Hino de Mato Grosso

Conheça a história de um dos hinos mais belos do Brasil

 

Quando Dom Aquino Corrêa terminou o “Canção Mato-grossense” não imaginava que a obra literária atravessaria o século e se tornaria o hino oficial de Mato Grosso. O poema foi escrito para homenagear o bicentenário de Cuiabá, celebrado no dia 8 de abril de 1919. É importante ressaltar que durante décadas, a capital cuiabana (fundada em 1719) pertencia à Capitania de São Paulo e somente em 1748, com a nomeação do primeiro Capitão-general pela Coroa Portuguesa, Antônio Rolim de Moura, é criado o Estado, portanto, Cuiabá é legalmente mais velha do que Mato Grosso.

 

 

Em 1919, Mato Grosso era outro, assim como a sua capital. Não existia o estado de Mato Grosso do Sul e ainda se ouvia histórias sobre a famigerada Gerra do Paraguai, também conhecida como a Guerra da Tríplice Aliança ou a Grande Guerra. Iniciada em dezembro de 1864, matou milhares de brasileiros, inclusive mato-grossenses, e paraguaios até o seu término em março 1870. Ainda havia resquícios da guerra em Mato Grosso e a ferida não estava totalmente cicatrizada.

 

 

Francisco Aquino Corrêa, nascido em Cuiabá na mesma casa do político Joaquim Murtinho, hoje o Museu Dom Aquino, situado às margens do rio Cuiabá (na avenida Beira-Rio), fez questão de relembrar na obra “Canção Mato-grossense” os heróis cuiabanos que lutaram bravamente na Guerra do Paraguai. Se hoje, Corumbá e Dourados permanecem no território brasileiro é graças aos cuiabanos que deixaram as suas famílias para defender estas cidades tomadas pelas tropas do presidente paraguaio Francisco Solano Lópes, mentor e executor da Grande Guerra. Dom Aquino não queria que o povo mato-grossense se esquecesse dessa parte dolorida da história do Brasil. E nem dos bravos Antônio João Ribeiro, que comandou a colônia militar de Dourados, e  Antônio Maria de Coelho, que liderou a retomada de Corumbá em 13 de junho de 1865. Antônio Maria (Barão de Amambaí) foi o primeiro governador de Mato Grosso depois da proclamação da República, e também é o criador da bandeira do Estado. Na Cuiabá de 1919, também havia outra questão que tirava o sono de muita gente: já se falava, confabulava a respeito da divisão de Mato Grosso, e Dom Aquino era contra.

 

 

O Hino de Mato Grosso

Limitando, qual novo colosso,
O Ocidente do imenso Brasil,
Eis aqui, sempre em flor, Mato Grosso,
Nosso berço glorioso e gentil! 

Eis a terra das minas faiscantes,
Eldorado como outros não há,
Que o valor de imortais bandeirantes
Conquistou ao feroz Paiaguá! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu
Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal! 

Terra noiva do Sol, linda terra
A quem lá, do teu céu todo azul,
Beija, ardente, o astro louro na serra,
E abençoa o Cruzeiros do Sul! 

No teu verde planalto escampado,
E nos teus pantanais como o mar,
Vive, solto, aos milhões, o teu gado,
Em mimosas pastagens sem par! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu
Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal! 

Hévea fina, erva-mate preciosa,
Palmas mil são teus ricos florões;
E da fauna e da flora o índio goza
A opulência em teus virgens sertões! 

O diamante sorri nas grupiaras
Dos teus rios que jorram, a flux.
A hulha branca das águas tão claras,
Em cascatas de força e de luz! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu 

Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal!
Dos teus bravos a glória se expande
De Dourados até Corumbá;
O ouro deu-te renome tão grande,
Porém mais nosso amor te dará! 

Ouve, pois, nossas juras solenes
De fazermos, em paz e união,
Teu progresso imortal como a fênix
Que ainda timbra o teu nobre brasão! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu
Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal!

 

 

Criado por meio do Decreto n. 38, de 03 de maio de 1983, pelo então governador Júlio Campos, após uma avaliação realizada entre os anos de 1982 e 1983, por uma comissão formada por Adauto Dias de Alencar, pelos jornalistas Pedro Rocha Jucá e Arquimedes Pereira Lima (que conviveu com Dom Aquino), Marília Beatriz de Figueiredo Leite (filha do desembargador e primeiro escritor Modernista do Estado, Gervásio Leite), e Lidio Modesto.  A missão da equipe de intelectuais e estudiosos da História e Cultura de Mato Grosso era reconhecer oficialmente ou não o Hino de Mato Grosso. O motivo era que o poema de Dom Aquino cita as cidades de Corumbá e Dourados que, com a divisão do estado em 1977, não pertenciam mais a Mato Grosso. Hoje, as duas cidades fazem parte de Mato Grosso do Sul. A comissão decidiu manter a letra original pelo valor histórico que possui. Segundo trecho do Relatório da Comissão,

 

“Mas o heroísmo dessas figuras não diz respeito apenas a Mato Grosso, e sim ao Brasil, nas circunstâncias por que passava a soberania nacional”

 

O Relatório completo está disponível para pesquisa na Superintendência de Arquivo Público de Mato Grosso. Segundo o documento, que revelou vários aspectos da letra do Hino de Mato Grosso, o termo “qual novo colosso”, na primeira estrofe faz uma comparação entre Mato Grosso e o Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e que já não existe mais. No trecho “teu progresso imortal como a Fênix”, representa o Estado que, mesmo passando por dificuldades, renascia sempre para o progresso. A alusão está presente também nos brasões de Cuiabá, e de Mato Grosso. Na mitologia grega, o pássaro Fênix é queimado e ressurge das cinzas.

