Cuiabá faz 300 anos!

‘CUIABANIA’

Olha só,
Que reunião mais bacana
Neste casarão secular.
No oratório, tem São Benedito
Nas paredes, retratos antigos!

Quem está nesta festa?
Cuiabanos de ‘tchapa e cruz’
Mas ‘pau-rodados’ também vieram
Encantados com o muxirum!
Que povo mais festeiro
Liu Arruda ‘futxica’ com Ivan Belém,
‘Cumadre’ Pitu, Zé Bolo-Flor e mais Maria Taquara.
Totó Bodega joga charme para Almerinda e Penélope.
Nico e Lau só de olho nos quitutes,
Zé Peteté tudo vê e ‘tchora’ de tanto rir!

Júlio Müller papeia com Dante de Oliveira,
E Dom Aquino com Gervásio Leite e Marília Beatriz
Na Biblioteca estão os imortais da Academia de Letras,
Mahon olha tudo ‘maravilhado’ e já prepara outro livro fantástico!
Que sarau mais democrático
Carlinhos Ferreira relembra os antigos carnavais,
Chico Amorim canta com o poeta Sodrezinho:
‘O lado humano não acompanha o tecnológico’.
Joaquim Murtinho olha pela janela espantado,
O passado não compreende o presente!

Névio Lotufo filma tudo e diz para todos:
‘Festa como esta nunca vi igual,
Tenho de registrar para posteridade.
E depois vou bailar até cansar!’

Que quintal mais bonito,
Aline Figueiredo fala comigo:
‘Bárbara, tem ‘aufa’ de artistas plásticos,
Gente boa reunida,
Tudo pintado de tinta,
Viva Gervane! Viva Adir!’

‘Bela e solícita a anfitriã, dona Maria Müller!’
É o que dizem Marechal Rondon e Ramis Bucair.
Um brinde lhe é feito por Rubens de Mendonça,
E o poema, como sempre, é de Silva Freire!

Entre serestas, poemas e francisquitos,
Quem escreve miudinho num pedaço de papel de pão?
É Manoel de Barros, cuiabano de ‘tchapa’, pantaneiro de coração.
Dicke só quer saber do “toc toc” da máquina de escrever.
Chau está animado no meio do povo,
Será que ele vai querer fotografar a Cuiabá de hoje?

Toda cuiabania reunida
No belo casarão dos Müller
Não dá pra citar todos, mas todos estão aqui.
E os políticos corruptos
Estão bem longe daqui!

Olha só
Adivinha quem não perde um festejo?
É Jejé! É Jejé!, gritam todos os presentes.
Mas se alguém se espantar porque um filho de Rosário Oeste
Todo de bata e turbante faz no meio da ‘cuiabanada’,
Eu lhe digo, mesmo que prolongue este poema:
Liga não, Jejé já ‘cuiabanou’ como todos que estão neste casarão
E Cuiabá é Jejé
Então está tudo Digoreste!

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, 2014/2019)

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Daquilo que eu sei

Quem sou eu?

 

Algumas décadas de vida

Duas e meia de profissão

Uma década e meia de maternidade

E uma alma milenar…

….

Eu já vi quase tudo

Ouvi muitas asneiras

E coisas sábias

Já senti coisa boa

E coisas não tão boas….

Já amei

Desamei

Quase desisti de amar

E Amei de novo

Quebrei a cara

Jurei que não amava mais

E amei de novo…

….

Na verdade,

Eu sou aprendiz da vida

Sobrevivente de tormentas e furacões

Testemunha da bonança que vem depois da tempestade

Sou colecionadora de pôr-do-sol

E de arco-íris

No fundo de meu “eu”

Sempre há uma luzinha acesa

Mesmo quando há cegueira

E tudo é tão escuro e frio

O jeito é respirar fundo

Enfrentar o luto

E ir à luta

Chorar é bom

Mas, bom mesmo

É ser feliz!

(Bárbara Fontes, Projeto de Poetisa/Dezembro de 2018)

 

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Querido leitor (a) do Blog da Bárbara Fontes,

 

Sabe quando mudamos para melhor?

Quando decidimos mudar!

O medo de nada der certo (de novo) faz parte dos temores de quem quer mudar para melhor. Enfrente esse medo feroz que povoa a mente! Se chegamos até o século XXI é porque os nossos ancestrais enfrentaram feras, fome, frio, solidão, perseguição, decepção e a morte. Então, nós conseguiremos também!

 

Decidir mudar para melhor significa abdicar do que nos fez mal.

As pessoas mudam?

Acredito que sim, mas nós não precisamos pagar pra ver (de novo). Então, cabeça erguida e olhe para frente – mesmo que a tentação de olhar para trás seja grande. Assumir que a tentação existe é uma passo importante para enfrentá-la. Se o que deu errado no passado pode dar certo no futuro, só o PRESENTE dirá, mas não vamos pagar pra ver.

