Quatro projetos para salvar Mato Grosso

Depois de uma longa reunião com deputados estaduais realizada no Palácio Paiaguás, o governador Mauro Mendes vai nesta quinta (10/01) à ALMT entregar os projetos de lei que buscam tirar um dos estados mais ricos do Brasil do buraco.

Parece um paradoxo: Mato Grosso é um estado rico e pobre ao mesmo tempo! Rico por ser o maior celeiro do agronegócio do país, e tem um potencial turístico que pode gerar milhões de reais por ano; e pobre porque mal consegue andar pelas próprias pernas e tem muitas dívidas por aí, ao ponto de ter de escalonar os salários de seus servidores. E o Estado precisa de seus servidores para continuar a arrecadar.

Quando Pedro Taques assumiu o governo, o Estado já passava por problemas e era uma questão de urgência realizar algumas reformas e mudanças de hábitos dentro do próprio governo. Com a mudança da empresa pública de tecnologia Cepromat para MTi, eu acreditei que Mato Grosso daria um salto gigantesco no setor, atraindo parcerias internacionais  e que arrecadaria muito dinheiro (os melhores analistas de sistemas do Estado estão nesta empresa!).

Enquanto muitas Secretarias tinham de economizar papel higiênico e copos descartáveis (eu vi isso!), os gastos com publicidade governamental eram espantosos – inclusive, foi neste governo que houve um aumento considerável de recursos para o Gabinete de Comunicação (GCom). Também aconteceu algo bem estranho: a ocupação de cargos chaves no governo por pessoas que nunca haviam morado no Estado antes e, que eram ligadas ao PSDB. Eu poderia listar muitos outros motivos que podem ter levado o Estado a esse momento lamentável, como o governador ter virado às costas para o Estado quando foi trabalhar na campanha de Wilson Santos, que disputava a prefeitura de Cuiabá. Isso foi uma falta de respeito e de responsabilidade com todos os eleitores que acreditaram que teriam um governante focado nos problemas do Estado.  Isso sem falar na ‘grampolândia’ – um escândalo vergonhoso! E quantas pessoas foram presas? Dezenas!! E o povo não perdoou, Wilson perdeu de lavada para Emanuel Pinheiro e, Taques perdeu para Wellington Fagundes (Fagundes perdeu para Mauro Mendes). Silval Barbosa errou muito, e Pedro Taques que poderia ter feito o melhor e não fez, por isso, errou muito mais.

Mauro Mendes começa governar após dois péssimos governos. O cenário atual do Estado pode ser um tema para um filme de ficção pós-apocalíptico: tudo quebrado, ao Deus dará, sem dinheiro, endividado e mal falado. O governador é o herói que salva todo mundo? Não! Deixemos os atos de heroísmos para o Cinema ou para a Literatura. A vida real dentro do governo estadual é bem mais parecida com os contos de Nelson Rodrigues – quase sem final feliz. Mauro Mendes terá de ter muita sabedoria para montar uma força-tarefa, ter muita diplomacia para dialogar com os deputados da Assembleia Legislativa, e também saber dialogar com o seu servidor público (idem o Fórum Sindical). Cortar gastos é vital, e podia começar com os salários do alto escalão do governo e manter um staff de comissionados enxuto – mas sem prejudicar a governabilidade. Pedir para o servidor economizar água, copos e papel higiênico não vai salvar Mato Grosso!

 

Os quatro projetos de lei

Na manhã desta quinta-feira, dia 10, o governador Mauro Mendes estará na Assembleia Legislativa para protocolar quatro projetos de lei que visam mudar os rumos do Estado de Mato Grosso: Reforma Administrativa; a reedição do Fundo Estadual de Transportes e Habitação (Fethab); Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e dos critérios para a concessão da Revisão Geral Anual (RGA). Sem a aprovação desses projetos pelos deputados, o Estado de Mato Grosso pode ir à falência. Agora será a hora do eleitor mato-grossense descobrir se valeu a pena votar naquele (a) deputado (a).

 

 

Em tempo:

Acontece nesta quinta-feira, 10, às 14h, na Assembleia Legislativa (ALMT), uma audiência pública para debater o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2019. O evento continua na sexta, 11, às 9h.  Segundo a Secom-MT, a Secretaria de Planejamento (Seplan) vai apresentar a peça orçamentária proposta pelo Executivo, que estima a receita e fixa as despesas do Estado para o exercício financeiro seguinte.

 

Serviço

Evento: Audiência Pública do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2019

Data: 10 e 11/01 (quinta e sexta-feira)

Horários: 14h, na quinta// 9h, na sexta

Local: auditório “Deputado Milton Figueiredo”, Assembleia Legislativa, em Cuiabá.

 *Foto de capa: Praça das Bandeiras, Cuiabá/MT. Crédito: GCom/2016

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