 

 

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Marília Beatriz. Foto: Ahmad Jarrah (acervo pessoal)

 

O Blog da Bárbara Fontes conversou com a advogada, escritora e ex-presidente da Academia Mato-grossense de Letras (AML), Marília Beatriz de Figueiredo Leite, que fez parte da comissão que analisou o Hino de Mato Grosso:

 

 

Blog da Bárbara Fontes: O Hino de MT é importante nos dias de hoje? Por quê?

Marília Beatriz: Toda solenidade deve ter uma celebração e nada melhor do que uma canção para apontar os fatos e os feitos significantes de um território.

 

Blog da Bárbara Fontes: No início da década de 1980, a senhora fez parte da Comissão que analisou o Hino de Mato? Qual era o objetivo? O que a Comissão decidiu?

Marília Beatriz: O objetivo era o estudo e a adequação do Hino ao momento histórico.
Havia ocorrido a divisão do Estado e assim era necessária uma avaliação conjuntural.
A comissão decidiu que devia permanecer como era. Se me lembro, eu fui voz discordante pois entendia que Dourados e Corumbá não pertenciam ao estado nascente.

 

Blog da Bárbara Fontes: Quando a senhora ouve o Hino de Mato Grosso, quais sentimentos lhe chegam?

Marília Beatriz: Quando ouço o hino sinto realmente uma emoção pelo amor que devoto ao estado que adotei e a terra dos meus pais.

 

Blog da Bárbara Fontes: Na sua opinião, o Hino de MT deve ser cantado nas escolas como uma obrigação ou somente em momentos festivos?

Marília Beatriz: Entendo que fazer do canto do Hino uma obrigação escolar é perder o sabor, o prazer da surpresa. O que é obrigatório deixa de ter emotividade e passa a ser mera prisão de nenhuma cidadania. O hino é saudação, celebração e como tal deve ser tocado, escutado em liberdade.

 

 

 

Dom Aquino Corrêa

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Foto: Missão Salesiana de Mato Grosso

Uma das maiores mentes de Mato Grosso, Dom Francisco de Aquino Corrêa foi o primeiro cuiabano a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Nasceu em 2 de abril de 1885. Foi o bispo mais jovem do Brasil e se tornou Arcebispo de Cuiabá. Fundou a Academia Mato-grossense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Publicou dezenas de livros como “Odes” e “Terra Natal”. Também foi governador do Estado entre os anos de 1818 à 1922. Faleceu na capital de São Paulo em 22 de março de 1956.

 

 

 

Memória Afetiva

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Bárbara Fontes repassa a cena com os Nambiquaras. Foto: Acervo Pessoal

 

Em 2007, eu recebi uma das maiores missões da minha vida profissional: roteirizar e dirigir um videoclipe do Hino de Mato Grosso para o Sebrae-MT. Por meses, eu me debrucei nos acervos sobre Dom Aquino Corrêa e tudo o que envolve a história do hino. Assim nasceu a obra cinematográfica, exibida em quase todos os países do mundo, “Canção Mato-grossense”. O título do videoclipe é em homenagem a Dom Aquino, e mostra as belezas de naturais, a cultura popular e a vida moderna dos mato-grossenses, porém, se esquecer dos verdeiros donos da terra: os indígenas. A trilha sonora reúne os ritmos musicais presentes no Estado. Para realizar a obra cinematográfica foi necessário reunir uma equipe de 120 pessoas e foram utilizados os equipamentos mais sofisticados na época, como uma Redcam (câmera) vinda dos EUA, novidade em Hollywood e utilizada pelo cineasta Steve Spielberg.

 

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Bárbara Fontes e equipe filmam na Aldeia Nambiquara. Foto: Acervo Pessoal

Foi um importante marco para o Audiovisual mato-grossense que contou com o apoio  financeiro e logístico do Sebrae-MT que acreditou no projeto, e que apostou na contratação de uma cineasta mulher criada em Mato Grosso. É importante que eu cite uma pessoa que foi fundamental na escolha de meu nome para o Sebrae-MT: Magna Domingos – uma das mais importantes produtoras culturais do Brasil. Infelizmente, ela nos deixou no final de 2018. Minha gratidão à querida Magna!

 

 

Acesse o link do videoclipe “Canção Mato-grossense” – Hino de Mato Grosso aqui:

 

 

 

*Esta reportagem tem informações da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado de Mato Grosso (Secom-MT).

**Foto de capa: Bandeiras de Mato Grosso e do Brasil. Foto: Lenine Martins/Secom-MT

 

***Matéria publicada no dia em que Mato Grosso completou 271 anos, em 09 de maio de 2019.

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Carnaval – música e letra

Conheça ou relembre canções que falam de carnaval.

 

O Blog da Bárbara Fontes montou um playlist onde o carnaval aparece direta ou indiretamente.

