Rana vem aí!

Elefante que vive em Sergipe chega à Chapada dos Guimarães no dia 22.

Depois de passar seis anos vivendo no zoológico de um hotel Fazenda, nas cercanias de Aracaju (SE), a elefante Rana terá um novo lar a partir de 22 de dezembro, em terras mato-grossenses. Ela fará companhia a Maia e Guida no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), uma antiga fazenda de gado, 8 km da comunidade Rio da Casca, em Chapada dos Guimarães.

VistaMiranteSEB
Vista do Santuário de Elefantes do Brasil, Chapada dos Guimarães (MT). Reprodução/site

Criado há dois anos, o SEB está localizado no Cerrado, e abriga elefantes resgatados numa área territorial de 1,1 mil hectares. Sua existência e funcionamento contam com apoios das instituições internacionais Global Sanctuar for Elephants (GSE) e da Elephant Voices. A GSE dá suporte à implantação de santuários e treinamentos para tratadores; e a Elephant Voices pesquisa o comportamento de elefantes na natureza.

Segundo o Santuário, Rana foi doada pelo proprietário da Fazenda Boa Luz, Marreco Fernandes, por meio de um contrato de doação para o SEB, assinado em 14 de dezembro deste ano, entre Fernandes e Scott Blais, presidente da organização. Após o trâmite jurídico, o Santuário iniciou os preparativos para a longa viagem da elefante até a Chapada dos Guimarães. Para cobrir os custos foi criada uma campanha de arrecadação online, onde todos podem contribuir no resgate da Rana. A partir do dia 22, ela terá uma vida melhor, livre na natureza e convivendo com animais da sua espécie. No Santuário, os animais se alimentam da vegetação farta e também comendo frutas, legumes, feno e suplementos de vitaminas que são oferecidos, diariamente, pelos tratadores.

Maia-e-Guida-estão-curtindo-bastante-as-chuvas
Maia e Guida esperam Rana chegar! Reprodução/Site

Quem é Rana?

Rana-na-Fazenda-Boa-Luz-próxima-a-Aracaju-no-Sergipe
Rana na Fazenda Boa Luz (Sergipe). Reprodução/Site

A mais nova moradora do Santuário de Elefantes Brasil chegou ao Brasil em 1967, com o circo Gran Bartolo para apresentações em Recife (PE). Também esteve em circos famosos como o Moscou, Garcia, Tihany e o Beto Carrero. Segundo documentação da fazenda Boa Luz, Rana deu entrada no local com o nome de Ranny e com origem do circo Estoril. Como a elefante vem sendo chamada de Rana, o SEB a adotou com esse nome. Não se sabe a idade exata, mas está entre 43 a 64 anos.

Animais em circo

Muitos estados brasileiros possuem leis que proíbem a participação de animais em circo. Isso acarretou no abandono de muitos animais que outrora viviam viajando pelo Brasil presos em gaiolas e sofrendo maus tratos. Anos atrás, o zoológico da UFMT teve de abrigar por alguns meses, um leão abandonado por algum dono de circo. O animal conseguiu um lar mais adequado em Brasília.

Ajude no resgate da Rana!

Para que Rana saia de Sergipe e chegue à Chapada dos Guimarães em segurança é necessário uma força-tarefa e recursos financeiros que são arrecadados por meio de doações e colaborações. Para mais informações de como ajudar no resgate da Rana, acesse aqui.

Chegada da Rana

Está prevista para o dia 22 de dezembro, o desembarque da Rana no Centro de Tratamento Médico, do Santuário. O Blog da Bárbara Fontes estará no local aguardando a chegada da Rana, numa área reservada à imprensa credenciada!

Saiba mais:

Global Sanctuar for Elephants (GSE)

Elephant Voices

Santuário de Elefantes Brasil

Anúncios

Linhas que semeiam o Futuro

Duas amigas criam concurso literário para estudantes da Chapada dos Guimarães

Uma ideia incrível que se tornou projeto educativo, o “Concurso Literário Linhas do Amanhã” visa incentivar a escrita criativa nas escolas públicas. Nasceu do comprometimento de duas mulheres com a Educação, e que foram à luta para buscar recursos financeiros privados por meio da vaquinha virtual (plataformas digitais). O resultado desse trabalho pode ser conferido no dia 18 de dezembro (terça-feira), na premiação dos melhores textos.

 

Criado por Roseli Carnaiba e Janaína Soares da Costa Buccioli – que também atuam como voluntárias, o concurso literário vem de encontro com a importância do papel da literatura na formação de jovens e crianças. O evento deve acontecer uma vez ao ano, e segundo as organizadoras, o “nosso objetivo é que através da reflexão sobre si mesmo e sobre o mundo, o aluno exercite a sua capacidade de escrever as linhas da sua própria vida e agir como sujeito ativo no mundo”. O valor arrecadado nas plataformas digitais foi para comprar os prêmios e organizar a cerimônia de premiação, que também vai contar com a apresentação de uma peça do grupo de teatro “Anônimos”.

