Luto no Cinema

Missa de sétimo dia.

 

Nesta quinta-feira (10/01), acontece a missa de sétimo dia do cineasta e escritor mato-grossense Anthónio Alvez, na Catedral Metropolitana de Cuiabá, às 18h30.

 

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O cineasta mato-grossense, Anthónio Alvez, morre em São Paulo.

Eu estava encerrando o expediente do Blog, quando meu amigo Enio Oliveira me avisou da triste notícia do falecimento do querido talentoso cineasta e escritor Anthónio Alvez, nascido em Guiratinga (MT). Ele vivia em São Paulo e se destacava no Cinema Brasileiro. Ele estava internado num hospital paulistano desde o dia 27 de dezembro. Anthónio tinha 34 anos e faleceu ontem, 04/01, devido a uma infecção cerebral (provocada por fungos de pombos).

 

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Anthônio Alvez (de cachecol) trabalhando no longa ‘Às Escuras’ – O Filme/Acervo Pessoal

 

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Além de cineasta talentoso, também era escritor! (Divulgação)

 

Ênio está em Guiratinga com o ator Ataíde Arcoverde (também é de Guiratinga, era amigo e sócio de Anthónio) aguardando a chegada do carro funeral que se encontra em Cuiabá. Ano passado, Antonio e Arcoverde estiveram em Cuiabá, no Sesc Arsenal, lançando “Primeiros Passos”.

 

 

 

Sobre a amizade com o ator Ataíde Arcoverde, Anthónio Alvez escreveu numa rede social: “Porque estamos JUNTOS sempre. E hoje é glorioso estar contigo”

 

Eu sempre vi Ataíde Arcoverde feliz (como ele sempre diz “sou um arauto da felicidade”), e me doeu o coração ver o seu vídeo comunicando o falecimento do grande amigo. Apesar da profunda tristeza, o ator conversou com Blog (direto de Guiratinga):

 

Bárbara, bom dia. Anthónio Alvez é filho de Guiratinga e fez escola de Cinema em São Paulo, e tinha lançado (em SP) um vídeo sobre o hospital Santa Maria Bertila, em Guiratinga. Ele fez um curta-metragem “Primeiros Passos”, que apresentou, inclusive, em Cuiabá, no Sesc. Ele estava com três curtas-metragens a serem lançados, um já está realizado. É um perda irreparável! E acabou de lançar um livro também, “Segredos da Primavera”. É uma tristeza, uma perda muito grande para Guiratinga, para Mato Grosso, para o Brasil. Era o novo talento que estava despontando como Diretor. A gente está aqui em Guiratinga inconsolável com esta perda. Lastimável.”

 

Em tempo: O velório do cineasta Anthónio Alvez iniciou às 21h, na igreja católica São Sebastião, onde o cineasta foi coroinha. Uma missa ocorre pela manhã.

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Bienal Curitiba/25

O maior evento de arte contemporânea da América Latina completa 25 anos.

Segue até o dia 10 de março, no Museu Oscar Niemeyer (MON), uma edição comemorativa (ocorre em um período entre bienais) da Bienal de Curitiba que traz um recorte dos 25 anos de história. O evento é uma importante referência na arte contemporânea no circuito mundial, e está com uma programação especial com espaços, mostras de exposições e exibições multimídias nacionais e internacionais. A primeira edição ocorreu em 1993.

 

Convidados renomados

A Bienal de Curitiba recebe obras de artistas renomados como o fotógrafo paulista Leonardo Kossoy e o artista Christus Nóbrega.  Em 2015, Christus passou dois meses na China, por meio do Programa de Residência Artística do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na universidade chinesa Central Academy of Fine Arts (CAFA). A cineasta paraguaia Paz Encina também participa da Bienal com a exibição de seu filme Hamaca Paraguaia, que recebeu o aclamado (e desejado) “Prêmio da Crítica” do Festival de Cannes, em 2006. Um dos maiores nomes da arquitetura latino-americana, o paraguaio Solano Benítez, participa da Mostra “Aura Latente – Arte Contemporânea no Paraguai”, com a curadoria de Tício Escobar. Em 2016, Benítez recebeu um Leão de Ouro na 15º Mostra Internacional de Arquitetura: Bienal de Veneza, onde expôs (em parceria com os sócios Gloria Cabral e Solanito Benítez) um arco em tijolos (sua marca) na entrada do pavilhão.