 

São canções que retratam fielmente e com toda poética, elementos que compõe a essência do carnaval como o barracão onde o sonho carnavalesco surge; as escolas de samba; os blocos de rua; os foliões e o povo que assiste; o samba e por fim, a quarta-feira de cinzas.

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Foto: acervo Bárbara Fontes

As músicas citadas foram encontradas no meu acervo pessoal composto de discos, cds e dvds, porém, podem ser encontradas em vários sites especializados.

 

Você também pode colaborar com esta playlist. Deixe a sua música (precisa ser antiga e sobre Carnaval) nos comentários. Ela será incluída na lista.

 

Confira abaixo as canções preferidas do Blog (com trechos) e os seus respectivos compositores:

 

1- Abre Alas (1899)

Compositora: Chiquinha Gonzaga

Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar

 

2- Retalhos de Cetim

Compositor: Benito de Paula

Mas chegou o carnaval
E ela não desfilou
Eu chorei, na avenida eu chorei
Não pensei que mentia a cabrocha
Que eu tanto amei

 

3- Portela na avenida (1981)

Compositor: Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte

Portela
Eu nunca vi coisa mais bela
Quando ela pisa a passarela
E vai entrando na avenida
Parece
A maravilha de aquarela que surgiu
O manto azul da padroeira do brasil
Nossa senhora aparecida
Que vai se arrastando
E o povo na rua cantando
É feito uma reza, um ritual
É a procissão do samba abençoando
A festa do divino carnaval

 

4- Porta aberta (1973)

Compositor: Luiz Ayrão

Por isso, a nostalgia tomou conta de mim
Mas um amigo percebeu e disse assim:
“Para que tanta tristeza, rapaz?”
“Acabe com ela, vem comigo conhecer”
“A Portela, Portela”
Fenômeno que não se pode explicar
Portela, Portela
Uma corrente faz a gente sem querer sambar
É ela, é ela
O novo amor a quem eu quero agora me entregar.
O samba fez milagres
Reabriu meu coração para a Portela entrar.

 

5- É hoje

Compositor: Caetano Veloso

A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar

 

6- Vai passar

Compositor: Chico Buarque

Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

 

7- Eu quero é botar o meu bloco na rua (1973)

Compositor: Sergio Sampaio

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

(…)

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

 

8- We are the world of carnaval

Compositor: Nizan Guanaes

Ah, que bom você chegou
Bem-vindo a Salvador
Coração do Brasil
Vem, você vai conhecer
A cidade de luz e prazer
Correndo atrás do trio
Vai compreender que o baiano é
Um povo a mais de mil
Ele tem Deus no seu coração
E o Diabo no quadril
We are Carnaval
We are, we are folia
We are, we are the world of Carnaval
We are Bahia

 

9- Atrás do trio elétrico (1969)

Compositor: Caetano Veloso

Atrás do trio elétrico
Só não vai quem já morreu
Quem já botou pra quebrar
Aprendeu, que é do outro lado
Do lado de lá do lado
Que é do lado de lá

 

 

10- Hino do Galo da Madrugada

Compositor: Alceu Valença

Ei pessoal, vem moçada
Carnaval começa no Galo da Madrugada (BIS)

A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada, já está na rua, saudando o Carnaval
Ei pessoal..

 

11- Enredo do meu samba

Compositor: Jorge Aragão

Não entendi o enredo desse samba, amor
Já desfilei na passarela do teu coração
Gastei a subvenção
Do amor que você me entregou

Passei pro segundo grupo, e com razão

 

12- Tristeza pé no chão (1973)

Compositor: Armando Fernandes “Mamão”

Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação

 

13- Manhã de Carnaval

Compositores: Luiz Bonfá e Antonio Maria

Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

 

14- Maria, carnaval e cinzas

Compositor: Roberto Carlos

Nasceu Maria quando a folia
Perdia a noite, ganhava o dia
Foi fantasia seu enxoval
Nasceu Maria no Carnaval
E não lhe chamaram assim
Como tantas Marias de santas
Marias de flor, seria Maria
Maria somente, Maria semente
De samba e de amor
Não era noite não era dia
Só madrugada, só fantasia
Só morro e samba
Viva Maria

 

15- Depois do carnaval

Compositor: Beto Scala/São Beto

Depois do carnaval eu vou tomar juízo,
Há muito que eu preciso me regenerar,
Largar mão da viola, procurar batente,
Preciso urgentemente,
Me estabilizar.

Mais tarde vem você,
Depois do carnaval,
Você vai compreender,
Que é muito natural.

 

16- Folhas Secas (1973)

Compositor: Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha estação primeira
Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando

 

17- Máscara Negra

Compositor: Zé Keti

Tanto riso, oh quanta alegria.  Mais de mil palhaços no salão Arlequim está chorando pelo amor da Colombina                    No meio da multidão.

(Dica da leitora Denise Fonte)

 

 

Cultura

Lei Rouanet é extinta. Conheça a nova Lei de Incentivo à Cultura.

