Somos todos COS

Jornalista Celly Silva promove noite de autógrafos de livro-reportagem sobre a história movimento estudantil do Curso de Comunicação Social da UFMT. Evento será realizado nesta sexta-feira (31), a partir das 19h, na sede do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT).

Somos Todos COS, publicado pela EdUFMT, é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da jornalista Celly Alves Silva, e deveria ser leitura obrigatória para todos as pessoas que passaram pelo curso de Comunicação Social (COS) e suas habilitações, entre os anos de 1991 (entrada da primeira turma) até os dias atuais. Se hoje, o curso da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é reconhecido pelo MEC, possui um prédio próprio (de arquitetura moderna) com salas de aulas climatizadas, laboratórios, equipamentos, auditório entre outros, é graças a uma geração de alunos que não cansavam de cobrar melhorias, ao ponto de acampar em frente à Reitoria por um longo período. Parece exagero? Por muitos anos, as aulas do COS eram ministradas no antigo prédio da Faculdade de Direito, as salas eram emprestadas e não havia estrutura adequada para os alunos de Jornalismo, Rádio e TV (RTV) e Publicidade Propaganda (PP) realizarem as suas atividades práticas. Os alunos do curso de RTV precisavam se descolar quase todos os dias, sob sol escaldante, até o bloco de Ciências Exatas, ao lado do zoológico. É uma distância relativamente longe, a UFMT é uma das maiores do Brasil – seria algo como ir de uma ponta à outra ponta da universidade. Apesar de todas as dificuldades, o COS foi o início de boa parte dos profissionais que atuam no mercado mato-grossense. Este ano, o Curso de Comunicação Social Completou 26 anos de existência, uma história cheia de sonhos, lutas, suor, lágrimas e muitas conquistas.

 

O Livro-reportagem

Composto por duas partes, o registro histórico e os depoimentos de ex-alunos, o livro-reportagem é “uma homenagem aos ex-alunos que deixaram sua marca na construção de uma educação de qualidade,  por meio de suas atuações no Centro Acadêmico de Comunicação Social (Cacos) e na Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (Enecos), além de lembrar professores e jornalistas do mercado local, que,  ainda nos anos 80, fomentaram a criação da faculdade em Mato Grosso”, explica Celly.

 

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De acordo com a jornalista, o livro-reportagem é  fruto de um projeto experimental, dividido em duas partes: a primeira, contando a cronologia do curso, perpassando as gestões do centro acadêmico desde sua fundação,  em 1991, por comunicadores hoje consagrados, como Aline Cubas, Ademar Adams, Luzimar Collares e Justin Fiori, até meados dos anos 2000, época que encerrou um ciclo de luta em prol da construção  do prédio próprio da faculdade. A segunda parte da obra traz uma série de perfis  escritos a partir de entrevistas com os ex-militantes: Ademar Adams, Jonas da Silva, Lairce Campos, Yuri Kopcak, Janaina Pedrotti , Carol Araújo,  Evandro Birello  e Carlos Augusto dos Santos.

 

Noite de Autógrafos

Por se tratar de um registro importante para a história da Comunicação Social no Estado, e que contou com depoimentos valorosos de antigos alunos do COS, hoje, professores e  profissionais atuantes – inclusive alguns fazem parte do Sindjor-MT, a jornalista Celly Alves Silva promove uma noite de autógrafos na sede do sindicato.

 

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Celly autografa o meu livro.

 

O lançamento do livro-reportagem Somos Todos COS – História do Movimento Estudantil de Comunicação Social da UFMT, ocorreu em maio, no Centro Cultural da UFMT. O Blog da Bárbara Fontes esteve presente no evento e bateu um papo bacana e emocionante com a autora:

 

 

Blog da Bárbara Fontes: Celly, como surgiu a ideia de conta a história do movimento estudantil da Comunicação Social da UFMT?

Celly Alves Silva: Eu fui do Centro Acadêmico (C.A.) por duas gestões, de 2009 a 2011. Eu militei na ENECOS, a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, e fui em vários ENECOMs que são os Encontros de Estudantes de Comunicação, e me apaixonei. Eu sou até hoje apaixonada pela militância estudantil. Eu vejo o quanto é importante para a existência do nosso curso e da manutenção da educação pública. Quando chegou na época do TCC na faculdade, a gente não sabe direito o que vai fazer e eu ficava com essa dúvida, porém, um dia veio um estalo: o que eu mais sei e o que eu mais gosto de fazer é o movimento estudantil e eu quero escrever sobre isso. Daí veio a ideia de fazer um livro-reportagem, que foi o meu TCC em 2013.

 

BBF: Então primeiro surgiu o TCC e como ficou bacana, surgiu a ideia do livro?

CAS: Sim. Foi a própria banca, que teve a professora Mariângela, minha orientadora; o professor Tinho Costa Marques; e o professor Yuji Gushiken. Eles sugeriram para submeter à editora da universidade.

 

BBF: O curso ainda era dividido em Habilitações?

CAS: Sim, era. A minha habilitação é Jornalismo.

 

BBF: Durante a sua pesquisa, quais foram as descobertas que chamaram a sua atenção?

CAS: Eu pesquisei vários documentos encaixotados no Centro Acadêmico, antes de procurar as pessoas para fazer as entrevistas. O que me chamou muita atenção nesses documentos foi encontrar fanzines que os alunos produziam, contando o dia-a-dia do curso, a falta de equipamentos, de professor, as histórias dos encontros estudantis e fotos antigas sobre a paralisação dos estudantes que ficaram acampados no Bloco IL (Instituto de Linguagens) e depois na Reitoria. E isso encheu os meus olhos de lágrimas. Eu já participei de várias ocupações de reitoria, mas não de ficar tanto tempo acampado. Então, isso me chamou muito a atenção porque foi fundamental para a melhoria do curso, o salto que o curso deu quando ganhou um bloco próprio e quando foi reconhecido pelo MEC.

 

BBF: Eu fiz parte da primeira geração do COS, entrei em 1993, e o seu livro-reportagem é um importante registro para todos os que passaram pelo curso, principalmente, para homenagear os alunos que militaram com muita garra. Eu também sei que não é fácil escrever um livro. Valeu a pena tantos anos de trabalho?

CAS:Valeu a pena sim, com certeza! E tem de surgir novos livros porque esse vai até o início dos anos 2.000, e de lá para cá aconteceram muitas coisas.

 

BBF: Como foi a parceria com a Editora da UFMT?

CAS: Se não me engano, eu fiz o protocolo na editora em 2014, submetendo o livro para publicação. Foi um processo bem demorado porque depende de pareceres de professores doutores de outras universidades. Também tem o processo de revisão. Mas valeu à pena!

 

BBF: O livro teve algum custo para você?

CAS: Sim, o custo da impressão. O edital da editora era para lançar o e-book. Eu consegui imprimir o livro com recursos próprios e via uma vaquinha que eu fiz.

BBF: Celly, qual mensagem você pode passar para essa nova geração que estuda no Curso de Comunicação Social da UFMT?

CAS: Eu quero que eles tenham curiosidade de ler o livro e conhecer um pouco da história do curso. É importante saber de tantos outros alunos tiveram de passar para que hoje, para eles terem acesso à educação pública. Por mais que o curso ainda tenha alguns problemas até hoje, é necessário que tenha sempre gente ali cobrando, exigindo, reivindicando pelo menos para manter o que a gente tem, que é a educação pública.

 

 

BBF: Na sua trajetória como militante estudantil, qual foi o seu maior ensinamento?

Celly Alves Silva (muito emocionada): Desculpe pela a minha emoção. O que eu mais aprendi foi que a gente não consegue nada sozinho. A militância é uma coisa de amor ao próximo porque você luta e nem sempre colhe os frutos naquele momento, outras pessoas vão colher depois o que você plantou. A gente aprende tanto a lutar e a não aceitar as coisas de maneira passiva. Alunos e professores precisam continuar a resistir e a lutar para continuar a existir a universidade pública.

 

Blog da Bárbara Fontes: Última pergunta, como foi conciliar a produção do livro-reportagem com a maternidade?