 

Flor_biancafontes

 

Vamos trabalhar em todos os sentidos da vida para pagar pra ver e ter uma vida melhor e feliz. Vamos pagar as dívidas dos boletos que aparecem todos os meses; vamos pagar para se divertir com os amigos; pagar aquela viagem tão sonhada; pagar aquele vinho delicioso e….quem sabe ao lado de uma companhia que não precisou pagar pra ver.

 

É muito, muito fácil alguém estar conosco nos momentos de fartura; difícil é continuar nos momentos de dificuldades. Difícil é receber o colo que necessitamos num momento crucial. Então, o primeiro passo para mudarmos para melhor é escolher quem estará em nossas vidas. Não precisamos de repetir erros. Não precisamos de mendigar amor e atenção. Não precisamos pagar pra ver o que não dá mais certo!

 

Esta é a última semana de 2018. Que ano difícil!!! Que ano mais triste, mais intolerante, mais tempestuoso.

2018 pode ser o ano em que as “máscaras caíram” e que saímos machucados e aterrorizados pelas verdades da vida.

2018 foi o grande ano também! Cheio de ensinamentos, cheio de “puxões de orelhas”. Foi o ano das verdadeiras amizades também – daquelas que nascem quando você menos imagina!!!

 

Gratidão 2018!!! Pelas lições que me ensinastes!

 

 

 

Gratidão!

Sempre é hora de recomeçar e ser feliz porque a vida é bonita, é bonita e é bonita.

julie-julia-filmeEsta Quinta Happy Hour era pra ser rock anos 80, sob os ensinamentos do poeta Cazuza e o seu Barão Vermelho. Mas como tudo o que tem acontecido desde agosto, o plano mudou. Acabei assistindo um dos meus filmes preferidos Julie & Julia. Só o cardápio não mudou: mantive a ideia de um jantar bem “engordiet”: batatas fritas, salsicha, ovo frito e bacon. Enquanto preparava a comida pensava o quanto teria de caminhar depois da janta (ou melhor, depois do filme).

Pode ser que o motivo de eu ter trocado o tema desta QHH tenha sido o meu fim de tarde assistindo a um documentário do Deepak Chopra (As 7 leis espirituais do sucesso). Acho que fiquei sensível e um rock não seria tão necessário a noite e sim algo mais profundo, como um filme que eu me identificasse.

Eu e Julie (personagem principal do filme) tínhamos muito em comum, assim como Julie e Julia Child, a maior culinarista do mundo! Apesar de eu amar comida e tudo o que envolve a gastronomia, a minha identificação com Julie se deu pelo fato dela também ter um Blog. Sua vida segue em torno das aventuras culinárias, fielmente relatadas para os leitores, e as suas desventuras no campo profissional, pessoal e amoroso. Paralelamente, o filme retrata a vida de Child em Paris com o marido diplomata e como aluna da Le Cordon Bleu (se você assiste o MasterChef sabe bem do que eu estou falando!).

Mas por que o título deste post é sobre gratidão e não sobre o filme? Porque o filme é apenas um pequeno grão de areia no Saara da minha vida. Enquanto eu preparava o meu jantar, refletia sobre tudo o que tenho passado e o fato de que todos os meus planos deram errados, fora os que nem estavam planejados e que deram errados também! Meu agosto e este setembro têm sido assim: um dominó que aparentemente estava alinhado e de pé e que de repente foi caindo uma peça, depois outra e…zaap…todas foram ao chão em segundos! Acho que até o Deepak Chopra se espantaria e tentaria me estudar (hahaha)!

Por que os meu planos (todos muito bem pensados, por sinal!) foram ruindo? Eu tive de refletir muito, muito e na solidão das minhas caminhadas na Vila Olímpica Rei Pelé, em Tangará da Serra. Eu havia planejado por meses a minha ida pra lá – para estudar e trabalhar. Eu tinha tantas expectativas positivas. Eu estava cansada de viver entre Várzea Grande e Cuiabá. Estava cansada do calor infernal. Estava cansada de nada dar certo pra mim (eu havia adoecido gravemente, fiz uma cirurgia cara, demorei para me restabelecer fisicamente, vi a minha empresa ficar parada e me sentia deprimida) e achei que ir pra outra cidade e recomeçar seria bom. Mas como eu escrevi antes, TUDO DEU ERRADO! E o pior: a cidade estava tão quente, que cheguei a pensar se era uma “praga” de Cuiabá pra mim: “então, a senhorita vai me abandonar? Mas eu, Cuiabrasa, vou junto e vai passar calor lá também.”

Brincadeiras à parte, nunca imaginei que todos os planos e as melhores intenções de uma pessoa poderiam simplesmente não acontecer. E até a minha vida pessoal, que achava blindada, furou. Eu me vi sozinha emocionalmente e sem dinheiro (por causa dos  planos falidos). Eu estava no olho do furacão, num turbilhão de emoções e frustrações. O ápice disso tudo foi um dia andando pelo centro de Tangará, cheio de gente, e eu me vi “perdida”. Este dia foi primordial para mim porque ao mesmo tempo em que eu me perdi foi o início do reencontro comigo mesma.