 

O Ministério da Cidadania publicou no Diário Oficial da União (DOU), do dia 24 de abril, por meio do Gabinete do Ministro, a Instrução Normativa (IN) Nº 2, de 23 de abril de 2019, onde estabelece procedimentos para apresentação, recebimento, análise, homologação, execução, acompanhamento, prestação de contas e avaliação de resultados de projetos culturais financiados pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). O Pronac é o maior programa de fomento à Cultura do país e mudanças já eram esperadas a partir janeiro deste ano, quando iniciou o governo Bolsonaro. A Lei Rouanet como conhecemos não existe mais, e a partir da publicação no DOU, a nomenclatura que vale é ‘Lei de Incentivo à Cultura’. Acabar com a Lei Rouanet, assim como o Ministério da Cultura (hoje é a Secretaria Especial de Cultura, vinculado ao Ministério da Cidadania) eram promessas de campanha à presidência do Brasil, do então candidato Jair Bolsonaro.

 

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Ministro Osmar Terra. Foto: Diego Queijo/Assessoria de Comunicação/Ministério da Cidadania

O anúncio foi feito pelo ministro Osmar Terra, dois dias antes da publicação no Diário Oficial da União: “Queremos que os pequenos e médios artistas, de todas as regiões, sejam beneficiados pela Lei. Mais projetos apoiados significa mais atividades culturais em mais cidades do Brasil. É a cultura chegando mais perto de cada brasileiro, e construindo cidadania”, disse Terra, segundo informações da Assessoria de Imprensa do Ministério da Cidadania.

 

As mudanças na Lei de Incentivo à Cultura dividiram opiniões de artistas e produtores culturais, como apontou uma reportagem da Agência Brasil (24/04): a redução do teto dos projetos contemplados de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão, pode prejudicar os programas culturais que promovem emprego e renda em todo país. Também há preocupação com a redução do valor de R$ 60 milhões para R$ 10 milhões, o valor máximo que uma empresa pode financiar, o que também pode prejudicar grandes eventos culturais, geralmente gratuitos, que acontecem durante o ano todo nas grandes capitais. Essas reduções, segundo consta na Instrução Normativa Nº2, seguem de acordo “para o cumprimento do princípio da não concentração, disposto no § 8º do art. 19 da Lei nº 8.313, de 1991”. Ela também estabelece que o proponente que apresentar o seu primeiro projeto junto ao Pronac até o valor de R$ 200 mil reais, está dispensado da comprovação de atuação na área cultural.

 

Mario Olimpio
Mario Olimpio/Acervo Pessoal

 

A respeito da descentralização de recursos proposta na Instrução Normativa Nº 2: “a mudança é boa para o Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mas as mudanças na Instrução Normativa devem vir acompanhadas de ações efetivas para estimular o investimento das empresas nos projetos desses Estados.”, disse o advogado e produtor cultural, Mario Olímpio que atualmente mora em Brasília, para o Blog da Bárbara Fontes.

 

 

Silvana Córdova
Silvana Córdova/Acervo Pessoal

 

Também conversou com o Blog, a produtora cultural de Cuiabá/MT, Silvana Córdova, que contou sobre sua experiência na elaboração de projetos via Lei Rouanet:

 

 

 

 

 

Já são 8 anos que faço projetos para Rouanet principalmente para o Grupo Cena Onze. Inscrever projetos através do sistema salicweb, não tem muitos segredos é fácil, e podemos contar ainda com um Manual disponibilizado pelo site do Ministério da Cidadania. E se bem elaborado, ele também é facilmente aprovado. A problemática está em captar o valor aprovado, eu mesma já perdi as contas de quantos projetos meus já foram aprovados e tão poucos foram realmente captados. A captação para a região Centro-Oeste não é nada fácil e para que se concretize muitas das vezes temos que buscar outros editais para conseguir captar o valor aprovado ou parte dele.

 

Sobre as novas mudanças na Lei de Incentivo à Cultura, Silvana comenta que:

Essa nova mudança da Lei feita pelo governo Bolsonaro, para mim representa uma da mais radicais. Se formos pôr na balança não dá para equilibrar as contas, o valor diminui e a contrapartida social aumenta. Se eles buscam mais democratização da cultura (o que eu acho maravilhoso se isso realmente acontecesse), o Governo deveria investir mais nos projetos. Os projetos anuais de preservação do patrimônio histórico vão ser totalmente prejudicados. Como vão ficar nossos Museus? Grande parte do Museus brasileiros tem projetos aprovados acima do teto estabelecido.

Eu acho sim, que a Rouanet precisava de umas adequações, principalmente para incentivar projetos de “desconhecidos”, pois artistas iniciantes precisam ser incentivados e ter recursos para executar seus projetos. O que acontece é que a grande concentração fica com artistas renomados do eixo Rio e São Paulo. Claramente não há uma preocupação em melhorar o acesso a recursos para os proponentes menores e que estão descentralizados. Pois quando eles alegam que casas financeiras estatais devem deixar de colocar dinheiro em projetos de Rio e São Paulo para concentrar investimentos no Norte e Nordeste, essa democratização não será resolvida sem alargar a base de investidores.

Concordo com grande parte dos produtores culturais que estão se manifestando, alegando que essa é uma forma de transformar a arte e a cultura, que deveriam ser livres e acessíveis a todos, em mais uma mercadoria na mão de empresários.”

