A MORTE

Tem gente que pede pra morrer e não morre. Tem gente que tenta morrer e não morre. Tem gente que odeia viver e não morre. Tem gente que ama viver e morre. Tem gente que tenta viver e morre. Tem gente que pede pra viver e morre. Tem gente que joga o carro num poste e não morre. Tem gente que se joga do penhasco e não morre. Tem gente que toma veneno e não morre. Tem gente que sem saber, morre. Tem gente que cai sem querer e morre. Tem gente que está numa calçada e morre. Tem gente que ridiculariza a vida e não morre. Tem gente que respeita a vida e morre. Tem gente que quase suicida, mas não morre. Tem gente lutando por cada segundo de vida e morre. Tem gente chama a morte e não morre. Tem gente que tem uma semana de vida e não morre. Tem gente covarde e que não morre. Tem gente que é herói e morre. Tem gente que mata e não morre. Tem gente que salva e morre. Tem gente que coloca fio no pescoço e não morre. Tem gente que está por um fio e morre. Tem gente que ri para a morte e não morre.Tem gente que acordou feliz depois de uma linda noite de amor e morre.

Se tem gente querendo morrer, por que ‘cargas d’água’ , a morte insiste levar quem só quer viver?

(Bárbara Fontes. Maio de 2016)

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Cuiabá faz 300 anos!

‘CUIABANIA’

Olha só,
Que reunião mais bacana
Neste casarão secular.
No oratório, tem São Benedito
Nas paredes, retratos antigos!

Quem está nesta festa?
Cuiabanos de ‘tchapa e cruz’
Mas ‘pau-rodados’ também vieram
Encantados com o muxirum!
Que povo mais festeiro
Liu Arruda ‘futxica’ com Ivan Belém,
‘Cumadre’ Pitu, Zé Bolo-Flor e mais Maria Taquara.
Totó Bodega joga charme para Almerinda e Penélope.
Nico e Lau só de olho nos quitutes,
Zé Peteté tudo vê e ‘tchora’ de tanto rir!

Júlio Müller papeia com Dante de Oliveira,
E Dom Aquino com Gervásio Leite e Marília Beatriz
Na Biblioteca estão os imortais da Academia de Letras,
Mahon olha tudo ‘maravilhado’ e já prepara outro livro fantástico!
Que sarau mais democrático
Carlinhos Ferreira relembra os antigos carnavais,
Chico Amorim canta com o poeta Sodrezinho:
‘O lado humano não acompanha o tecnológico’.
Joaquim Murtinho olha pela janela espantado,
O passado não compreende o presente!

Névio Lotufo filma tudo e diz para todos:
‘Festa como esta nunca vi igual,
Tenho de registrar para posteridade.
E depois vou bailar até cansar!’

Que quintal mais bonito,
Aline Figueiredo fala comigo:
‘Bárbara, tem ‘aufa’ de artistas plásticos,
Gente boa reunida,
Tudo pintado de tinta,
Viva Gervane! Viva Adir!’

‘Bela e solícita a anfitriã, dona Maria Müller!’
É o que dizem Marechal Rondon e Ramis Bucair.
Um brinde lhe é feito por Rubens de Mendonça,
E o poema, como sempre, é de Silva Freire!

Entre serestas, poemas e francisquitos,
Quem escreve miudinho num pedaço de papel de pão?
É Manoel de Barros, cuiabano de ‘tchapa’, pantaneiro de coração.
Dicke só quer saber do “toc toc” da máquina de escrever.
Chau está animado no meio do povo,
Será que ele vai querer fotografar a Cuiabá de hoje?

Toda cuiabania reunida
No belo casarão dos Müller
Não dá pra citar todos, mas todos estão aqui.
E os políticos corruptos
Estão bem longe daqui!

Olha só
Adivinha quem não perde um festejo?
É Jejé! É Jejé!, gritam todos os presentes.
Mas se alguém se espantar porque um filho de Rosário Oeste
Todo de bata e turbante faz no meio da ‘cuiabanada’,
Eu lhe digo, mesmo que prolongue este poema:
Liga não, Jejé já ‘cuiabanou’ como todos que estão neste casarão
E Cuiabá é Jejé
Então está tudo Digoreste!

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2014/2019)

Cuiabania

Olha só,

Que reunião mais bacana

Neste casarão secular

No oratória tem São Benedito

Nas paredes, retratos antigos

 

Quem está nesta festa?

Cuiabanos de ‘tchapa e cruz’

Pau-rodado também veio

Encantado com o muxirum!

 

Que povo mais festeiro

Liu Arruda com ‘cumadre’ Nhara

Zé Bolo-Flor mais Maria Taquara

E Zé Petetá ‘tchora’ de tanto rir!

 

Julio Müller papeia com Dante de Oliveira

Dom Aquino com os imortais da Academia de Letras

Joaquim Murtinho olha tudo pela janela

Cadê a copa das árvores?

O passado não compreende o presente

 

Que sarau mais democrático

Tem Carlinhos Ferreira e Ivan Belém

Chico Amorim faz coro com o poeta Sodrezinho,

“O lado humano não acompanha o tecnológico”!

Névio Lotufo filmando tudo

Festa como esta não haverá igual

Tem de registrar para posteridade.

E ‘dizque’ depois vai bailar

Vai chamar Marília Beatriz pra dançar

Olha o Dr. Gervásio Leite: um olho na prosa e outro na filha!

 

Aline Figueiredo observa e ri

“Tem ‘aufa’ de artistas plásticos”

Gente boa reunida

Tudo pintado de tinta!
Bela e solícita anfitriã é dona Maria Müller

É o que dizem Marechal Rondon e Ramis Bucair

Um brinde lhe é feito por Rubens de Mendonça

E um poema, como sempre, vem de Silva Freire!
Entre serestas, poemas e francisquitos,

Quem escreve miudinho num pedaço de papel de pão?