 

Programação

Exposição “Leonardo Kossoy”: são expostas as fotografias dos projetos “Waterscapes” (2007); “Only You” (2014); e as séries inéditas “Inventário do Mundo”, e “Caindo no Inferno da Imagem”.

Exposição “Acordos Tácitos”: apresenta artistas renomados que já passaram por edições anteriores. As obras estão em diferentes espaços do MON. A exposição tem a curadoria de Tício Escobar e Brugnera.

Exposição “Dragão Floresta Abundante – A aventura de Christus Nóbrega na China”: é uma mostra multimídia que traz o olhar do artista brasileiro sobre a cultura chinesa. A curadoria é da historiadora da arte Renata Azambuja. Também, Christus convida o público para produzir pipas na instalação Fábrica de Pipas (até vestem uniformes como se fossem operários de uma fábrica de pipas chinesa).

 

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As pipas chinesas de Christus Nóbrega

“Rayuelarte”: é uma obra da escritora argentina Patrícia Pellegrini, que se inspirou na obra de Marta Minuín. A obra convida o público para que “jogue amarelinha” em espaços públicos. Na Bienal foi lançado do livro “História para crianças”, de Pellegrini.

 

Programação ‘off MON’

A Bienal de Curitiba/25 anos, tem uma programação variada e que ocupa todos os espaços (interno/externo) do MON, e também acontece em outros espaços da capital paranaense: Museu Paranaense; Biblioteca Pública do Paraná; Secretaria de Estado de Cultura; Espaço Cultural do Consulado do Paraguai; Museu Municipal de Arte; Associação Profissional de Artistas Plásticos do Paraná (APAP/PR).

Programação em Santa Catarina: a Bienal de Curitiba fez uma parceria com o Museu de Arte de Joinville, com a exposição “No espaço da memória”, da artista Guita Soifer. São obras de gravura, pintura, escultura, livros, instalações e objetos, disponíveis para visitação até 31 de março de 2019, no Museu de Arte de Joinville.

Programação nos países do Mercosul

A edição de 25 anos da Bienal de Curitiba rompeu fronteiras e está com mostras na Argentina e no Paraguai. No país argentino, o MuseoCaraffa em Córdoba, recebeu as com obras de André Nacli; e no Espaço Cultural da Embaixada do Brasil há obras de Guita Soifer e Lucinda Simas Magalhães. Em Assunção, capital do Paraguai, a Fundación Texo, o Museo del Barro e o Museo Nacional de Bellas Artes recebem a exposição de Paz Encina.

 

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Cena do filme Hamaca Paraguaia, de Paz Encina.

 

Acesse a programação completa da Bienal de Curitiba/25 anos, no final desta matéria.

 

Bienal de Curitiba

A cada dois anos, a Bienal de Curitiba traz para o Brasil, espaços e mostras com exposições renomadas e com a presença de vários artistas brasileiros e estrangeiros. Para este ano o tema escolhido pela curadoria é “Fronteiras em Aberto”. A abertura ocorre em setembro.

 

Catálogos em um clique

Os catálogos das edições da Bienal de Curitiba – ao longo de 25 anos de existência estão disponíveis gratuitamente online por meio da plataforma ISSUU. Também é possível acessar os materiais do Festival Internacional de Cinema da Bienal de Curitiba (FICBIC) e da Curitiba Literária. Esses eventos acontecem na Bienal como programações paralelas.

 

O MON

Eu sei que há museus importantes ao redor do mundo, porém, é inegável que o nosso país possui museus que unem a beleza e história arquitetônica com as riquezas de seus acervos (e também as Mostras, Bienais etc). Eu gosto tanto de museus que fica difícil escolher o preferido – até seria injusto!