 

 

Nova Lei de Incentivo à Cultura

*Áreas culturais que podem receber incentivo e fomento: Artes Cênicas, Audiovisual, Música, Artes Visuais, Patrimônio Cultural Material e Imaterial, Museus e Memória e Humanidades;

 

*Os recursos captados e depositados na Conta Vinculada do projeto tornam-se renúncia fiscal e adquirem natureza pública, não se sujeitando a sigilo fiscal;

 

*Os recursos captados não serão computados na base de cálculo do Imposto sobre a Renda (IR), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins) e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), desde que tenham sido exclusivamente utilizados na execução de projetos culturais, o que não constituirá despesa ou custo para fins de apuração do IR e da CSLL e não constituirá direito a crédito de PIS e Cofins;

 

*Compete à Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) e à Secretaria do Audiovisual (SAV) planejar, coordenar e supervisionar a operacionalização do mecanismo de incentivo a projetos culturais do Pronac (recebimento de propostas; a tramitação de propostas e projetos; o encaminhamento para parecer técnico e monitoramento das análises; o acompanhamento da execução dos projetos culturais; e a análise de prestações de contas e avaliação de resultados dos projetos.);

 

*As ações culturais e suas documentações correspondentes serão apresentadas, por pessoas físicas ou jurídicas, por intermédio do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), acessível no sítio eletrônico da Secretaria Especial de Cultura. O período para apresentação de propostas culturais é de 1º de fevereiro até 30 de novembro de cada ano;

 

*As propostas culturais deverão ser apresentadas, no mínimo, com 90 (noventa) dias de antecedência da data prevista para o início de sua pré-produção, sendo admitidos prazos inferiores em caráter de excepcionalidade, devidamente justificados pelo proponente e desde que autorizados pelo Ministério da Cidadania;

 

*O proponente que apresentar o seu primeiro projeto junto ao Pronac estará dispensado da comprovação de atuação na área cultural, sendo este limitado ao valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais);

 

*As instituições culturais sem fins lucrativos poderão apresentar propostas culturais visando ao custeio de atividades permanentes, na forma de plano anual ou plurianual de atividades. As propostas deverão ser apresentadas até o dia 30 de setembro do ano anterior ao do início do cronograma do plano anual ou plurianual de atividades;

 

*Limites de quantidades e valores homologados para captação por proponente: a) para Empreendedor Individual (EI), com enquadramento Microempreendedor Individual (MEI), e para pessoa física, até 4 (quatro) projetos ativos, totalizando R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Para os demais enquadramentos de Empreendedor Individual (EI), até 8 (oito) projetos ativos, totalizando R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais). Para Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), Sociedades Limitadas (Ltda.) e demais pessoas jurídicas, até 16 (dezesseis) projetos ativos, totalizando R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);

*O valor homologado para captação por projeto fica limitado em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), respeitando-se as exceções. OBS: esses valores não valem para:

I – planos anuais e plurianuais de atividades;

II – patrimônio cultural material e imaterial;

III – museus e memória;

IV – conservação, construção e implantação de equipamentos culturais de reconhecido valor cultural pela respectiva área técnica do Ministério da Cidadania; 

V – construção e manutenção de salas de cinema e teatro em municípios com menos de 100.000 (cem mil) habitantes.

 

*É obrigatória a previsão e a contratação de contador com o registro no conselho de classe para a execução de todos os projetos, podendo o proponente utilizar o profissional de sua empresa.

*É obrigatória a previsão de serviços advocatícios para todos os projetos, ainda que posteriormente o item não venha a ser executado.

*A remuneração para captação de recursos fica limitada a 10% (dez por cento) do valor do Custo do Projeto (Anexo I) e ao teto de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Os valores destinados à remuneração para captação de recursos somente poderão ser pagos proporcionalmente às parcelas já captadas.

*Os custos de divulgação não poderão ultrapassar 30% (trinta por cento) do Valor do Projeto de até R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) e não poderão ultrapassar 20% (vinte por cento) para os demais projetos.

*É obrigatória a inserção das logomarcas do Programa Nacional de Apoio à Cultura – Pronac, do Vale-Cultura e do Governo Federal, conforme disciplinado no art. 47 do Decreto nº 5.761, de 2006, especificados nos respectivos manuais de uso das marcas da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania.

 

Saiba mais:

Instrução Normativa Nº2, de 23 de abril de 2019 aqui.

Site da Lei de Incentivo à Cultura aqui.

Marcas e manual do Pronac aqui.

Ministério da Cidadania: “Nova Lei de Incentivo à Cultura reduz de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão teto de captação por projeto”, acesse aqui.

Agência Brasil: “Artistas e produtores analisam mudanças na Lei Rouanet”, acesse aqui.

Teatro de Sombras

Mais uma chance para conferir o espetáculo ‘A Vila de Pantolux’, do grupo Penumbra, no Cine Teatro Cuiabá nos dias 26 e 27 de abril, às 19h30. Ingressos promocionais.

O Blog da Bárbara Fontes tem acompanhado há algum tempo, a rica trajetória do grupo de teatro de sombras, Penumbra, formado pelos artistas Elton Martins, Jair Junior, Jone Sayd, Julio Rocha, Priscila Freitas e Juliana Graziela. No final desta matéria tem os links da matéria e da reportagem feitas pelo Blog.