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Foto-art by Bárbara Fontes

Há um ditado que diz: quando se está no fim do poço, só resta subir! E foi nas minhas caminhadas na Vila Olímpica que criei a coragem de me confrontar, jogar na mesa imaginária todas as cartas do jogo da minha vida. E refleti: em que momento eu decidi vir pra cá? Como eu tomei a decisão? Quais planos eu tinha em mente? O que saiu errado? O que está me frustrando? Eu sou culpada por tudo o que está me acontecendo? E assim foi pensando, pensando e pensando, numa conversa telepática com o meu “eu interior”. Eu posso escrever seguramente aqui que foi uma das experiências mais profundas e extraordinárias que já vivi!

Consegui, finalmente, “enxergar” tudo o que estava se passando e ter forças para sair do poço. A verdade é que eu precisava passar por tudo aquilo! Precisei sair de casa, me afastar da vida cuiabana, morrer de saudades de meus pais e de minha única filha para entender os desígnios de Deus.  Eu precisava de  um tempo pra mim e partir para Tangará me ajudou nisso. Apesar de tudo o que eu havia planejado não aconteceu, em nenhum momento Deus me desamparou e colocou em minha vida amigos que se tornaram a minha família. Fui amorosamente acolhida por pessoas que mal me conhecia. Gratidão!

Retornei para meu “kinder ovo” em Várzea Grande. Minha filha já estava lá me esperando ansiosa. Como foi bom abraçar o meu bebê de 15 anos! Como foi bom olhar o meu lar, como foi bom dormir na minha cama e no ar-condicionado! Como foi bom voltar! No dia seguinte já estava caminhando com Bibi num parque parecido com a Vila Olímpica, pertinho de casa, mas que fica em Cuiabá (moro perto da ponte que divide VG com Cuiabá). Depois seguimos para a vizinha Orla do Porto e voltamos para casa felizes e cansadas.

Eu percebi que Tangará havia feito algo por mim: me deixou mais forte e mais decidida em relação à minha vida profissional e privada. Eu tenho esse Blog que eu amo. Eu tenho  uma linda profissão. Eu sou uma pessoa do bem. Eu tenho talento e boa vontade. Eu mereço e devo ser feliz todos os dias, e ter ao meu lado pessoas que vibrem positivamente. Tudo isso eu só “enxerguei” na minha solidão quando tudo estava dando errado, quando eu me sentia abandonada e perdida. Eu dei a volta por cima porque  consegui refletir e dizer verdades para mim. Se você quer saber se eu chorei, sim, eu chorei muito porque os sentimentos de derrotismo, fracasso e de burrice vem como uma avalanche. É necessário ter muita FÉ em Deus. Mesmo quando achamos que Ele está de brincadeira com a gente. Não, Deus só estava me ensinando a ser grata pela vida, mesmo quando a vida parece nos dizer “não”.

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foto-art by Bárbara Fontes

Eu tenho gratidão em meu coração por tudo o que passei em Cuiabá, em Várzea Grande, em Estocolmo (num inverno de 26 graus negativos) , no Rio de Janeiro (durante  um tiroteio), em Tangará e em qualquer outro lugar que eu já tenha morado! Em cada lugar foi um grande aprendizado. Só passei de fase nesse grande jogo da vida e sigo rumo à vitória! Gratidão!

 

*Aproveitando que você ainda está aqui, faço um convite para fazer parte dos “Amigos do Blog da Bárbara Fontes” e receba  uma foto-art de minha autoria. Saiba mais aqui.

 

Brasil ponto br

No princípio era o índio
Entre o céu e a terra
Mundo nu e livre
E não havia vergonha

Aparece o português
Extrai tudo entre o céu e a terra
O índio é vestido e cativo
Tudo é vergonha

Chegou o negro
Escravidão entre o céu e a terra
Costas nuas sangrando a chicotes
Vergonha de se ver

Nasce a nação brasileira
Confusão entre o céu e a terra
Ricos comandam os pobres
Elite sem-vergonha

Surge o político corrupto
Benesses para si entre o céu e a terra
Deixa a nação nua numa vida crua
E mata-a de vergonha.

(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, dia da Independência do Brasil, 2017.)

Aquiete, meu bem!

Tudo bem, meu bem
Aquiete seu coração
Amanhã, lindo dia será
O mal não há de perdurar
 
Coisas nascem, vivem e morrem
O céu nem sempre está azul
O sol, às vezes, não quer aparecer
Tempestades chegam e somem
 
Todo túnel tem um fim
A noite não é pra sempre
Aurora há de vir
Passarinhos passarão
 
Tudo bem, meu bem
Aquiete seu coração
Amanhã, um amor poderá chegar
A desilusão não há de perdurar
 
(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa – 02/09/2016)

Jogo da Vida

No turbilhão da vida
Provações são como vestibulares
É passar ou reprovar
Nada é em vão
 
Muitas questões para responder
E o corpo e a mente, fragilizados
Não querem resolver equações
E nem argumentar redações
 
No Jogo da Vida
Só há um vencedor: A Morte!
E enquanto ela não vem
Nos basta viver.
 
(Bárbara Fontes in Projeto de Poetisa, setembro 2018)