não querer registrar algum Boletim de Ocorrência (B.O.), alegando que não é crime (isso é muito difícil acontecer) oficiamos à Delegacia relatando pormenorizadamente o fato, pedindo providências.

Quando a mulher vítima de violência não quer registrar ocorrência, mas deseja sair da casa, a Polícia Civil não pode acompanhar a mulher até a casa dela para retirar seus pertences, então, nesse particular, a Defensoria age em parceria com a Guarda Municipal para que ela possa retirar seus pertences e se sinta protegida.

A Defensoria pública promove ações de divórcio, dissolução de sociedade de fato, regularização de guarda e pensão. Encaminha para outros órgãos da Rede de Proteção à Mulher. Além disso, a Defensoria compõe junto com outras entidades a Rede de Enfrentamento à violência doméstica contra à Mulher cujo lançamento aconteceu no dia 08 de março.

TâniaMatos_DefensoraPública

 

Tânia Regina de Matos, formou-se em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso, é especialista em Psicanálise e em Ciências Penais, autora do livro: “As detentas do presídio feminino, crônicas das execuções penais”. É palestrante, membro da comissão da mulher da OAB, seccional Várzea Grande, da BPW, Mulheres Profissionais e de Negócios de Várzea Grande, do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial, da Associação de Mulheres de Carreiras Jurídicas de Mato Grosso. É uma das associadas e fundadoras da LÍRIOS (Organização da Sociedade Civil que assiste mulheres em situação de violência).  É Defensora Pública do Estado há 17 anos, atua na vara da violência doméstica e familiar em Várzea Grande.