Segundo o grupo,

‘A Vila de Pantolux’ teve como ponto de partida a vontade de falar de ciência, caminhando por estudos de geração de eletricidade que abastece uma população, chegamos a figura de uma usina hidrelétrica, com isso achamos então o mote para nossa história, na qual acompanhamos uma vila do interior, que sente necessidade de cada vez mais consumir energia e até que ponto é possível? Uma mãe, um filho e um amigo que nos conduz nesse enredo. Nessa peça vemos o progresso se transformar em sombra literalmente, por uma barragem que se rompe e sendo essa história inspirada no impacto gerado pela inundação decorrida da construção da Usina Hidrelétrica do Manso na Comunidade João Carro, na qual o sombrista Elton Martins morou.

 

Teatro de Sombras contemporâneo

GRUPO PENUMBRA
Divulgação

 

No espetáculo, os artistas projetam figuras recortadas, as sombras deles e próteses corporais em uma junção desses elementos. Em alguns momentos o ator/sombrista transpõe o convencional ao revelar como está sendo projetada a sombra e ao abandonar a tela branca, em que os teatros de sombra são ordinariamente apresentados e as sombras também percorrem as paredes do ambiente.

 

 

 

O grupo Penumbra propõe uma fruição entre a história e o público convidado para acompanhar o protagonista por uma viagem pela arquitetura da Sala Anderson Flores em um meio de transporte que vai adquirindo dimensões disformes à medida que se movimenta pelas paredes.

 

 

Trajetória de sucesso

Grupo Penumbra/Divulgação
Grupo Penumbra no Cine Teatro Cuiabá

O grupo Penumbra surgiu em 2018, durante o Projeto de Teatro de Formas Animadas, onde se apresentou por duas vezes. Logo em seguida, participou da Semana de Formas Animadas do Sesc Arsenal. Em janeiro de 2019, o grupo montou a peça ‘Vila de Pantolux’ no Cine Teatro Cuiabá. A montagem que acontece no final de abril terá algumas surpresas que não foram apresentadas no início do ano.

Residência Artística no Sul do país

Quem for conferir o espetáculo encontrará o grupo Penumbra mais fortalecido e amadurecido na arte do teatro de sombra, graças às experiências adquiridas pelos  artistas Juliana Graziela e Jair Júnior no início do ano, quando participaram da Residência de Teatro de Sombra ‘Territórios Desconhecidos, Vivência no Teatro de Sombras’, realizado no Espaço de Residências Artísticas Vale Arvoredo, na cidade de Morro Reuter, região serrana do Rio Grande do Sul.

 

 

 

A residência foi ministrada por Alexandre Fávero e Fabiana Bigarella, da Cia Lumbra-RS, um coletivo que é referência internacional nessa linguagem. Segundo Juliana e Jair, a importância de terem participado foi oportunidade de aprofundar “os conhecimentos, estar em contato com outros grupos e pessoas que estudam e trabalham com a linguagem da sombra”.

 

 

Leve o grupo Penumbra para a sua cidade!

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Não é apenas a Grande Cuiabá que pode assistir o espetáculo ‘A Vila de Pantolux”, a sua cidade também pode! Entre em contato com a diretora e produtora do grupo, Juliana Graziela por e-mail julianagrazielarocha@gmail.com e também por telefone (65) 99304-5542.

 

 

Serviço

Espetáculo de Teatro de Sombra ‘A Vila de Pantolux’.

Local: Cine Teatro Cuiabá – Sala Anderson Flores

Data: 26 e 27 de abril de 2019

Horário: 19:30 h

Ingressos: Limitados. R$ 10,00 meia e R$ 20,00 inteira (O horário de funcionamento da bilheteria do Cine Teatro Cuiabá é das 14:00 às 18:00 terça-feira a domingo, também serão vendidos nos dias do espetáculo antes de começar).

Classificação: Livre

Duração: 40 minutos

Informações: (65) 99304-5542

 

 

Saiba mais sobre o grupo Penumbra no Blog da Bárbara Fontes:

Residência Artística no RS

Teatro de Sombras em Cuiabá/MT

Cuiabá faz 300 anos!

‘CUIABANIA’

Olha só,
Que reunião mais bacana
Neste casarão secular.
No oratório, tem São Benedito
Nas paredes, retratos antigos!

Quem está nesta festa?
Cuiabanos de ‘tchapa e cruz’
Mas ‘pau-rodados’ também vieram
Encantados com o muxirum!
Que povo mais festeiro
Liu Arruda ‘futxica’ com Ivan Belém,
‘Cumadre’ Pitu, Zé Bolo-Flor e mais Maria Taquara.
Totó Bodega joga charme para Almerinda e Penélope.
Nico e Lau só de olho nos quitutes,
Zé Peteté tudo vê e ‘tchora’ de tanto rir!

Júlio Müller papeia com Dante de Oliveira,
E Dom Aquino com Gervásio Leite e Marília Beatriz
Na Biblioteca estão os imortais da Academia de Letras,
Mahon olha tudo ‘maravilhado’ e já prepara outro livro fantástico!
Que sarau mais democrático
Carlinhos Ferreira relembra os antigos carnavais,
Chico Amorim canta com o poeta Sodrezinho:
‘O lado humano não acompanha o tecnológico’.
Joaquim Murtinho olha pela janela espantado,
O passado não compreende o presente!

Névio Lotufo filma tudo e diz para todos:
‘Festa como esta nunca vi igual,
Tenho de registrar para posteridade.
E depois vou bailar até cansar!’