Um dos meus preferidos é o MON – Museu Oscar Niemeyer – o qual tive o prazer de ir e passar horas e horas e só fui embora no fechamento. É neste prédio contemporâneo, em forma de olho, projetado pelo icônico arquiteto Oscar Niemeyer, que acontece até o dia 10 de março, a edição especial da Bienal de Curitiba – 25 anos, e também vai abrigar a Bienal de Curitiba 2019, que abre em setembro.

 

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Em 2014, eu estive no MON para ver a exposição “Frida Khalo – as suas fotografias”. Foi uma experiência que mexeu muito comigo. Era possível sentir o quanto Frida se entregava em todos os aspectos de sua vida, e como ela também se entregou à uma dor profunda. Há uma melancolia em suas fotos – mesmo nos momentos alegres.

 

 

Serviço

Bienal de Curitiba 2018 | 25 Anos

Período: até 10 de março

Local: Museu Oscar Niemeyer – Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba.

Horário de Funcionamento: Terça à domingo, das 10h às 18h

Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia-entrada para professores e estudantes com identificação; doadores de sangue; pessoas com deficiência; titulares da ID Jovem; portadores de câncer com documento comprovatório).

Realização: Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba, Museu Oscar Niemeyer, Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná, Ministério da Cultura do Governo Federal.

Apoio: URBS.

Patrocínio: Copel, Sanepar, PG Mais, Itaipu Binacional, Furnas, Rumo, Arterial, Sunew, Centro Cultural Banco do Brasil. Construtora da Bienal: Cima Engenharia.

*Esta matéria foi produzida com informações da Assessoria de Comunicação da Bienal de Curitiba/25anos.

 

Saiba mais:

Site da Bienal de Curitiba (edição comemorativa) aqui.

Acesso aos catálogos da Bienal – Plataforma ISSUU aqui.

Centenário do IHGMT

A instituição que guarda a memória de Mato Grosso completa 100 anos hoje.

O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso tem em seu acervo de valor incalculável, documentos que registram os passos da região do Centro-Oeste mais bem documentada do país.

Quando os bandeirantes adentraram na selva já possuíam informações sobre os bravos e fortes guerreiros indígenas que reinavam essas paragens que hoje abriga o celeiro do Brasil – eles eram mercadoria de grande valor na época.

E o ouro? As monções paulistanas não vieram atrás de ouro – Mato Grosso jamais seria descoberto se os bandeirantes não tivessem a certeza de que a região fosse ‘rica’ em…índios!

Depois da fundação do primeiro povoado de São Gonçalo – aí sim por causa do ouro -, os bandeirantes lutavam contra os índios (a dizimação continuou) para a ocupação de novos territórios auríferos. Assim sugiram os povoados do Coxipó do Ouro, do Sutil, a ocupação do que é hoje o Centro Histórico de Cuiabá, entre outros locais importantes para a lenta urbanização da cidade.

Em 17 de agosto de 1818, Cuiabá recebeu o status de cidade. Em 28 de agosto de 1835, Cuiabá “passa a perna” em Vila Bela da Santíssima Trindade (que foi arquitetada em Lisboa para ser o centro do poder), e se torna a capital do estado de Mato Grosso.

Muitas “águas rolaram” e uma Guerra terrível marcou a vida dos moradores de Mato Grosso: A Guerra da Tríplice Aliança ou a Guerra do Paraguai. Tudo sobre essa carnificina surgida da loucura do presidente paraguaio Solano Lópes está documentada (inclusive há fotografias!!). Atualmente, essa parte da história do Brasil passa por uma revisão por um grupo de historiadores.

Os registros históricos acima são uma pequena parcela da magnitude do acervo do IHGMT, criado em 01 de janeiro de 1920, porém, as atividades de seus primeiros membros começaram em 8 de abril, quando Cuiabá completou 200 anos. A instituição é presidida pela historiadora e professora, Elizabeth Madureira Siqueira.

O IHGMT tem importante papel também nas pesquisas relacionadas à História, Geografia, Literatura e Cultura Popular. Por meio de sua revista, tudo o que era descoberto – seja um documento antigo encontrado ou o resultado de uma viagem científica ao interior do estado – era publicado na íntegra. É maravilhoso ler essas publicações até hoje!

