Bárbara Pergunta

“Cuiabá está preparada para receber a ferrovia”.

 

Após a visita do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, ao Terminal Ferroviário de Rondonópolis (14.06), o presidente da Pró-Ferrovia Cuiabá, Francisco Vuolo, conversou com o Blog da Bárbara Fontes. A Pró Ferrovia Cuiabá reúne diversas entidades que defendem o fortalecimento do modal ferroviário no país e querem garantir o avanço dos trilhos no Estado de Mato Grosso até Cuiabá. Vuolo é filho caçula do ex-senador Vicente Vuolo, considerado o Pai da Ferrovia em Mato Grosso.

 

Blog da Bárbara Fontes: Francisco Vuolo, o que representou para o Fórum Pró-Ferrovia Cuiabá e também para o senhor, a visita do ministro Tarcísio Freitas?

Francisco Vuolo: Foi muito importante a presença de integrantes do Fórum nessa visita histórica do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para que todos nós tenhamos noção do quanto é impactante e positivo o terminal ferroviário para uma região, e especificamente nesse caso, para o município de Rondonópolis, que hoje ocupa a segunda posição econômica no estado de Mato Grosso. É uma cidade que fomenta a economia e que cresce com números acima dos outros municípios, e deve-se muito à vinda do terminal ferroviário, um grande eixo de infraestrutura e daí a importância que representa como indutor do desenvolvimento. Além de ser uma grande produtora de grãos da região Sul de Mato Grosso. Para o Fórum foi muito significativa a participação das entidades, além das lideranças comunitárias que puderam ter uma noção da importância do evento, e a vinda do ministro junto com a bancada federal, junto com o governador, junto com representantes da prefeitura de Cuiabá e diversas prefeituras, e da Assembleia Legislativa demonstram claramente os projetos futuros para o Estado, e nesse prisma o avanço da ferrovia. Não há como nós pensarmos no estado de Mato Grosso, no desenho que é feito com ferrovias ligando o escoamento do norte do estado, de Sinop à Miritituba (Pará); ao leste, de Lucas do Rio Verde até a região Goiás, sem pensar na ferrovia avançar até a capital para poder produzir um novo modelo de crescimento de desenvolvimento da região porque a ferrovia não é só para levar a produção, a ferrovia é também para trazer e com isso reduz o preço do frete. Cuiabá está preparada para receber esse eixo porque tem abundância de energia, nós temos a usina de Manso, nós temos a termoelétrica, nós temos o gasoduto, nós temos um porto seco que é uma estação aduaneira para importar e exportar dentro da cidade. Nós temos as principais faculdades e tem um mercado consumidor. É a maior região arrecadadora de impostos do estado de Mato Grosso. Então com a chegada da ferrovia até a capital vai permitir que novas indústrias e novos empreendimentos sejam instalados e agreguem valor na produção primária que nós temos dentro do Estado, gerando emprego, gerando mais divisas e por isso, a importância de nós termos a ferrovia na capital e, obviamente, não só em Cuiabá, depois do terminal ferroviário na capital, a ferrovia vai subir até o Médio-Norte e Norte do estado, na região de Sorriso. Por isso trouxemos esse lema para o evento com o ministro da infraestrutura em Rondonópolis: “Integrar Cuiabá e Mato Grosso” rumo à essa missão da Rumo porque se nós pensamos no Estado uno, se pensamos no Estado onde todas as regiões que devem ser contempladas, no momento quem mais precisa desse eixo é, sem dúvida, a Baixada Cuiabana e daí a importância da ferrovia. Então para nós tem um significado importante, além do aspecto histórico, do aspecto emocional de estar em Rondonópolis e ver a ferrovia que é uma luta de muitos e muitos anos de uma pessoa que foi taxada de louco, de sonhador, e quando se falava de ferrovia todo mundo debochava do nome dele (Francisco se refere ao seu pai, Vicente Vuolo), e hoje a ferrovia (a Ferronorte) já representa isso dentro do estado. Para mim, particularmente, para a nossa família é motivo de muito orgulho e nos anima com mais responsabilidade conduzir o Fórum Pró-Ferrovia, para que isso que foi sonhado e idealizado durante muitos anos e hoje é uma realidade, possa ser um divisor de águas no futuro, principalmente para região da Baixada Cuiabana.