Que quintal mais bonito,
Aline Figueiredo fala comigo:
‘Bárbara, tem ‘aufa’ de artistas plásticos,
Gente boa reunida,
Tudo pintado de tinta,
Viva Gervane! Viva Adir!’

‘Bela e solícita a anfitriã, dona Maria Müller!’
É o que dizem Marechal Rondon e Ramis Bucair.
Um brinde lhe é feito por Rubens de Mendonça,
E o poema, como sempre, é de Silva Freire!

Entre serestas, poemas e francisquitos,
Quem escreve miudinho num pedaço de papel de pão?
É Manoel de Barros, cuiabano de ‘tchapa’, pantaneiro de coração.
Dicke só quer saber do “toc toc” da máquina de escrever.
Chau está animado no meio do povo,
Será que ele vai querer fotografar a Cuiabá de hoje?

Toda cuiabania reunida
No belo casarão dos Müller
Não dá pra citar todos, mas todos estão aqui.
E os políticos corruptos
Estão bem longe daqui!

Olha só
Adivinha quem não perde um festejo?
É Jejé! É Jejé!, gritam todos os presentes.
Mas se alguém se espantar porque um filho de Rosário Oeste
Todo de bata e turbante faz no meio da ‘cuiabanada’,
Eu lhe digo, mesmo que prolongue este poema:
Liga não, Jejé já ‘cuiabanou’ como todos que estão neste casarão
E Cuiabá é Jejé
Então está tudo Digoreste!

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2014/2019)

#ForçaAndréDLucca

O ator André D’Lucca recebe homenagem em evento a ser realizado pela classe artística mato-grossense.

 

Reportagem publicada em 13/03:

Artistas mato-grossenses se reuniram para ajudar o amigo André D’Lucca, que interpreta uma das personagens mais queridas do país, a Almerinda. Desde o dia 05 de março, o ator se encontra hospitalizado. Segundo a assessoria, familiares informaram que André teve uma melhora significativa nos últimos dias, porém, ainda necessita de cuidados médicos e deve seguir em tratamento. O Blog apurou que o ator, que saiu da UTI do PS, se encontra internado no hospital Júlio Müller, com quadro evolutivo estável.

 

O espetáculo #ForçaAndréDLucca acontece no domingo, 24 de março, a partir das 18h30, no Cine Teatro Cuiabá (CTC). A programação conta com apresentações de músicos, dançarinos, humoristas, intervenções teatrais, recitação de poesia e grafite. Também haverá uma exposição de obras que foram doadas por artistas plásticos que serão leiloadas. Segundo a assessoria, toda a renda arrecadada, tanto da bilheteria como em vendas de obras e camisetas, será revertida para custear o tratamento do ator.

 

O evento solidário conta com o apoio do grupo de teatro Cena Onze (que tem a direção de Flávio Ferreira), da equipe do Cine Teatro Cuiabá e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT), responsável pelo CTC.

 

A idealização

A ideia de realizar um evento em prol do ator surgiu após o encontro de amigos, familiares e fãs em frente ao Pronto Socorro de Cuiabá, onde André se encontrava na UTI. Eles oraram e prestaram homenagens durante toda a tarde de domingo (10). O músico Henrique Maluf, o idealizador e produtor do espetáculo #ForçaAndréDLucca, contou para o Blog da Bárbara Fontes sobre a sua amizade e parceria com André D’Lucca:

Eu conheci o André através do espetáculo chamado Foi um Liu que passou por nossas vidas. Eu fiz a direção musical para ele nessa peça há seis anos atrás. Foi quando a gente foi trabalhar junto e não paramos mais. Sempre que tenho apresentações com ele. Já montei várias direções musicais, já compus várias paródias e tem clipes nossos na internet. Já fiz muito produção musical para ele”

 

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André D’Lucca, como Almerinda, e o músico Henrique Maluf: amizade para toda a vida.

 

Sobre a importância de André D’Lucca para as Culturas Mato-grossense e nacional, Henrique Maluf disse:

André é a voz de muitas pessoas que não tem coragem de se posicionar em relação à política. Ele é a voz no mundo dos artistas. E são coisas que fecham portas quando se posiciona. André é uma pessoa que não trabalha com dinheiro público. Nesses últimos anos, eu desconheço o uso de dinheiro público nos trabalhos de André. Todas as produções dele são independentes. Ele tem uma produtora chamada D’Lucca Produções. André foi dirigido pelas atrizes Ingrid Guimarães e Heloísa Perissé, na peça Segredos de Almerinda, e Almerinda se tornou uma personagem icônica. Depois que ele postou nas redes sociais, antes de passar mal, que estava triste e que não iria mais falar de política, eu comentei com o pessoal que a voz que André vai ecoar por muito, muito tempo, mesmo que nunca mais ele fale sobre política. O que ele plantou até hoje é uma onda que vai ecoar por muito, muito tempo. O meu telefone não para de tocar, são muitos artistas querendo participar do evento, e infelizmente não dá para colocar todo mundo. Não dá para fazer um espetáculo de 10 horas dentro de um teatro, né? Mas já estamos pensando que teremos de fazer outro espetáculo em breve com os artistas que não puderam se apresentar no primeiro evento. Muita gente quer somar. Isso mostra a representatividade que André tem na Cultura. Ele me representa. Eu sempre falei isso.”