 

Cuiabá 300 anos

Segundo informações obtidas no site do IHGMT:

Para comemorar condignamente o centenário da Instituição, o IHGMT projetou diversas ações, como a confecção de um Álbum Histórico, de uma Cápsula do Tempo, na qual será depositada uma amostragem da instituição nos seus primeiros 100 anos, a outorga de um Troféu para agraciar os colaboradores, organização da um Curso de História e Geografia de Mato Grosso, a ser desenvolvido no primeiro semestre de 2019, e a instituição de um Colar Centenário.”

Site novo

Qualquer pessoa pode ter acesso às revistas e tomar conhecimento das atividades do IHGMT. Não precisa se deslocar até à sua sede, na Casa Barão de Melgaço, no Centro Histórico de Cuiabá, basta acessar o site e se preparar para uma viagem incrível!

 

Saiba mais:

Acesse o site IHGMT aqui.

As aventuras de Nana & Nilo

Irmãos gêmeos contam histórias das Culturas Afro-brasileira e Indígena por meio de muitas aventuras.

Nana e Nilo vivenciam muitas situações na companhia de um pássaro e de uma árvore milenar. Essa foi a forma criativa do autor Renato Noguera, professor do Departamento de Educação e Sociedade, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (DES/UFRRJ), encontrou para contar as histórias, as culturas afro-brasileira e indígenas e o protagonismo negro na fase infantil. O projeto é realizado em parceria com o ilustrador Sandro Lopes, professor do Departamento de Artes (Dartes/UFRRJ), e com a designer Cris Pereira.

“Nana & Nilo vem numa hora bem propícia para a difusão em massa de duas culturas fundamentais para o surgimento da sociedade contemporânea brasileira. Somos um país mestiço – queira ou não os preconceituosos e racistas!

Ensino em sala de aula

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Divulgação

Você sabia que é dever das escolas ensinar as culturas afro-brasileira, africana? A Lei 10.639/03 (alterada pela Lei 11.645/08), torna obrigatório o ensino em todas as escolas públicas e privadas – do ensino fundamental até o ensino médio.

A Lei 11.465, sancionada em 10 de março de 2008, também obriga a inclusão no currículo oficial da rede de ensino, a História e Cultura Indígena (o que não havia na Lei anterior).

O ensino da história da África e dos africanos, a luta e cultura dos negros e indígenas – e as suas contribuições para a formação do povo brasileiro devem ser trabalhadas em todo currículo escolar, principalmente nas disciplinas de Educação Artística, Literatura e História.

“Nana & Nilo” vem de encontro com as demandas que a Lei 11.465 exige. Além da literatura infantil, as aventuras dos personagens também são encontradas em vários produtos: livros para colorir, quadrinhos, desenhos animados, CDs e DVDs de músicas. Muito além de ser algo para crianças, as histórias vivenciadas pela dupla serelepe também encantam jovens e adultos.

Saiba mais:

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Canal “Nana & Nilo”

Site (até o fechamento desta matéria, o site estava em manutenção)

IHGMT está com novo site

Fundado em 01 de janeiro de 1919 – ano do bicentenário de Cuiabá – numa solenidade no Palácio da Instrução, o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) guarda relíquias da memória do Estado.

A instituição que completa 100 anos é presidida pela historiadora e professora, Elizabeth Madureira Siqueira, e possui um acervo de valor incalculável que está disponível para pesquisas na sede ou em qualquer lugar do mundo. Documentos, registros, atas, livros, fotos vídeos podem ser acessados pelo novo site do IHGMT, lançado na manhã do dia 19 de novembro, na Casa Barão de Melgaço, no Centro Histórico de Cuiabá.

O site possui um layout bonito e de fácil acesso. É uma ferramenta preciosa para historiadores, pesquisadores, alunos e interessados na história de Mato Grosso – que desde a sua descoberta pelos bandeirantes foi toda documentada. Muitas famílias de intelectuais falecidos têm doado acervos para o IHGMT.