 

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Francisco Vuolo com autoridades durante evento no Terminal Ferroviário de Rondonópolis (MT), em 14.06.19. Crédito: Ferreirinha

BBF: Depois do evento em Rondonópolis, como fica o posicionamento político e estratégico do Fórum Pró-Ferrovia Cuiabá?  

FV: O Fórum Pró-Ferrovia fez questão de trazer as lideranças comunitárias justamente para podermos pensar a cidade. Há uma vontade política do governo federal em avançar a ferrovia até a capital, a manifestação da empresa Rumo nesse sentido, assim como dos nossos senadores e deputados. O avanço da ferrovia até Cuiabá é uma questão de tempo e nós não podemos ser pegos de surpresa, nós temos de preparar as pessoas para esse impacto que vai ocorrer, planejar a cidade para que ela cresça de forma ordenada, no sentido que ao absorver esse eixo estruturante, ela possa crescer e fazer com que o cidadão seja o maior beneficiado com a chegada da ferrovia. Para nós é um divisor de águas em relação a isso. Existem alguns passos que ainda serão trabalhados para que isso ocorra, entre eles, a renovação da malha ferroviária paulista. É uma situação que ainda se vive no estado de São Paulo, que se renove o prazo dessa malha para que a empresa Rumo possa investir no avanço da ferrovia em Mato Grosso. É necessário que seja aprovado pelo TCU e nós estamos acompanhando isso de perto. E o mais importante, em termos de capital e de investimentos e recursos, o grupo Cosan/Rumo tem capital suficiente para fazer o que está previsto por ela, que é um investimento de 7 bilhões de reais para estender a ferrovia até o município de Sorriso passando por Cuiabá.

 

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Representantes do Fórum Pró-Ferrovia com autoridades durante a visita do ministro da Infraestrutura. Foto: Bárbara Fontes

 

BBF: No governo Fernando Henrique Cardoso foi inaugurado a Ferronorte, em Alto Taquari/MT (07.08.1999), que contou com a presença do presidente da República, Do governador Dante de Oliveira e autoridades da época. O senhor e o seu pai, Vicente Vuolo, também estiveram presentes. Eu também estava lá e pude presenciar o momento histórico para Mato Grosso. Uma coisa que me marcou muito foi ver o seu pai muito feliz. E aqui estamos, 20 anos depois, no Terminal Ferroviário de Rondonópolis e é impossível falar de ferrovia em Mato Grosso, sem lembrar de seu pai. Qual é o maior legado que ele deixou?

FV: O maior legado, sem dúvida alguma, é acreditar que sonhos são possíveis de serem realizados. Para quem atravessou o rio Paraná, eu com o meu pai, um rio com quase quatro quilômetros de largura. Atravessamos de balsa que demorava quase uma hora para atravessar de um lado para outro. Eu ainda pequeno não entendia a grandiosidade daquilo e meu pai me falava: “meu filho, um dia vai ter uma ponte aqui e vai passar caminhão e vai passar trem levando a produção nossa de Mato Grosso para São Paulo”. Eu olhava para ele, pequenininho do jeito que ele era, e olhava para o tamanho do rio e via aquela grandiosidade do que deveria ser a ponte, e hoje essa ponte é uma realidade. É a ponte rodoferroviária do rio Paraná, que fica entre Aparecida do Taboado, em Mato Grosso do Sul e Rubinéia, em São Paulo. Na parte ferroviária essa ponte tem o nome dele, Vicente Vuolo. Para mim que vi isso acontecer e hoje a ferrovia estando aqui em Mato Grosso. Eu que via os muros pichados com o nome dele sendo debochado, eu que atendia o telefone e na outra linha o chamava de “Louco”, “Cadê a ferrovia, Vuolo?” , e hoje vê a ferrovia aqui como uma realidade. Todos nós e toda a sociedade clamando pela ferrovia, e naquela época, ele completamente sozinho fazendo isso, sem dúvida é um legado que ele deixou é de acreditar que um sonho pode ser realizado. É isso que nos inspira e nos aumenta a condição de poder lutar para que um dia os meus filhos, os nossos netos, as futuras gerações também possam acreditar em seus sonhos que muitas vezes parece ser impossível. Então é sem dúvida, esse é o ponto primordial que levamos como mensagem e deixando para a sociedade.

 

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ponte rodoferroviária do rio Paraná. Acervo da família Vuolo.

 

 

Saiba mais no Blog da Bárbara Fontes:

Visita do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, no Terminal Ferroviário de Rondonópolis, acesse aqui.

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