É Manoel de Barros, cuiabano de ‘tchapa’, pantaneiro de coração

Enquanto isso, Dicke no “toc toc” da máquina de escrever

Chau, no meio do povo, tudo registra

Será que ele vai querer fotografar a Cuiabá de hoje?
Toda cuiabania reunida

Não dá pra citar todos, mas, todos estão aqui

No belo casarão dos Müller

Os políticos corruptos

Estão bem longe daqui!
Olha só

Adivinha quem não perde um festejo?

É Jejé! É Jejé!

Mas se alguém se espantar porque um filho de Rosário Oeste

Todo de bata e turbante está no meio da ‘cuiabanada’

Eu lhe digo, mesmo que prolongue este poema:

Liga não, Jejé já ‘cuiabanou’ como muitos que estão neste sarau

E Cuiabá é Jejé

Então, está tudo Digoreste!

 

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa. Cuiabania). Republicação para o Blog da Bárbara Fontes.

 

*Foto de capa: Homenagem aos casarões do Centro Histórico, Orla do Porto. Crédito: Prefeitura de Cuiabá

Daquilo que eu sei

Quem sou eu?

 

Algumas décadas de vida

Duas e meia de profissão

Uma década e meia de maternidade

E uma alma milenar…

….

Eu já vi quase tudo

Ouvi muitas asneiras

E coisas sábias

Já senti coisa boa

E coisas não tão boas….

Já amei

Desamei

Quase desisti de amar

E Amei de novo

Quebrei a cara

Jurei que não amava mais

E amei de novo…

….

Na verdade,

Eu sou aprendiz da vida

Sobrevivente de tormentas e furacões

Testemunha da bonança que vem depois da tempestade

Sou colecionadora de pôr-do-sol

E de arco-íris

No fundo de meu “eu”

Sempre há uma luzinha acesa

Mesmo quando há cegueira

E tudo é tão escuro e frio

O jeito é respirar fundo

Enfrentar o luto

E ir à luta

Chorar é bom

Mas, bom mesmo

É ser feliz!

(Bárbara Fontes, Projeto de Poetisa/Dezembro de 2018)

 

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Querido leitor (a) do Blog da Bárbara Fontes,

 

Sabe quando mudamos para melhor?

Quando decidimos mudar!

O medo de nada der certo (de novo) faz parte dos temores de quem quer mudar para melhor. Enfrente esse medo feroz que povoa a mente! Se chegamos até o século XXI é porque os nossos ancestrais enfrentaram feras, fome, frio, solidão, perseguição, decepção e a morte. Então, nós conseguiremos também!

 

Decidir mudar para melhor significa abdicar do que nos fez mal.

As pessoas mudam?

Acredito que sim, mas nós não precisamos pagar pra ver (de novo). Então, cabeça erguida e olhe para frente – mesmo que a tentação de olhar para trás seja grande. Assumir que a tentação existe é uma passo importante para enfrentá-la. Se o que deu errado no passado pode dar certo no futuro, só o PRESENTE dirá, mas não vamos pagar pra ver.

 

Flor_biancafontes

 

Vamos trabalhar em todos os sentidos da vida para pagar pra ver e ter uma vida melhor e feliz. Vamos pagar as dívidas dos boletos que aparecem todos os meses; vamos pagar para se divertir com os amigos; pagar aquela viagem tão sonhada; pagar aquele vinho delicioso e….quem sabe ao lado de uma companhia que não precisou pagar pra ver.

 

É muito, muito fácil alguém estar conosco nos momentos de fartura; difícil é continuar nos momentos de dificuldades. Difícil é receber o colo que necessitamos num momento crucial. Então, o primeiro passo para mudarmos para melhor é escolher quem estará em nossas vidas. Não precisamos de repetir erros. Não precisamos de mendigar amor e atenção. Não precisamos pagar pra ver o que não dá mais certo!

 

Esta é a última semana de 2018. Que ano difícil!!! Que ano mais triste, mais intolerante, mais tempestuoso.

2018 pode ser o ano em que as “máscaras caíram” e que saímos machucados e aterrorizados pelas verdades da vida.

2018 foi o grande ano também! Cheio de ensinamentos, cheio de “puxões de orelhas”. Foi o ano das verdadeiras amizades também – daquelas que nascem quando você menos imagina!!!

 

Gratidão 2018!!! Pelas lições que me ensinastes!

 

 

 

Poética Segunda

PoemaFlama

 

POEMA 2:

No turbilhão da vida
Provações são como vestibulares
É passar ou reprovar
E nada é em vão

Muitas questões para responder
E o corpo e a mente, fragilizados
Não querem resolver equações
E nem argumentar redações

No Jogo da Vida
Só há um vencedor: A Morte!
E enquanto ela não vem
Nos basta viver.

(Jogo da Vida. Bárbara Fontes)

 

POEMA 3

PoemaLeve

 

 

 

Brasil ponto br

No princípio era o índio
Entre o céu e a terra
Mundo nu e livre
E não havia vergonha

Aparece o português
Extrai tudo entre o céu e a terra
O índio é vestido e cativo
Tudo é vergonha

Chegou o negro
Escravidão entre o céu e a terra
Costas nuas sangrando a chicotes
Vergonha de se ver

Nasce a nação brasileira
Confusão entre o céu e a terra
Ricos comandam os pobres
Elite sem-vergonha

Surge o político corrupto
Benesses para si entre o céu e a terra
Deixa a nação nua numa vida crua
E mata-a de vergonha.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, dia da Independência do Brasil, 2017.)