Literatura na Educação Pública

O “Concurso Literário Linhas do Amanhã” é restrito aos alunos do ensino médio das escolas públicas da Chapada dos Guimarães (MT). O tema deste ano é “O futuro que eu quero escrever”, e todas as escolas da charmosa cidade foram convidadas. Os participantes podem expressar os seus pontos de vistas das mais diversas formas de criação que a linguagem possibilita: poesia, romance, conto, fábula, quadrinhos entre outros.  É bem provável que a partir de 2019, o concurso chegue a todos os níveis escolares.

roseli-barbara
Roseli Carnaíba com Bárbara Plazezwski (orientadora de Linguagem, da escola Rafael de Siqueira)

Premiação

A premiação acontece no dia 18 de dezembro, na Escola Estadual Cel Rafael de Siqueira, que possui 700 alunos. O 1º Lugar recebe um notebook; o 2º recebe um celular; e o 3º Lugar recebe uma bicicleta.

 

cartaz_A3_artefinal_Easy-Resize.com
Cartaz de divulgação da primeira edição do “Concurso Literário Linhas do Amanhã”.

Bate-papo com o Blog

Foto.Janaína Buccioli
Janaína Buccioli/Acervo Pessoal

Janaína é uma escritora mato-grossense que reside na Espanha, e por e-mail contou sobre o “Concurso Literário Linhas do Amanhã”:

Como surgiu a ideia de promover um concurso literário ?

Janaína Buccioli: Para mim, um dos aspectos mais importantes na raça humana, que nos diferencia dos animais, é a nossa capacidade de criar elementos que possuam uma dimensão simbólica. Eu considero a linguagem, desde o seu  primórdio, fascinante. É através dela que o ser humano é capaz de passar seu conhecimento, de unir-se para a realização de um projeto em comum. Ela é também uma das mais interessantes ferramentas para compreensão de si, do outro e do mundo. A literatura e, principalmente, o escrever são invenções humanas que, muitas vezes, são tidas como atividade intelectual que demanda um certo aprimoramento cultural. Óbvio que para se ganhar o premio Nobel de literatura isso se faz verdade, porém, qualquer ser humano deveria estar apto ao ato de escrever. Todos os seres humanos possuem uma história a ser contada. E toda história, de qualquer vida, vale a pena. Então, o concurso surge como uma forma de aproximar esse mundo da escrita, de promover a escrita como algo prazeroso e como uma ferramenta de desenvolvimento. No mais, para os jovens, esse tipo de expressão pode ser extremamente terapêutica em face aos desafios do crescimento.

Por que a rede pública e por que na Chapada dos Guimarães?

Janaína Buccioli: A escolha pela rede pública é facilmente deduzida. Temos um país carente de conhecimento. E os jovens são a nossa maior matéria-prima. Não se trata somente de um jovem como individuo, mas sim da nossa evolução como coletivo, como nação. A Chapada porque é  minha cidade xodó nesse mundo. O fato de ser uma comunidade pequena também facilita a organização. Lembrando que é uma iniciativa totalmente privada.

Como ocorreu a organização?

Janaína Buccioli: A ideia surge no meio desse cenário político complexo que nos acompanha desde o impeachment da Dilma. A sensação de impotência, pouco a pouco, foi gerando um certo desconforto. Esse por sua vez me fez ver a situação por outro angulo. Estamos sempre insatisfeito com o Estado, porém, esquecemos que também somos autores na construção do mundo. Iniciativas privadas são fundamentais e podem ocorrem em qualquer escala  – da rua do bairro ao país inteiro. Confesso que mobilizar as pessoas a colaborarem não é tarefa fácil. Conseguimos arrecadar em torno de 68% do orçamento que havíamos planejado para o evento através de plataformas de financiamento coletivo, uma no Brasil e outra na Europa. Nos adaptamos ao que arrecadamos e seguiremos em frente. A ideia é que a iniciativa dê frutos e que o projeto possa crescer. A organização está sendo realizada de forma totalmente voluntária por mim e pela Roseli Carnaíba.

BBF∼ 

Vamos ajudar!

São iniciativas como o “Concurso Literário Linhas do Amanhã” que fazem a diferença na vida de quem participa e a de seus familiares. O hábito da leitura deve ser incentivado de forma lúdica e sem pressões, e um concurso com premiações bacanas, ajuda nesse processo saudável. O projeto acontece por meio da iniciativa privada e para que continue a semear, precisa do apoio da sociedade. Para ajudar entre em contato: concursolinhasdoamanhã@gmail.com.

Se cada um de nós fizermos um pouquinho para ajudar o próximo, pode ter certeza de que o Brasil será outro! São nas ideias simples que nascem grandes projetos que podem se transformar em programas anuais que disseminam conhecimentos e atitudes positivas que promovam agentes dentro das Comunidades, e também inspiram novas ideias por todos os rincões do país.