 

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IHGMT recebe novos sócios

O Instituto conta agora com mais seis Sócios Efetivos, selecionados por Edital em dois certames: avaliação curricular e entrevista. A solenidade de posse ocorreu no dia 16 de dezembro, na Casa Barão de Melgaço.

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O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso recebe os novos sócios efetivos. Reprodução/site IHGMT

Os selecionados são referências importantes nas áreas em que atuam. Também possuem uma rica produção literária, e muitos contribuem no jornalismo por meio de artigos. Confira abaixo os novos Sócios Efetivos:

 

Área da Geografia:

Flávio Gatti – doutor em Geografia Humana, professor universitário e escritor.

 

Área da História:

Neila Maria de Souza Barreto – Mestre em História, jornalista e escritora.

Renilson Rosa Ribeiro – Doutor em História, escritor.

Francisco Ildefondo da Silva Campos – Mestre em Agricultura Tropical e escritor.

 

Área da Cultural e Literária:

Eduardo Mahon – advogado e escritor.

 

Área do Turismo e Meio Ambiente:

Oriana Paes de Barros – Procuradora Federal aposentada e escreve artigos para a imprensa de Cuiabá.

 

Saiba mais:

Conheça o site IHGMT aqui.

Homenagem merecida!

Livro que conta a vida e a trajetória política da primeira prefeita de Várzea Grande (MT), Sarita Baracat é lançado no dia 18 de dezembro, às 19h, no Várzea Grande Shopping. O evento tem apoio da Prefeitura Municipal de Várzea Grande.

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Sarita_Baracat como Rainha do Futebol, do Clube Esportivo Operario Varzea-grandense (CEOV), 1949. Reprodução/Site Entrelinhas Editora

Quem nasceu ou mora há muitos anos em Várzea Grande já deve ter ouvido falar de Sarita Baracat. Eu a conheci e sempre tive muito respeito e carinho por ela e por sua irmã Aziza (in memorian). Minha família veio de São Paulo, após meu pai passar num concurso público na Sefaz, e viemos morar em Várzea Grande. A escolha pela cidade foi, segundo meu pai, porque o clima era melhor e que ventava mais do que a calorenta Cuiabá (que eu amo também!).

Moramos um tempo no Centro e depois nos mudamos para o bairro Pirinéu, onde fui estudar numa escolinha municipal chamada Miguel Baracat – e aqui começa a minha história com essa família tradicional. Eu tenho as melhores e doces lembranças dessa escola, onde eu convivia todos os dias com as crianças Baracat – no bairro morava muitos parentes da Sarita! Também foi nessa escola que recebi os meus primeiros livros de História e Literatura mato-grossenses (foi amor à primeira vista!) – e hoje, além de Comunicadora Social, também sou Cineasta Documentarista, e acredito que tem a ver com esse período de minha vida, onde assistia os documentários da Fundação Júlio Campos e dizia: eu quero fazer isso! Passei por outras escolas na cidade, e por intermédio de Sarita e Aziza, eu consegui entrar na concorridíssimo Colégio Couto Magalhães – que funcionava por meio de convênio e era muito, muito rígida! Não havia internet e tínhamos de “bater ponto” na Biblioteca Municipal porque as professoras “nos incentivavam” a frequentá-la por meio de inúmeras tarefas e trabalhos. Bons tempos (apesar de que na época eu não pensava assim!). Uma coisa importante que eu aprendi estudando em Várzea Grande: a grande influência das mulheres, de famílias pioneiras, dessa cidade – seja ela Baracat, Campos, Pereira Leite, Monteiro etc e tal.

Eu precisei fazer essa introdução na matéria para que não ficasse apenas uma informação jornalística sobre um evento. Eu quis também compartilhar com os meus leitores e leitoras de todo país e do exterior, uma memória afetiva sobre uma personagem icônica para Mato Grosso. Ela tinha pulso forte, mas sempre me tratou com delicadeza e humildade. E era muito discreta! – eu fui ter ideia da importância histórica dela, um bom tempo depois. Sarita foi uma das maiores políticas de Mato Grosso num período machista e conservador. Eu fiquei muito triste com o seu falecimento em dezembro de 2017.

