Jogo da Vida

No turbilhão da vida
Provações são como vestibulares
É passar ou reprovar
Nada é em vão
 
Muitas questões para responder
E o corpo e a mente, fragilizados
Não querem resolver equações
E nem argumentar redações
 
No Jogo da Vida
Só há um vencedor: A Morte!
E enquanto ela não vem
Nos basta viver.
 
(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, setembro 2018)
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CANÇÃO DO JOVEM SHAKESPEARE

Eu quero um amor

Que saiba apreciar

O nascer do sol

No silêncio de um beijo.

 

Que saiba entender

Que a vida

É SIM e, às vezes, NÃO.

E que perdoe as intempéries de meu pobre ser.

 

Eu quero um amor

Que respeite a minha alma de artista

E que não sinta ciúmes

Quando eu estiver fazendo amor com a Arte.

 

Que saiba entender

Que a vida

É curta demais

E que perdoe os meus vários ‘Eu’ andando pela casa.

 

Eu quero um amor

Que queira mergulhar, profundamente,

No oceano dos meus poemas

Em plena madrugada dos amantes.

 

Que saiba entender

Que a vida

Está aí para ser vivida

E que perdoe a minha ânsia em querer vivê-la desesperadamente.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2014)

Dragão Vermelho

Tu, cabelos rubro-fogo ondeados
Pele efélide e sorriso a meia-boca
Gênio indomável.

Eu, guerreiro Zhongguo ren
E também domador de dragões,
Procuro-te em Pequim, na multidão sem fim.

Vejo-te, nas ruas da Praça Celestial
De Qipao vermelho e dourado
Olhar blasé pelo ano quase finado
Ao me ver, teus olhos saem faíscas e um lume das tuas ventas

Tu, nua em um quarto de um Hutong
Candura deitada na seda negra
Lá fora, o frio padece de dor
Fogos de artifícios,
Ano Novo Chinês!

Eu, esfomeado e sedento por ti,
Devoro-te numa saudade imensurável
Do teu mel, eu me regozijo
Ébrio, eu domo você
E teu corpo serpenteia.

Contemplo-te, toda exaurida
Cabelos molhados como lavas de um vulcão em erupção
E nas tuas costas, testemunho atônito
Um imponente dragão vermelho
Que se apodera de ti.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2009/2014)

 

 

*Foto de capa: Reprodução/Internet

Palavras!

Palavras, como eu gosto!

Primitivas, simplórias, sofisticadas

E as inventadas por Manoel de Barros

 

As desencantadas por Lord Byron

As exiladas com Casimiro de Abreu

As confessadas por Florbela Espanca

As personificadas em Fernando Pessoa

 

Palavras, como eu as anseio!

Desconcertantes, discordantes, agonizantes

E as que saíram da boca maldita de Gregório de Matos

 

As boêmias de F. Scott Fitzgerald

As libertárias com Mário de Andrade

As modernistas por Manuel Bandeira

As beat(ficadas) em Jack Kerouac

 

Palavras, como eu as digiro!

Aventuradas, entremeadas, gozadas

E as imortalizadas por Ernest Hemingway

 

As politizadas de Pablo Neruda

As humanizadas com Clarice Lispector

As cortejadas por Vinícius de Morais

As atemporais em Cora Coralina

 

Palavras, como eu as procuro!

Verdadeiras, ficcionais, viscerais

E as libertadas das correntes literárias por Drummond de Andrade

 

As inquietadas de Paulo Leminski

As despedaçadas com Caio Fernando Abreu

As marginalizadas por Antônio Sodré

As que chegam ao espanto do acaso em Ferreira Gullar

 

Palavras, como não amar!

As que eu teço, paciente, na minha imaginação

As que ninguém pensou e, que estavam lá, espalhadas no ar…

Peguei todas para mim!