 

O Blog também conversou com Fabrício Carvalho, maestro da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT):

Minha participação será bem pontual no início do show. Fui convidado pelo Flávio Ferreira e pelo Henrique Maluf. Eles imaginaram que no Foyer, eu pudesse fazer algumas canções ao piano e que as pessoas cantassem juntas numa entrada no espetáculo. Vai ser simples mas feito com muito amor. Vai ser uma alegria. Vai ser uma surpresa boa para quem estiver chegando no espetáculo.”

 

Sobre a importância do evento no cenário cultural mato-grossense, Fabrício comenta que,

A importância desse espetáculo é tamanha de reunir todos esses nomes importantes da Cultura de Mato Grosso. Lembro do evento que fizemos em prol do Flor Ribeirinha, quando eles tiveram aquele acidente trágico indo para Diamantino. Então, eu acho muito rico essa oportunidade de colocar tanta gente importante no palco em prol de uma ação tão importante para o André. A importância para a Cultura nem se fala! Reunir toda essa galera num mesmo dia, não é todo dia!  É fundamental que as pessoas participem, que reconheçam a ação e que estejam lá para prestigiar os seus artistas favoritos. E ver todos esses artistas juntos. Isso é muito bacana. Não é todo dia que isto acontece! Então é importante que as pessoas participem e que comprem os ingressos, que contribuam financeiramente neste momento complexo do André. O André precisa disso porque ele trabalha com o corpo e com a energia vital dele, que agora precisa se recuperar. Ele não pode trabalhar e a gente precisa ajudar. Então é fundamental que as pessoas participem, partilhem, comprem os ingressos e que ajudem a divulgar. E que ajudem nesse momento importante da vida dele.”

 

Sobre a sua amizade com André D’Lucca, o maestro relembra:

Eu conheci André há muito tempo atrás. Sempre fui fã do trabalho dele e sempre acompanhei as obras dele, dede quando estreou ‘Segredos de Almerinda’, no Teatro da UFMT. Quando eu estava Pró-reitor de Cultura da UFMT, a gente se falou. Ele me atendeu num momento em que eu fiz uma ação para o Dia do Servidor. O André fez um espetáculo para os servidores da UFMT. A gente já partilhou o Teatro da universidade. Então a gente tem uma amizade e admiração recíproca muito forte. Eu me sinto muito honrado em ser amigo de André e poder participar desse momento muito bacana, de reconstrução deste momento dele. Estou muito feliz que ele está se recuperando e a gente vai fazer um super espetáculo, no dia 24. É importante que as pessoas estejam juntas para contribuir, colaborar e enaltecer tanto o trabalho de André quanto da Cultura de Mato Grosso.

 

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André D’Lucca fez os servidores da UFMT rirem muito na fesa do Dia do Servidor (outubro/2015).

 

Programação

O espetáculo irá reunir grandes nomes da classe artística que ocuparão espaços do Cine Teatro Cuiabá. No foyer do teatro, a premiada poetisa e imortal da Academia Mato-grossense de Letras, Luciene Carvalho, recitará poemas acompanhada do percursionista Mano Raul. Em seguida, no mesmo local, o maestro e gestor cultural Fabrício Carvalho fará uma apresentação ao piano.

 

O jornalista Elias Neto e o ator Thyago Mourão (premiado recentemente num festival de cinema na Índia, ao lado do ator Eduardo Butakka) serão os Mestres de Cerimônia das apresentações que acontecerão no palco principal do CTC.

 

Considerado o melhor grupo folclórico do mundo, Flor Ribeirinha será o primeiro a se apresentar. Em seguida, apresentam Penélope (personagem do ator Eduardo Butakka que está esta semana no Jogo de Panelas, do programa Mais Você, apresentado pela Ana Maria Braga, na Rede Globo), Sarah Mitch (que arrasou no programa Amor & Sexo, apresentado pela Fernanda Lima), Henrique Maluf, Ana Rafaela, Totó Bodega (personagem do ator Romeu Benedicto), Pescuma, Estela Ceregatti e John Stuart, Nico e Lau, Vera Capilé e Habel Dy Anjos. Para encerrar o espetáculo #ForçaAndréDLucca, uma apresentação de um coral de cantores de Cuiabá, sob a regência da maestrina Dorit Kolling, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 

 

Leilão do Bem

Os artistas Babu 78, Adriano Ferreira, Jean Siqueira e a dupla Vera e Zuleika doaram obras que estarão expostas no dia do evento e que serão leiloadas posteriormente. Além do espetáculo e do leilão, fãs e admiradores do ator André D’Lucca também podem realizar doações por meio da vaquinha virtual que ajudará pagar as despesas médicas e dar suporte a André durante a sua recuperação. O ator é profissional autônomo e vive somente de sua arte. Toda ajuda é importante.

 

 

Serviço

Espetáculo #ForçaAndréDLucca

Data: 24 de março (domingo)

Horário: a partir das 18h30

Local: Cine Teatro Cuiabá (Av. Getúlio Vargas, 247 – Centro, Cuiabá)

Ingressos: R$ 40 inteira e R$ 20 meia

Contatos: (65) 2129-3848 ou (065) 9 8133-4559

 

Saiba mais:

Matéria do Blog ‘Viva André D’Lucca’ aqui.