Celly Alves Silva: Quando eu escrevi o livro nem sonhava que seria mãe. Eu fiz na época da faculdade. Eu apresentei o TCC em 2013, só agora é publicado como livro. Antes de lançar o livro, eu fiz revisões, adequações e diagramação junto com a editora da UFMT. Nesse processo de revisão e finalização eu estava grávida. A minha filha Laura é a minha companheira. Nos últimos preparativos do livro, quando eu tinha de estar na editora, ela ficava comigo o tempo todo. Ela é sempre tão quietinha, tranquila. Esse livro me deu mais trabalho! (risos).

 

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Foto: acervo pessoal.

 

Celly com o marido Jonison Silva e a pequena Laura.

OBS: Hoje, 30 de maio, Laura completa 4 meses.

 

 

SERVIÇO

Lançamento do livro-reportagem Somos Todos COS, da jornalista Celly Alves Silva

Data: 31 de maio

Horário: a partir das 19h

Local: Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor)

Endereço: Rua Do Carmo, 55, Baú. Cuiabá/MT

Valor do livro: R$ 35,00

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3º Prêmio Veja Comer & Beber Cuiabá

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Foto: Bárbara Fontes

O tempo passou tão depressa e, de repente, um ano havia se passado desde a última edição do Prêmio da revista Veja Comer & Beber Cuiabá. A terceira edição aconteceu no mês de maio (15), no Espaço Stelata, do Buffet Leila Malouf. É o mais importante prêmio de gastronomia do país, e pela segunda vez consecutiva, Cuiabá abre a temporada de premiações dos melhores endereços gastronômicos locais em três categorias: Comidinhas, Bar e Restaurante, além de delivery, voto do leitor e empreendedor Santander. Essas categorias foram definidas pela redação da revista Veja Comer & Beber, com sede na capital de São Paulo.

 

 

“Todo ano a gente procura olhar o que está acontecendo na cidade e mudar um pouco as categorias. A gente observa o movimento da cidade e na hora em que a gente decide quais prêmios a gente vai dar, olhamos para isso. A gente viu que apesar da crise, dos últimos meses difíceis, abriram muitos restaurantes, então a gente lançou a categoria “Novidade do Ano”, para privilegiar quem está se arriscando a investir num momento desses. Outra categoria nova que a gente fez e acho que é uma tendência mundial, “A Melhor Refeição Saudável”, não é necessariamente para um restaurante vegetariano ou vegano, mas para o estabelecimento que tenham opções para quem não quer comer carne ou que queira uma refeição com alimentos orgânicos”, disse Mônica Santos, editora da revista Veja Comer & Beber e coordenadora do prêmio, para o Blog da Bárbara Fontes.

 

 

Foi uma noite de muitas torcidas e emoções que premiou nomes consagrados como o Mahalo e Haru, e estabelecimentos que foram indicados pela primeira vez, como o Serra Grande – A Casa da Cerveja. O Mahalo Cozinha Criativa, que tem à frente a chef Ariani Malouf, venceu pelo terceiro ano consecutivo (já pode pedir música para o Fantástico!) o prêmio Veja Comer & Beber nas categorias “Melhor Restaurante da Cidade” e “Melhor Variado/Contemporâneo’.

 

 

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Foto: Bárbara Fontes

Cuiabá não deixa nada a desejar em relação aos grandes centros gastronômicos, há estabelecimentos que merecem muitas estrelas Michelin (é considerado o guia mais respeitado do mundo  e premia os melhores restaurantes, classificando-os com estrelas – de 1 a 3.*). A capital de Mato Grosso completou 300 anos em 8 de abril e possui diversidade gastronômica que vai da peixada mais tradicional do São Gonçalo Beira-Rio (onde nasceu Cuiabá) aos restaurantes contemporâneos – aqueles que servem comidas que assistimos no Masterchef e outros reality shows de culinária. Cuiabá tem comida, salgados, bebidas, doces, carnes vermelhas e brancas, frutos do mar, vegetarianos e veganos para todos os gostos e bolsos.

 

Como funciona a premiação

O júri é composto por artistas, esportistas, profissionais da comunicação e do cinema, professores de Gastronomia; servidores públicos e profissionais liberais que moram em Cuiabá, num total de 29 pessoas. Eles elegeram os melhores Bares, Restaurante e Comidinhas. Então, os resultados são tabulados em ordem decrescente: os jurados escolheram os três melhores em cada uma das categorias. Com essas informações, a redação da revista Veja Comer & Beber atribui uma pontuação a cada uma das posições, sendo: 5 pontos para o 1º colocado; 2 pontos para o 2º; e 1 ponto para o 3º colocado. “A soma dos pontos determinou os três primeiros lugares” (revista Veja Comer & Beber Cuiabá 2019, página 8).

Para eliminar os empates, a redação teve como critério inicial, o número de menções na tabela do juri, sendo assim, o vencedor é aquele que foi citado por mais pessoas do juri. Se os empates permanecem, a próxima solução é levar em conta a posição na tabela – quantas vezes o estabelecimento ficou em primeiro, segundo ou terceiro lugar. Caso os empates continuam, a última solução é o voto de minerva dado pela equipe da revista Veja, apoiada em avaliações in loco.

Como acontece todos os anos, o banco Santander elege o “Empreendedor do Ano”. Este ano foram inseridos mais duas votações: a online (voto do leitor) e a de “Melhores Serviços de Delivery (categorias Comida Brasileira; Pizzaria e Hambúrguer) patrocinado pelo Ifood”.

 

Novos indicados ao prêmio

Um dos meus locais favoritos em Cuiabá, o Gabinete Antes do Café foi um dos indicados na categoria. O Gabinete é um lugar aconchegante que reúne boa comida, bebidas, sobremesas, música, brechó, sebo e uma decoração linda! É tudo de um bom gosto. Na noite de premiação, o Blog da Bárbara Fontes conversou com as proprietárias Soraia Morão (mãe do querido ator Thyago Mourão) e Juliana Albernaz:

 

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Foto: Helder Faria

“Foi uma surpresa porque a gente faz as coisas tão sem pretensão de nada e a gente nem sabe da repercussão que a gente tem. Então foi uma surpresa”, disse Soraia. “O fato da gente ser indicado já é um prêmio pra gente. Estamos muito felizes”, afirma Juliana Albernaz que também complementa “A ideia do Gabinete Antes do Café é que a casa é sua”.

 

 

O Melhor Bolinho de arroz: “É o Amor!”

Não foi novidade para os convidados que acompanharam a premiação, quando o jornalista e apresentador do SBT, Daniel Adjuto chamou ao palco a dona Eulália para receber o prêmio de “Melhor Bolinho de Arroz de Cuiabá”. É a terceira vez consecutiva que o estabelecimento “Eulália e Família” recebe o prêmio Veja Comer & Beber Cuiabá. Muito emocionada, a mais famosa quituteira de Cuiabá repetiu no palco o que alguns minutos antes ela havia me dito: “É muita Emoção!”. Quando Daniel perguntou sobre o segredo da receita, ela humildemente respondeu “É amor!”. O “Eulália & Família” é um local que deve ser ponto obrigatório para quem for visitar Cuiabá e para quem sai da primeira missa (às 4h30) na Igreja do Rosário e São Benedito.

 

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Foto: Helder Faria

Dona Eulália é uma fofura de senhorinha de 85 anos que dedicou a sua vida aos quitutes tradicionais cuiabanos. Eu frequento o estabelecimento desde quando dona Eulália acordava às 4 da manhã para colocar a mão na massa. Em 2008, eu estive no “Eulália & Família” bem cedinho com uma equipe de filmagem para a gravação de um documentário sobre a Cultura e Turismo de Mato Grosso, e dona Eulália estava à frente do forno quente. Quando terminamos, ela preparou um pacote com pães de queijo, francisquitos (feito de polvilho) e bolinhos de arroz e me entregou. Eu perguntei quanto custava e ela me respondeu que não custava nada e que ficou preocupada com a equipe – que ainda tinha o dia todo para filmar em outras locações – e preparou os quitutes para nós. Ela também nos disse que era uma forma de nos agradecer. A equipe ficou emocionada com carinho e preocupação, e a honra de estar com ela foi toda nossa!