Quem foi Sarita?

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Sarita em campanha politica em Várzea Grande, Outubro de 1982. Reprodução/Site Entrelinhas Editora

Filha de imigrantes sírios que chegaram em Várzea Grande em 1901, Sarita foi a primeira vereadora e prefeita da cidade. Também foi a primeira deputada estadual pós-divisão do estado de Mato Grosso  – tudo isso num período histórico onde “lugar de mulher era ficar em casa, cuidando dos afazeres domésticos e dos filhos, esperando o marido chegar, com comida pronta e roupa lavada e passada”. Não vou dar mais detalhes porque tem um livro incrível que merece ser lido!

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Sarita entre os filhos Nico (in memorian) e Fernando Baracat. Reprodução.

O livro

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Sarita Baracat: vida e trajetória política é uma edição ilustrada com extensa pesquisa por meio de documentos, bibliografia, depoimentos que reconstituem a trajetória de uma mulher que foi mãe, chefe de família, professora, política atuante na segunda metade do século XX, em Várzea Grande, cidade-irmã de Cuiabá.

Segundo Neila Barreto, autora da obra:

Dividimos o trabalho em três fases, todas entrelaçadas e concomitantes. A primeira diz respeito ao levantamento de dados em bibliotecas e em arquivos. A segunda fase refere-se à coleta de depoimentos da personagem Sarita e, também, de seus familiares, parceiros políticos, colegas, amigos, entre outros. A terceira, por sua vez, relacionada à escrita, que envolvia a montagem e a estruturação dos capítulos, foi sendo delineada em meio às duas primeiras etapas.”

O livro é uma publicação da Entrelinhas Editora, que comemora 25 anos de atuação no mercado editorial mato-grossense.  É uma das editoras que eu admiro muito e fico feliz dessa parceria com a Neila para contar a história de Sarita. Segundo Maria Teresa Carrión Carracedo, da Entrelinhas, a edição ficou pronta em dezembro de 2017, pouco depois do falecimento de Sarita (em 9 de outubro de 2017):

Com o passamento de Sarita aguardamos momento propício para o lançamento, em respeito ao luto da família e ao processo eleitoral. Escolhemos data próxima ao natalício de Sarita, que em 29 de dezembro deste ano faria 87 anos.”

O livro é uma leitura imperdível para os que conviveram com Sarita, e para os que desejam conhecer um recorte da história de Várzea Grande muito interessante.

A escritora

É gratificante saber da publicação de um livro sobre a biografia de uma importante mulher tenha sido escrito por uma mulher!

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A escritora é a historiadora e jornalista Neila Maria Souza Barreto. Segundo ela, a pesquisa buscou a percepção do cotidiano de uma mulher do século XX, em um universo masculino. Sarita Baracat teve importante atuação política num período histórico brasileiro marcado pelo machismo e restrições para a atuação da mulher na sociedade. Sarita quebrou paradigmas!

Sarita concedeu vários depoimentos à Neila, que pôde captar detalhes da sua vida, gestos e atitudes característicos, curiosidades, confissões sempre com um sorriso discreto. A autora também pode ouvir Sarita cantar canções à terra amada. Deve ter sido uma experiência incrível e que Neila levará para toda a vida.

 

O evento

Durante o lançamento, a maestrina Sônia Mazetto fará uma apresentação musical, onde canta as canções preferidas da Sarita Baracat. Também na ocasião, Cassyra Vuolo fará uma declamação.

 

Serviço

O que é: Sarita Baracat: vida e trajetória política

Autora: Neila Maria Souza Barreto

Entrelinhas Editora (21,3 x 27 cm, 240 páginas)
(edição especial em capa dura e papel couche)

Data: 18 de dezembro

Horário: 19h

Local: Várzea Grande Shopping, em Várzea Grande

Dia 18, a partir das 19 horas – 3º Piso (Praça de Alimentação)

Valor do livro: R$ 100,00

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