Poética Segunda

PoemaFlama

 

POEMA 2:

No turbilhão da vida
Provações são como vestibulares
É passar ou reprovar
E nada é em vão

Muitas questões para responder
E o corpo e a mente, fragilizados
Não querem resolver equações
E nem argumentar redações

No Jogo da Vida
Só há um vencedor: A Morte!
E enquanto ela não vem
Nos basta viver.

(Jogo da Vida. Bárbara Fontes)

 

POEMA 3

PoemaLeve

 

 

 

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Brasil ponto br

No princípio era o índio
Entre o céu e a terra
Mundo nu e livre
E não havia vergonha

Aparece o português
Extrai tudo entre o céu e a terra
O índio é vestido e cativo
Tudo é vergonha

Chegou o negro
Escravidão entre o céu e a terra
Costas nuas sangrando a chicotes
Vergonha de se ver

Nasce a nação brasileira
Confusão entre o céu e a terra
Ricos comandam os pobres
Elite sem-vergonha

Surge o político corrupto
Benesses para si entre o céu e a terra
Deixa a nação nua numa vida crua
E mata-a de vergonha.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, dia da Independência do Brasil, 2017.)

Aquiete, meu bem!

Tudo bem, meu bem
Aquiete seu coração
Amanhã, lindo dia será
O mal não há de perdurar
 
Coisas nascem, vivem e morrem
O céu nem sempre está azul
O sol, às vezes, não quer aparecer
Tempestades chegam e somem
 
Todo túnel tem um fim
A noite não é pra sempre
Aurora há de vir
Passarinhos passarão
 
Tudo bem, meu bem
Aquiete seu coração
Amanhã, um amor poderá chegar
A desilusão não há de perdurar
 
(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa – 02/09/2016)

Jogo da Vida

No turbilhão da vida
Provações são como vestibulares
É passar ou reprovar
Nada é em vão
 
Muitas questões para responder
E o corpo e a mente, fragilizados
Não querem resolver equações
E nem argumentar redações
 
No Jogo da Vida
Só há um vencedor: A Morte!
E enquanto ela não vem
Nos basta viver.
 
(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, setembro 2018)

CANÇÃO DO JOVEM SHAKESPEARE

Eu quero um amor

Que saiba apreciar

O nascer do sol

No silêncio de um beijo.

 

Que saiba entender

Que a vida

É SIM e, às vezes, NÃO.

E que perdoe as intempéries de meu pobre ser.

 

Eu quero um amor

Que respeite a minha alma de artista

E que não sinta ciúmes

Quando eu estiver fazendo amor com a Arte.

 

Que saiba entender

Que a vida

É curta demais

E que perdoe os meus vários ‘Eu’ andando pela casa.

 

Eu quero um amor

Que queira mergulhar, profundamente,

No oceano dos meus poemas

Em plena madrugada dos amantes.

 

Que saiba entender

Que a vida

Está aí para ser vivida

E que perdoe a minha ânsia em querer vivê-la desesperadamente.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2014)

Dragão Vermelho

Tu, cabelos rubro-fogo ondeados
Pele efélide e sorriso a meia-boca
Gênio indomável.

Eu, guerreiro Zhongguo ren
E também domador de dragões,
Procuro-te em Pequim, na multidão sem fim.

Vejo-te, nas ruas da Praça Celestial
De Qipao vermelho e dourado
Olhar blasé pelo ano quase finado
Ao me ver, teus olhos saem faíscas e um lume das tuas ventas

Tu, nua em um quarto de um Hutong
Candura deitada na seda negra
Lá fora, o frio padece de dor
Fogos de artifícios,
Ano Novo Chinês!

Eu, esfomeado e sedento por ti,
Devoro-te numa saudade imensurável
Do teu mel, eu me regozijo
Ébrio, eu domo você
E teu corpo serpenteia.

Contemplo-te, toda exaurida
Cabelos molhados como lavas de um vulcão em erupção
E nas tuas costas, testemunho atônito
Um imponente dragão vermelho
Que se apodera de ti.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2009/2014)

 

 

*Foto de capa: Reprodução/Internet