 

Chef celebridade

Indicado pela terceira vez como “Melhor Chef”, Hugo Rodas experimentou algo diferente nesta terceira edição do prêmio Veja Comer & Beber Cuiabá: a sua chegada e permanência na premiação foi notada por muitos convidados. Alguns se aproximaram para cumprimentá-lo, outros queria conversar e também tirar fotos. O motivo de tanto assédio é que Hugo é participante do reality Show “Fecha a Conta”, do programa Mais Você, da Ana Maria Braga.

Muito simpático e acessível, Hugo conversou com o Blog da Bárbara Fontes sobre a sua carreira como chef de cozinha, proprietário do badalado restaurante Seu Majó e também sobre a sua participação no Fecha a Conta, o qual foi vencedor.

 

Confira os finalistas e os vencedores (em negrito):

 

COMIDINHAS

O Melhor bolinho de Arroz: Chá com Bolo Cuiabano Tia Fran; Eulália e Família; Bolo de Arroz & Companhia

O Melhor Café: Amado Grão; Café & Prosa; Gabinete antes do Café

A Melhor Doceria: Fábula Doces; Magrello; Simone Klauk Pátisserie

O Melhor Háburguer: Cozinha dos Fundos; Jymmy Burguer; Rock Burguer

A Melhor Padaria: Bakehouse 44; Sorella; Studio do Pão

O Melhor Sorvete: Alaska; Matteo Gelato Criativo; Nevaska

 

BARES

O Melhor Boteco: Bar do Edgare; Bar do Jarbas; Fundo de Quintal

A Melhor Carta de Cervejas: Hookerz; Serra Grande A Casa da Cerveja; Sumérios Templo Cervejeiro

O Melhor Gastrobar: Mezada Baricoz; Talavera Bar e Restaurante; Varadero Bar e Restô

A Melhor Happy Hour: Armazém Mamur; Bar das Águas; Ditado Popular

O Melhor Bar para Ir a Dois: Porão Parrilla y Tragos; Talavera Bar e Restaurante; Varadero Bar e Restô

 

RESTAURANTES

A Melhor Carne: Açougue 154; Grand Toro Steakhouse; Meat’s Grill

O Melhor Japonês: Haru Oriental; Japô Casa; Santô Oriental

A Melhor Pizzaria: Gato Mia Pizzaria; Padrino; Santa Oliva Pizza Restô

A Melhor Receita de Pintado: Lélis Peixaria; Mirante das Águas; Restaurante e Peixaria Okada

A Melhor Refeição Saudável: Arado Natural; Body Chef; Raposa Vegana

O Melhor Variado/ Contemporâneo: Flor Negra; Mahalo; Seu Majó

Novidade do Ano: Arado Natural; Coco Bambu; Outback

O Melhor da Chapada dos Guimarães: Atmã; Bistrô da Mata; Pomodori

 

O Melhor dos Melhores!

 

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Mahalo é eleito “O Melhor Restaurante da Cidade” e Ariani Malouf agradece. Foto: Helder Faria.

 

 

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A editora da revista Veja Comer & Beber, com Carol Manhozo, eleita a chef do Ano. Foto: Helder Faria.

 

 

O Melhor Restaurante da Cidade: Flor Negra; Haru Cozinha Oriental; Mahalo

Chef do Ano: Ariani Malouf (Mahalo); Carol Manhozo (Flor Negra); Hugo Rodas (Seu Majó)

Chef Revelação: Nilvo Salvatori (Santô Oriental); Phellipe Jacob (Roostic); Silvério Cerqueira (Avec)

 

Informações adicionais

*Guia Michelin via Wikipédia.

**Esta reportagem também tem informações obtidas pela Assessoria de Imprensa Pau & Prosa, que também gentilmente forneceu fotos.

**Foto de capa: os vencedores da 3º edição do Prêmio Veja Comer & Beber Cuiabá. Crédito: Helder Faria/Pau E Prosa Comunicação.

 

Saiba mais:

Qual é o melhor bolinho de arroz de Cuiabá?, acesse aqui.

Os melhores de Cuiabá (2º edição do prêmio Veja Comer & Beber), acesse aqui.

O Blog experimentou (Outback Cuiabá), acesse aqui.

Site da revista Veja Comer & Beber, acesse aqui.

Hino de Mato Grosso

Conheça a história de um dos hinos mais belos do Brasil

 

Quando Dom Aquino Corrêa terminou o “Canção Mato-grossense” não imaginava que a obra literária atravessaria o século e se tornaria o hino oficial de Mato Grosso. O poema foi escrito para homenagear o bicentenário de Cuiabá, celebrado no dia 8 de abril de 1919. É importante ressaltar que durante décadas, a capital cuiabana (fundada em 1719) pertencia à Capitania de São Paulo e somente em 1748, com a nomeação do primeiro Capitão-general pela Coroa Portuguesa, Antônio Rolim de Moura, é criado o Estado, portanto, Cuiabá é legalmente mais velha do que Mato Grosso.

 

 

Em 1919, Mato Grosso era outro, assim como a sua capital. Não existia o estado de Mato Grosso do Sul e ainda se ouvia histórias sobre a famigerada Gerra do Paraguai, também conhecida como a Guerra da Tríplice Aliança ou a Grande Guerra. Iniciada em dezembro de 1864, matou milhares de brasileiros, inclusive mato-grossenses, e paraguaios até o seu término em março 1870. Ainda havia resquícios da guerra em Mato Grosso e a ferida não estava totalmente cicatrizada.

 

 

Francisco Aquino Corrêa, nascido em Cuiabá na mesma casa do político Joaquim Murtinho, hoje o Museu Dom Aquino, situado às margens do rio Cuiabá (na avenida Beira-Rio), fez questão de relembrar na obra “Canção Mato-grossense” os heróis cuiabanos que lutaram bravamente na Guerra do Paraguai. Se hoje, Corumbá e Dourados permanecem no território brasileiro é graças aos cuiabanos que deixaram as suas famílias para defender estas cidades tomadas pelas tropas do presidente paraguaio Francisco Solano Lópes, mentor e executor da Grande Guerra. Dom Aquino não queria que o povo mato-grossense se esquecesse dessa parte dolorida da história do Brasil. E nem dos bravos Antônio João Ribeiro, que comandou a colônia militar de Dourados, e  Antônio Maria de Coelho, que liderou a retomada de Corumbá em 13 de junho de 1865. Antônio Maria (Barão de Amambaí) foi o primeiro governador de Mato Grosso depois da proclamação da República, e também é o criador da bandeira do Estado. Na Cuiabá de 1919, também havia outra questão que tirava o sono de muita gente: já se falava, confabulava a respeito da divisão de Mato Grosso, e Dom Aquino era contra.

 

 

O Hino de Mato Grosso

Limitando, qual novo colosso,
O Ocidente do imenso Brasil,
Eis aqui, sempre em flor, Mato Grosso,
Nosso berço glorioso e gentil! 

Eis a terra das minas faiscantes,
Eldorado como outros não há,
Que o valor de imortais bandeirantes
Conquistou ao feroz Paiaguá! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu
Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal! 

Terra noiva do Sol, linda terra
A quem lá, do teu céu todo azul,
Beija, ardente, o astro louro na serra,
E abençoa o Cruzeiros do Sul! 

No teu verde planalto escampado,
E nos teus pantanais como o mar,
Vive, solto, aos milhões, o teu gado,
Em mimosas pastagens sem par! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu
Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal! 

Hévea fina, erva-mate preciosa,
Palmas mil são teus ricos florões;
E da fauna e da flora o índio goza
A opulência em teus virgens sertões! 

O diamante sorri nas grupiaras
Dos teus rios que jorram, a flux.
A hulha branca das águas tão claras,
Em cascatas de força e de luz! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu 

Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal!
Dos teus bravos a glória se expande
De Dourados até Corumbá;
O ouro deu-te renome tão grande,
Porém mais nosso amor te dará! 

Ouve, pois, nossas juras solenes
De fazermos, em paz e união,
Teu progresso imortal como a fênix
Que ainda timbra o teu nobre brasão! 

Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu
Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal!

 

 

Criado por meio do Decreto n. 38, de 03 de maio de 1983, pelo então governador Júlio Campos, após uma avaliação realizada entre os anos de 1982 e 1983, por uma comissão formada por Adauto Dias de Alencar, pelos jornalistas Pedro Rocha Jucá e Arquimedes Pereira Lima (que conviveu com Dom Aquino), Marília Beatriz de Figueiredo Leite (filha do desembargador e primeiro escritor Modernista do Estado, Gervásio Leite), e Lidio Modesto.  A missão da equipe de intelectuais e estudiosos da História e Cultura de Mato Grosso era reconhecer oficialmente ou não o Hino de Mato Grosso. O motivo era que o poema de Dom Aquino cita as cidades de Corumbá e Dourados que, com a divisão do estado em 1977, não pertenciam mais a Mato Grosso. Hoje, as duas cidades fazem parte de Mato Grosso do Sul. A comissão decidiu manter a letra original pelo valor histórico que possui. Segundo trecho do Relatório da Comissão,

 

“Mas o heroísmo dessas figuras não diz respeito apenas a Mato Grosso, e sim ao Brasil, nas circunstâncias por que passava a soberania nacional”

 

O Relatório completo está disponível para pesquisa na Superintendência de Arquivo Público de Mato Grosso. Segundo o documento, que revelou vários aspectos da letra do Hino de Mato Grosso, o termo “qual novo colosso”, na primeira estrofe faz uma comparação entre Mato Grosso e o Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e que já não existe mais. No trecho “teu progresso imortal como a Fênix”, representa o Estado que, mesmo passando por dificuldades, renascia sempre para o progresso. A alusão está presente também nos brasões de Cuiabá, e de Mato Grosso. Na mitologia grega, o pássaro Fênix é queimado e ressurge das cinzas.

 

 

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Marília Beatriz. Foto: Ahmad Jarrah (acervo pessoal)

 

O Blog da Bárbara Fontes conversou com a advogada, escritora e ex-presidente da Academia Mato-grossense de Letras (AML), Marília Beatriz de Figueiredo Leite, que fez parte da comissão que analisou o Hino de Mato Grosso:

 

 

Blog da Bárbara Fontes: O Hino de MT é importante nos dias de hoje? Por quê?

Marília Beatriz: Toda solenidade deve ter uma celebração e nada melhor do que uma canção para apontar os fatos e os feitos significantes de um território.

 

Blog da Bárbara Fontes: No início da década de 1980, a senhora fez parte da Comissão que analisou o Hino de Mato? Qual era o objetivo? O que a Comissão decidiu?

Marília Beatriz: O objetivo era o estudo e a adequação do Hino ao momento histórico.
Havia ocorrido a divisão do Estado e assim era necessária uma avaliação conjuntural.
A comissão decidiu que devia permanecer como era. Se me lembro, eu fui voz discordante pois entendia que Dourados e Corumbá não pertenciam ao estado nascente.

 

Blog da Bárbara Fontes: Quando a senhora ouve o Hino de Mato Grosso, quais sentimentos lhe chegam?

Marília Beatriz: Quando ouço o hino sinto realmente uma emoção pelo amor que devoto ao estado que adotei e a terra dos meus pais.

 

Blog da Bárbara Fontes: Na sua opinião, o Hino de MT deve ser cantado nas escolas como uma obrigação ou somente em momentos festivos?

Marília Beatriz: Entendo que fazer do canto do Hino uma obrigação escolar é perder o sabor, o prazer da surpresa. O que é obrigatório deixa de ter emotividade e passa a ser mera prisão de nenhuma cidadania. O hino é saudação, celebração e como tal deve ser tocado, escutado em liberdade.

 

 

 

Dom Aquino Corrêa

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Foto: Missão Salesiana de Mato Grosso

Uma das maiores mentes de Mato Grosso, Dom Francisco de Aquino Corrêa foi o primeiro cuiabano a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Nasceu em 2 de abril de 1885. Foi o bispo mais jovem do Brasil e se tornou Arcebispo de Cuiabá. Fundou a Academia Mato-grossense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Publicou dezenas de livros como “Odes” e “Terra Natal”. Também foi governador do Estado entre os anos de 1818 à 1922. Faleceu na capital de São Paulo em 22 de março de 1956.

 

 

 

Memória Afetiva

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Bárbara Fontes repassa a cena com os Nambiquaras. Foto: Acervo Pessoal

 

Em 2007, eu recebi uma das maiores missões da minha vida profissional: roteirizar e dirigir um videoclipe do Hino de Mato Grosso para o Sebrae-MT. Por meses, eu me debrucei nos acervos sobre Dom Aquino Corrêa e tudo o que envolve a história do hino. Assim nasceu a obra cinematográfica, exibida em quase todos os países do mundo, “Canção Mato-grossense”. O título do videoclipe é em homenagem a Dom Aquino, e mostra as belezas de naturais, a cultura popular e a vida moderna dos mato-grossenses, porém, se esquecer dos verdeiros donos da terra: os indígenas. A trilha sonora reúne os ritmos musicais presentes no Estado. Para realizar a obra cinematográfica foi necessário reunir uma equipe de 120 pessoas e foram utilizados os equipamentos mais sofisticados na época, como uma Redcam (câmera) vinda dos EUA, novidade em Hollywood e utilizada pelo cineasta Steve Spielberg.

 

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Bárbara Fontes e equipe filmam na Aldeia Nambiquara. Foto: Acervo Pessoal

Foi um importante marco para o Audiovisual mato-grossense que contou com o apoio  financeiro e logístico do Sebrae-MT que acreditou no projeto, e que apostou na contratação de uma cineasta mulher criada em Mato Grosso. É importante que eu cite uma pessoa que foi fundamental na escolha de meu nome para o Sebrae-MT: Magna Domingos – uma das mais importantes produtoras culturais do Brasil. Infelizmente, ela nos deixou no final de 2018. Minha gratidão à querida Magna!

 

 

Acesse o link do videoclipe “Canção Mato-grossense” – Hino de Mato Grosso aqui:

 

 

 

*Esta reportagem tem informações da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado de Mato Grosso (Secom-MT).

**Foto de capa: Bandeiras de Mato Grosso e do Brasil. Foto: Lenine Martins/Secom-MT

 

***Matéria publicada no dia em que Mato Grosso completou 271 anos, em 09 de maio de 2019.

Cultura

Lei Rouanet é extinta. Conheça a nova Lei de Incentivo à Cultura.

 

O Ministério da Cidadania publicou no Diário Oficial da União (DOU), do dia 24 de abril, por meio do Gabinete do Ministro, a Instrução Normativa (IN) Nº 2, de 23 de abril de 2019, onde estabelece procedimentos para apresentação, recebimento, análise, homologação, execução, acompanhamento, prestação de contas e avaliação de resultados de projetos culturais financiados pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). O Pronac é o maior programa de fomento à Cultura do país e mudanças já eram esperadas a partir janeiro deste ano, quando iniciou o governo Bolsonaro. A Lei Rouanet como conhecemos não existe mais, e a partir da publicação no DOU, a nomenclatura que vale é ‘Lei de Incentivo à Cultura’. Acabar com a Lei Rouanet, assim como o Ministério da Cultura (hoje é a Secretaria Especial de Cultura, vinculado ao Ministério da Cidadania) eram promessas de campanha à presidência do Brasil, do então candidato Jair Bolsonaro.

 

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Ministro Osmar Terra. Foto: Diego Queijo/Assessoria de Comunicação/Ministério da Cidadania

O anúncio foi feito pelo ministro Osmar Terra, dois dias antes da publicação no Diário Oficial da União: “Queremos que os pequenos e médios artistas, de todas as regiões, sejam beneficiados pela Lei. Mais projetos apoiados significa mais atividades culturais em mais cidades do Brasil. É a cultura chegando mais perto de cada brasileiro, e construindo cidadania”, disse Terra, segundo informações da Assessoria de Imprensa do Ministério da Cidadania.

 

As mudanças na Lei de Incentivo à Cultura dividiram opiniões de artistas e produtores culturais, como apontou uma reportagem da Agência Brasil (24/04): a redução do teto dos projetos contemplados de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão, pode prejudicar os programas culturais que promovem emprego e renda em todo país. Também há preocupação com a redução do valor de R$ 60 milhões para R$ 10 milhões, o valor máximo que uma empresa pode financiar, o que também pode prejudicar grandes eventos culturais, geralmente gratuitos, que acontecem durante o ano todo nas grandes capitais. Essas reduções, segundo consta na Instrução Normativa Nº2, seguem de acordo “para o cumprimento do princípio da não concentração, disposto no § 8º do art. 19 da Lei nº 8.313, de 1991”. Ela também estabelece que o proponente que apresentar o seu primeiro projeto junto ao Pronac até o valor de R$ 200 mil reais, está dispensado da comprovação de atuação na área cultural.

 

Mario Olimpio
Mario Olimpio/Acervo Pessoal

 

A respeito da descentralização de recursos proposta na Instrução Normativa Nº 2: “a mudança é boa para o Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mas as mudanças na Instrução Normativa devem vir acompanhadas de ações efetivas para estimular o investimento das empresas nos projetos desses Estados.”, disse o advogado e produtor cultural, Mario Olímpio que atualmente mora em Brasília, para o Blog da Bárbara Fontes.

 

 

Silvana Córdova
Silvana Córdova/Acervo Pessoal

 

Também conversou com o Blog, a produtora cultural de Cuiabá/MT, Silvana Córdova, que contou sobre sua experiência na elaboração de projetos via Lei Rouanet:

 

 

 

 

 

Já são 8 anos que faço projetos para Rouanet principalmente para o Grupo Cena Onze. Inscrever projetos através do sistema salicweb, não tem muitos segredos é fácil, e podemos contar ainda com um Manual disponibilizado pelo site do Ministério da Cidadania. E se bem elaborado, ele também é facilmente aprovado. A problemática está em captar o valor aprovado, eu mesma já perdi as contas de quantos projetos meus já foram aprovados e tão poucos foram realmente captados. A captação para a região Centro-Oeste não é nada fácil e para que se concretize muitas das vezes temos que buscar outros editais para conseguir captar o valor aprovado ou parte dele.

 

Sobre as novas mudanças na Lei de Incentivo à Cultura, Silvana comenta que:

Essa nova mudança da Lei feita pelo governo Bolsonaro, para mim representa uma da mais radicais. Se formos pôr na balança não dá para equilibrar as contas, o valor diminui e a contrapartida social aumenta. Se eles buscam mais democratização da cultura (o que eu acho maravilhoso se isso realmente acontecesse), o Governo deveria investir mais nos projetos. Os projetos anuais de preservação do patrimônio histórico vão ser totalmente prejudicados. Como vão ficar nossos Museus? Grande parte do Museus brasileiros tem projetos aprovados acima do teto estabelecido.

Eu acho sim, que a Rouanet precisava de umas adequações, principalmente para incentivar projetos de “desconhecidos”, pois artistas iniciantes precisam ser incentivados e ter recursos para executar seus projetos. O que acontece é que a grande concentração fica com artistas renomados do eixo Rio e São Paulo. Claramente não há uma preocupação em melhorar o acesso a recursos para os proponentes menores e que estão descentralizados. Pois quando eles alegam que casas financeiras estatais devem deixar de colocar dinheiro em projetos de Rio e São Paulo para concentrar investimentos no Norte e Nordeste, essa democratização não será resolvida sem alargar a base de investidores.

Concordo com grande parte dos produtores culturais que estão se manifestando, alegando que essa é uma forma de transformar a arte e a cultura, que deveriam ser livres e acessíveis a todos, em mais uma mercadoria na mão de empresários.”

 

 

Nova Lei de Incentivo à Cultura

*Áreas culturais que podem receber incentivo e fomento: Artes Cênicas, Audiovisual, Música, Artes Visuais, Patrimônio Cultural Material e Imaterial, Museus e Memória e Humanidades;

 

*Os recursos captados e depositados na Conta Vinculada do projeto tornam-se renúncia fiscal e adquirem natureza pública, não se sujeitando a sigilo fiscal;

 

*Os recursos captados não serão computados na base de cálculo do Imposto sobre a Renda (IR), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins) e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), desde que tenham sido exclusivamente utilizados na execução de projetos culturais, o que não constituirá despesa ou custo para fins de apuração do IR e da CSLL e não constituirá direito a crédito de PIS e Cofins;

 

*Compete à Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) e à Secretaria do Audiovisual (SAV) planejar, coordenar e supervisionar a operacionalização do mecanismo de incentivo a projetos culturais do Pronac (recebimento de propostas; a tramitação de propostas e projetos; o encaminhamento para parecer técnico e monitoramento das análises; o acompanhamento da execução dos projetos culturais; e a análise de prestações de contas e avaliação de resultados dos projetos.);

 

*As ações culturais e suas documentações correspondentes serão apresentadas, por pessoas físicas ou jurídicas, por intermédio do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), acessível no sítio eletrônico da Secretaria Especial de Cultura. O período para apresentação de propostas culturais é de 1º de fevereiro até 30 de novembro de cada ano;

 

*As propostas culturais deverão ser apresentadas, no mínimo, com 90 (noventa) dias de antecedência da data prevista para o início de sua pré-produção, sendo admitidos prazos inferiores em caráter de excepcionalidade, devidamente justificados pelo proponente e desde que autorizados pelo Ministério da Cidadania;

 

*O proponente que apresentar o seu primeiro projeto junto ao Pronac estará dispensado da comprovação de atuação na área cultural, sendo este limitado ao valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais);

 

*As instituições culturais sem fins lucrativos poderão apresentar propostas culturais visando ao custeio de atividades permanentes, na forma de plano anual ou plurianual de atividades. As propostas deverão ser apresentadas até o dia 30 de setembro do ano anterior ao do início do cronograma do plano anual ou plurianual de atividades;

 

*Limites de quantidades e valores homologados para captação por proponente: a) para Empreendedor Individual (EI), com enquadramento Microempreendedor Individual (MEI), e para pessoa física, até 4 (quatro) projetos ativos, totalizando R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Para os demais enquadramentos de Empreendedor Individual (EI), até 8 (oito) projetos ativos, totalizando R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais). Para Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), Sociedades Limitadas (Ltda.) e demais pessoas jurídicas, até 16 (dezesseis) projetos ativos, totalizando R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);

*O valor homologado para captação por projeto fica limitado em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), respeitando-se as exceções. OBS: esses valores não valem para:

I – planos anuais e plurianuais de atividades;

II – patrimônio cultural material e imaterial;

III – museus e memória;

IV – conservação, construção e implantação de equipamentos culturais de reconhecido valor cultural pela respectiva área técnica do Ministério da Cidadania; 

V – construção e manutenção de salas de cinema e teatro em municípios com menos de 100.000 (cem mil) habitantes.

 

*É obrigatória a previsão e a contratação de contador com o registro no conselho de classe para a execução de todos os projetos, podendo o proponente utilizar o profissional de sua empresa.

*É obrigatória a previsão de serviços advocatícios para todos os projetos, ainda que posteriormente o item não venha a ser executado.

*A remuneração para captação de recursos fica limitada a 10% (dez por cento) do valor do Custo do Projeto (Anexo I) e ao teto de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Os valores destinados à remuneração para captação de recursos somente poderão ser pagos proporcionalmente às parcelas já captadas.

*Os custos de divulgação não poderão ultrapassar 30% (trinta por cento) do Valor do Projeto de até R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) e não poderão ultrapassar 20% (vinte por cento) para os demais projetos.

*É obrigatória a inserção das logomarcas do Programa Nacional de Apoio à Cultura – Pronac, do Vale-Cultura e do Governo Federal, conforme disciplinado no art. 47 do Decreto nº 5.761, de 2006, especificados nos respectivos manuais de uso das marcas da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania.

 

Saiba mais:

Instrução Normativa Nº2, de 23 de abril de 2019 aqui.

Site da Lei de Incentivo à Cultura aqui.

Marcas e manual do Pronac aqui.

Ministério da Cidadania: “Nova Lei de Incentivo à Cultura reduz de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão teto de captação por projeto”, acesse aqui.

Agência Brasil: “Artistas e produtores analisam mudanças na Lei Rouanet”, acesse aqui.

300 anos de Cuiabá

Série ‘Saudades de Cuiabá’: cuiabanos contam sobre suas vidas em outros lugares

Viviane Spinelli

Eu sempre admirei a arquiteta e produtora de cinema Viviane Bressane Spinelli. A sua trajetória de vida me inspira.

 

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Álbum de família: da esquerda para direita: Rodrigo, Bia, Viviane, Tom e Marina. Acervo Familiar/Facebook.

 

 

 

Nascida em Cuiabá em março de 1969, a sua família é pioneira na capital de Mato Grosso. Seus pais, Tom e Bia Spinelli pessoas conhecidas, assim como os seus irmãos Rodrigo e Marina.

Viviane poderia muito bem viver em Cuiabá onde teria todas as condições para seguir em qualquer carreira e uma vida financeira estável, porém, ela sempre quis mais e desbravar o mundo fazia parte dos planos.

 

 

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Rodrigo, Marina e Viviane. Acervo Familiar/Facebook

 

 

Sempre que é possível, Viviane vem para a Cuiabá, como aconteceu em março deste ano onde comemorou com a família e amigos de infância e adolescência, o seu aniversário de 50 anos.

 

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Tanira e Viviane na comemoração de aniversário de 50 anos, em Chapada dos Guimarães/MT.

 

Atualmente mora em Miami (Flórida/EUA), com a médica brasileira, Tanira Belloc, também radicada nos país. Este ano, Viviane completa 26 anos em que vive nos Estados Unidos.

 

Ordem de Rio Branco

Em agosto de 2018, ela recebeu a Comenda da Ordem de Rio Branco das mãos do embaixador Adanio S. Ganen, pela a sua contribuição à Cultura brasileira em Miami.  O evento, realizado pelo governo brasileiro e o IItamaraty/ Ministério das Relações Exteriores, aconteceu no Consulado Geral do Brasil, em Miami. A medalha é a maior condecoração oferecida fora do país. Segundo o Itamaraty, há uma frase em latim gravada: “Ubique Patriae memor”, que significa “Em qualquer lugar, terei sempre a Pátria em minha lembrança”. Numa entrevista concedida para a revista Brazil/USA – South Florida, Viviane Spinelli disse:

Trabalhamos incansavelmente pela divulgação e comercialização de nossa cultura no Brasil, mas principalmente no exterior, com a realização do Circuito Inffinito de Festivais, que produz festivais de cinema exclusivamente brasileiro em várias cidades do mundo.”

 

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Viviane ministrou uma palestra sobre o Brazilian Film Festival, num evento internacional de negócios, nos Estados Unidos. Acervo Pessoal.

 

Viviane é formada em Arquitetura, na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, em 1991. “Eu morava com a minha avó”, disse. Depois de formada, retorna para Cuiabá onde montou com primo Newton Spinelli Palma a empresa Ayra Arquitetura e Construção.
Em 1994, após conseguir juntar dinheiro, viajou para a Califórnia para estudar inglês. Em 1997, já morava em Miami, e ao lado da produtora de cinema, Adriana  Dutra e da irmã Cláudia Dutra fundam a produtora de cinema, Inffinito. Entre as realizações da empresa está o Brazilian Film Festival, que este ano segue para a sua 23º edição.

 

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O cineasta Cacá Diegues recebeu homenagem no 22º Brazilian Film Festival (2018), em Miami/EUA. Acervo Familiar/Facebook

O Blog da Bárbara Fontes bateu um papo com Viviane Spinelli em dois momentos. O mais recente aconteceu esta semana, durante as suas férias em Punta Cana.

Blog da Bárbara Fontes: Viviane, por que realizar um festival brasileiro de cinema nos EUA?

Viviane Spinelli: A gente queria mostrar para os Estados Unidos que o Brasil não era só samba e futebol. Também tem Cultura e Cinema, e essas coisas não eram vistas lá. A ideia era exibir filmes brasileiros e músicas. Foi uma forma de mostrar a Cultura brasileira.

BBF: Em março, você esteve em Cuiabá onde comemorou o seu aniversário de 50 anos. Como foi esse momento de reencontro com a família e amigos?

Viviane Spinelli: Meu aniversário foi um momento especial na minha vida e celebrar com a minha família foi mágico e muito importante! Nós não só celebramos meus 50, como também a recuperação da saúde de minha irmã. Então foi um evento bem privado, com a família e amigos mais próximos meus e dela.

BBF: A respeito de Cuiabá, o que você mais tem saudades ou sente falta?

Viviane Spinelli:  Sinto saudades das coisas mais simples, como os almoços barulhentos com toda família e da minha infância onde comíamos fruta do pé, como manga, jaboticaba e goiaba (que tínhamos em casa) e também uma fruta vermelha ácida, que chamávamos de jacote e agora acho que chamam seriguela e caju fruta típica de MT que tinham na chácara do meu padrinho tio Vasquinho, onde varias famílias se reuniam todo domingo. Aliás esses amigos de infância da chácara e que em parte ainda fazem parte da minha vida e de meus irmãos, e que estiveram presentes na minha celebração de 50 anos.

BBF: Quais são os seus planos para o decorrer deste ano?

Viviane Spinelli: Meu plano pra 2019 é produzir o 23 Brazilian Film Festival of Miami em setembro. Também quero expandir a minha produção audiovisual em Miami em 2019.
E já estou trabalhando com dois amigos, Jade Matarazzo e Mauricio Ferrazza para isso. Ano passado realizei 2 projetos: direção de produção de uma série de tv, Opção América, direção da Adriana Dutra minha sócia. Foi filmado em maio de 2018 e conta a história da imigração latino americana pra Miami nos último 20 anos. Abordando a situação política de Argentina, Colômbia, Bolívia, Haiti, Cuba, Venezuela e também Brasil, e o porque dos 7 personagens terem optado por Miami. Serão episódios distintos de casa um deles. A série está em fase de pós produção e será veiculada no Canal Brasil no segundo semestre desse ano. Também fiz a direção e edição, no fim do ano passado, de um documentário em Tributo a Miguel Perrotti. Um querido amigo, investidor e filantropo, que faleceu e teve como último legado o apoio a um mural do artista Kobra.

Saiba mais:

Site da Inffinito aqui:

Foto de capa: Viviane Spinelli recebe a Comenda da Ordem de Rio Branco das mãos do embaixador Adanio S. Ganen.

 

 

De novo, Brasil?

Brumadinho chora e o Brasil estarrecido pergunta: Por quê?

ATUALIZADO: 21/02/2019

– BOLETIM da Defesa Civil de Minas Gerais:

28 dias de buscas; 171 pessoas mortas;

160 corpos identificados e 124 liberados e entregues às famílias;

139 desaparecidos;

192 resgatados;

392 pessoas localizadas.

*Os bombeiros encontraram o local onde funcionava o almoxarifado da sede da mineradora VALE/SA. Há possibilidade de haver muitos corpos soterrados.

 

Multa milionária

A VALE S/A recebeu 14 multas que totalizam R$ 108.323.890,00, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA) – prefeitura de Brumadinho (MG).

As multas são referentes ao rompimento da Barragem B1, na Mina do Córrego do Feijão, ocorrida em 25 de janeiro de 2019, e foram entregues no dia 31 de fevereiro.

 

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(Foto: prefeitura de Brumadinho/MG)

 

No dia 07, a mineradora apresentou petição que anexa relatórios de monitoramento, e também comunicou que irá interpor recurso administrativo dentro do prazo definido pela legislação municipal (30 dias do recebimento das informações das infrações).

(Com informações da prefeitura de Brumadinho/MG).

 

 

Matéria publicada em 12/02:

As buscas estão concentradas nos locais onde ficava a sede administrativa da empresa Vale (o refeitório e o vestiário). Como o rompimento da barragem do Córrego do Feijão aconteceu no horário de almoço e havia uma grande concentração de funcionários no refeitório.

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04/02

Já se encontram em Brumadinho, a Força Nacional composta de sessenta homens e dois helicópteros. Eles se juntaram aos 250 bombeiros e 22 cães farejadores que lutam incansavelmente para encontrar sobreviventes e corpos. Ainda há mais de 200 pessoas desaparecidas. Não há previsão para encerrar as buscas.

 

A coordenação dos resgates é do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Também participam das buscas, bombeiros dos estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Alagoas e Maranhão.

 

A ida da Força Nacional partiu de um acordo entre o governador Romeu Zema com o ministro da Justiça, Sérgio Moro.

 

 

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Dia 30/01: operações de resgates encontraram diversos corpos. A retirada desses corpos da lama é um trabalho delicado e demorado, por isso, apenas um corpo foi resgatado pela manhã. As atividades seguirão por todo o dia.

Também começaram as buscas nas matas no entorno da barragem. Segundo a assessoria da prefeitura,

A pedido do prefeito Avimar Barcelos uma equipe de bombeiros civis começa a procurar vítimas nas matas no entorno das áreas afetadas pelo rompimento da barragem da Vale. Em visita às comunidades atingidas o prefeito se comprometeu em conseguir essa ajuda para acelerar a localização de pessoas que ainda estão desaparecidas. Parentes e amigos nutrem a esperança de ainda encontrar alguém com vida.

 

 

Quando a ganância fala mais alto

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região atingida pelo rompimento da barragem da mineradora Vale. Crédito: Prefeitura de Brumadinho

A tragédia de Mariana parece que não surtiu efeito para algumas autoridades brasileiras e para a empresa Vale. Dor, tristeza, desamparo e negligência só as vítimas sabem o que é. Infelizmente essa dor é agora também compartilhada pela população de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).  Um dos locais mais bonitos do país, que abriga o maior museu à céu aberto do mundo, o Inhotim (não foi atingido por estar numa região mais alta), desaparece na lama tóxica de uma barragem inativa da empresa Vale (de novo!!!), a da Mina do Feijão (Córrego do Feijão). O mais chocante é saber que vidas foram ceifadas e toda uma rica biodiversidade comprometida por causa de uma barragem de tecnologia obsoleta!! Em várias partes do mundo não se utiliza mais essa técnica de contenção de resíduos tóxicos, há outras tecnologias mais eficazes. Quem vai pagar por isso? Dessa vez haverá punições e leis mais rígidas?

Uma cidade enlutada

A prefeitura de Brumadinho comunicou hoje pela manhã que a barragem da Vale “saiu do nível de risco II (dois) e voltou para o nível I (um). Ao se romper, a lama atingiu o refeitório e prédio da mineradora, a pousada Nova Estância, casas, fazendas centenárias e toda a vegetação ao redor. Centenas de animais atolados, e os que não podem ser resgatados são abatidos com um tiro. Triste cenário.

Muitas pessoas estão desaparecidas: funcionários da Vale, moradores e turistas que estavam na pousada. Desde o momento da tragédia, a região conta com 200 bombeiros militares especialistas, de Minas Gerais e de outros Estados.  É incansável o trabalho desses heróis brasileiros! Também são heróis, os civis que estavam no local no início da tragédia e que conseguiram resgatar pessoas até a chegada do helicóptero dos Bombeiros.

 

Velórios em andamentos

A prefeitura também disponibiliza pontos de velório com assistência médica e psicológica. Até da tarde de hoje, 28, ocorreram três sepultamentos no cemitério Parque das Rosas. Abaixo segue as informações sobre os locais dos velórios das vítimas da barragem:

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Doações para Brumadinho

Atenção: faça doações em dinheiro somente para as contas oficiais para depósito abaixo:

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Militares de Israel em Brumadinho

Já se encontra em Brumadinho, os 132 militares (soldados, oficiais e engenheiros especializados em resgate) vindos de Israel. Na bagagem trouxeram equipamentos como localizadores de sinal de celular, radares para água e sólidos, cães, câmeras, drones e máquinas hidráulicas para aumentar o potencial de busca.

Não há preço neste mundo que pague a generosidade, solidariedade e humanidade desses militares e do governo de Israel, que no primeiro momento da tragédia se colocou à disposição do Brasil. Ajuda bem recebida pelos governos federal e de Minas Gerais, e por toda nação brasileira que ainda lamenta pelas vítimas de Mariana (MG), tragédia também por causa de rompimento de barragem de resíduos tóxicos ocorrido há um pouco mais de três anos.

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Crédito: Gil Leonardi/Imprensa MG

Segue informação do governo de Minas Gerais, por meio da Agência Minas: 

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, acompanhou nesta segunda-feira (28/1), em Brumadinho, a chegada das primeiras equipes de militares de Israel que vão ajudar nas buscas e salvamentos das vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho, ocorrido na última sexta-feira (25/1). Ele participou de uma reunião de alinhamento entre as forças de segurança do Estado e integrantes da delegação de Israel para definir como será o início dos trabalhos, ainda nesta segunda-feira.

“Estamos iniciando o trabalho junto com as forças do Exército de Israel. Vejo que, com a tecnologia deles, vamos aumentar a chance de encontrarmos novos sobreviventes e termos mais agilidade para encontrar vítimas, o que vai amenizar e muito a angústia que as famílias têm passado. Sei que palavras não satisfazem, mas compartilho as dores dos familiares e sou grato ao nosso pessoal que tem se empenhado muito, a Polícia Militar, a Polícia Civil, e o Corpo de Bombeiros, que têm feito o possível e o impossível. A partir de hoje, somando com as forças de Israel, esse trabalho vai ser ainda mais agilizado”, afirmou o governador em pronunciamento à imprensa. Após a reunião, ele fez um novo sobrevoo das áreas atingidas.

O comandante da tropa israelense, coronel Golan Vach, também chegou a Brumadinho e pontuou que os trabalhos começaram nas primeiras horas desta segunda-feira.

“Na primeira luz da manhã chegamos à área para ver onde entrar. Agora temos uma imagem do lugar e do que é preciso fazer. Nossa impressão é que os bombeiros estão fazendo um ótimo trabalho. É um lugar muito complicado e perigoso para trabalhar. Decidimos onde nossa delegação vai começar a atuar. Nossos primeiros militares já chegaram no local e o primeiro passo é fazer esforço para achar pessoas vivas. Isso vai ser feito por meio de aparelhos tecnológicos com sinais de celular. Espero que as encontremos e vamos trabalhar com radares para achar pessoas vivas ou vítimas fatais”, completou. (Governo de Minas Gerais//Fonte: Agência Minas)

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*Foto de capa: barragem da Mina do Feijão, Brumadinho/MG. Foto tirada durante o sobrevoo do presidente Jair Bolsonaro na região, sábado, 26 de janeiro de 2019. Crédito: Isac Nóbrega/PR (Agência Brasil/EBC).

Não fuja para a Bolívia

Conheça os três casos mais famosos de fugitivos que se deram mal em terras bolivianas.

 

1967 – La Higuera

 

Segundo relatos da época, um maltrapilho, raquítico, doente e de cabelos e barba compridos não reagiu à ordem de prisão, e de costas para os militares ergueu as duas mãos em rendição. Em vão. Foi alvejado com tiros, caiu morto, e teve as duas mãos decepadas. O homem que parecia Jesus Cristo, segundo os moradores do vilarejo de La Higuera, era o médico argentino, Ernesto Che Guevara, o braço direito e esquerdo de Fidel Castro durante a Revolução Cubana (1953-1959).

Somente em 1997, os restos mortais de uma das 100 personalidades mais importantes do século XX, segundo a revista Time, foram encontrados numa cova em Vallegrande, 50 km de La Higuera. Eu estava na Bolívia naquele épico momento, e havia jornalistas de várias partes do mundo, familiares de Che e representantes do governo cubano. Havia muita euforia. Um dos filhos de Che, ministrou uma palestra na Universidade de Cochabamba. Na ocasião, eu ganhei de presente uma réplica de um quadro pintado pelo irmão de Che, onde há um poema. Tenho até hoje. Atualmente, os restos mortais e as mãos de Che estão enterrados em um mausoléu em Santa Clara, em Cuba.

 

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Este poster de Che, que ganhei de presente na Bolívia, me acompanha há 20 anos. Até para a Suécia, ele já foi!

 

Falar de Che sempre será polêmico e dividirá opiniões. Sempre haverá o famoso relatório da CIA que o apresenta como um assassino impiedoso e terrorista perigoso. Sempre haverá a história de um cara que viajou por todo o continente sul-americano e viu com os próprios olhos a dura vida de campesinos e trabalhadores. Ele viu a miséria e a opressão dos governos locais – servos das grandes potências mundiais. A luta armada, naquele cenário político em que se encontrava a América Latina, era a única solução para os que não aceitavam os governos ditatoriais. E sempre haverá um fato inquestionável: Che foi morto sem o direito de um julgamento justo. Ao matar Che pelas costas, no fatídico dia 8 de outubro de 1967 – um homem que já estava à beira da morte -, os militares bolivianos e a própria CIA, o tornaram imortal.

 

Em 2013, eu ministrava aulas de Espanhol e tive um aluno – um senhor que me contou uma história intrigante: ele conheceu Che Guevara em Cáceres, quando este seguia para a Bolívia na década de 1960. Também é de conhecimento público, o depoimento do professor Carlos Jorge Reiners (já falecido) sobre a passagem de Che em Mato Grosso. É bem provável que ele chegou à Bolívia por Mato Grosso.

 

 

1972 – Em algum lugar do Altiplano

Se havia algo mais odioso do que Hitler (já declarado morto), no final da Segunda Guerra Mundial, eram os nazistas que conseguiram escapar das tropas aliadas. Muitos vieram para a América Latina porque tinham muitos ‘fãs’ que ocupavam cargos importantes nos governos. Enquanto o ‘anjo da morte de Auschwitz’, Josef Mengele, vivia a sua liberdade no litoral de Bertioga, em São Paulo, Brasil; outro filho do capeta vivia nos trópicos bolivianos: Klaus ‘Barbie’ Altmann.

 

Os dias do oficial nazista na Bolívia começaram a ter um fim, a partir da publicação de uma série de reportagens do jornalista Ewaldo Dantas Ferreira, no Jornal  da Tarde (entre 1972/73).  O paradeiro do nazista conhecido como ‘o carrasco de Lyon’ (também tinha o ‘apelido carinhoso’ de ‘o açougueiro de Lyon’) finalmente havia sido confirmado. Para quem não faz a mínima ideia de quem era Barbie, é importante dizer que ele odiava crianças judias (Anne Frank foi para Holanda para fugir do nazista). Ah, ele também tinha um ódio mortal do líder da Resistência Francesa, Jean Moulin. Após a traição de um ‘amigo’, Moulin foi preso e torturado pessoalmente pelo chefe da Gestapo (polícia secreta alemã), e não resistiu aos ferimentos. O nazista considerava essa morte como um prêmio.

 

Ewaldo foi o primeiro jornalista a entrevistar Barbie na Bolívia por pura sorte do destino. Segundo uma entrevista do jornalista, na época com 81 anos, concedida à revista ‘Problemas Brasileiros’, de março de 2007, a série de reportagens sobre o ‘açougueiro de Lyon’ surgiu após o jornal francês “L’Aurore”, em 1972, publicou que que havia uma suspeita de que o nazista vivia na Bolívia como um comerciante abastado e de muitos contatos com membros do alto escalão do governo. A informação levou os maiores veículos de comunicação do mundo a enviarem os seus  jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas até o país sul-americano em busca de umas das maiores entrevistas do século XX.

 

Barbie, que até então vivia tranquilamente, foge do local porque tinha medo de ser assassinado ou sequestrado. É nessa fuga cinematográfica em que o jornalista brasileiro enviado por “O Estado de S. Paulo” encontra a grande chance da sua vida profissional: foge junto com o nazista num fusquinha pelo altiplano boliviano. Conversa vai e conversa vem, e entrevistas surgem: “Uma grande aventura, trabalhando à noite, fugindo de madrugada e ouvindo as revelações de um homem que matara milhares de pessoas, mas continuava convicto do trabalho que fizera”. (revista Problemas Brasileiros, março de 2007.)

Quando o jornalista brasileiro conseguiu entrevistá-lo, Klaus Barbie já estava condenado à morte (foi julgado e condenado à revelia) e foragido na Bolívia. Durante a entrevista, o nazista defende os seus atos na Segunda Guerra Mundial (para ele, não há nada de ilícito). No seu julgamento na França, ele se considerou ‘inocente’, e disse que não matou judeus, e sim, matou muitas pessoas que lutavam contra a ocupação nazista na França  (ele era o comandante da repressão à Resistência Francesa). Barbie era procurado por todo o mundo, e as reportagens de Ewaldo Dantas Ferreira deram um ponto final à caçada ao nazista. O jornalista também deu uma aula de jornalismo ao mundo quando se recusou a dizer como descobriu o paradeiro de Klaus, mantendo as suas fontes em segredo.

No dia seguinte à publicação do primeiro capítulo da série, o governo francês pediu a extradição do nazista ao governo boliviano (que negou a autenticidade da entrevista). O jornalista teve o cuidado de fazer com que Klaus Barbie assinasse todas as páginas datilografadas do depoimento. Em janeiro de 1983 (dez anos depois da publicação da entrevista), Barbie é preso na Bolívia e extraditado para a França onde foi julgado e condenado à prisão perpétua. Morreu de câncer na prisão em 1991.

 

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Em 1987, Klaus Barbie (algemado) é julgado e condenado num tribunal na França, por crimes contra a humanidade. Reprodução.

A série de reportagens foram reunidas no livro ‘Depoimento do SS Barbie=Altmann’. Eu era bem menina quando li esse livro pela primeira vez. Reli outras vezes e sempre me emociono. É um dos livros de não-ficção mais chocantes que já li.  A obra foi relançada em 2003. Bons tempos do jornalismo investigativo!

 

 

2019 – Santa Cruz de La Sierra

Ainda não havia anoitecido, quando um senhor de meia idade, de bigode, cavanhaque e cabelos pintados, caminhava tranquilamente por uma rua movimentada de Santa Cruz de La Sierra. Antes de chegar ao seu destino, esse senhor é abordado por policiais, e sem reagir, levanta as mãos e depois se ajoelha. Imediatamente é levado para dentro de uma van branca, seguida por outros carros com policiais que participavam da abordagem. A movimentação chama a atenção das pessoas que testemunham uma cena de filme hollywoodiano. E não era para menos, o senhor com a cara engraçada (disfarce) é Cesare Battisti, 64 anos – considerado terrorista para a polícia e o governo italianos -, condenado à prisão perpétua na década de 1970, por quatro assassinatos.

 

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Cesare Battisti (sentado) durante a viagem Santa Cruz de la Sierra-Roma. Ele segue ao destino que tentou fugir por 38 anos: a prisão perpétua. Crédito: Polícia Italiana

Battisti era ex-membro do Proletários Armados pelo Comunismo PAC). Apesar de dizer que não era assassino e sim um perseguido político, há provas contundentes de que matou e também feriu pessoas. Os crimes aconteceram durante os assaltos para subsidiar as ações e a sobrevivência grupo. Antes de se tornar comunista, Battisti já tinha passagens pela polícia por bandidagem.

 

Em 2004, Battisti entra no Brasil depois que viver foragido na França e no México, Em 2010, ele recebe um presente do presidente Lula, que em seu último dia de mandato nega a sua extradição, o que permite ao italiano uma vida livre no litoral paulista. Em dezembro de 2018, o presidente Michel Temer, que também estava em final de mandato, autoriza a extradição. Battisti foge de casa e segue um roteiro ainda não esclarecido, e que tem como destino a Bolívia. Após uma ação conjunta entre as polícias do Brasil, da Bolívia e da Itália, Cesare Battisti dá adeus à liberdade e embarca para Roma – sem passar pelo espaço aéreo brasileiro. Da capital italiana, o prisioneiro seguiu para a temida prisão ‘Cárcere de Oristano’, onde terá como companhia os mafiosos mais perigosos do país. A penitenciária de Segurança Máxima fica na Sardenha, uma ilha circundada pelo mar Mediterrâneo, e região autônoma da Itália.

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Fachada do Cárcere Oristano, na Sardenha. O novo lar de Cesare Battisti. Crédito: Il Messaggero.